Setor espanhol de alho pede proteção da UE após importações subirem 128,4%
Os produtores espanhóis preparam um pedido de salvaguarda europeia depois de as importações de alho de países terceiros crescerem 128,4% numa década, para 111.812 toneladas. A iniciativa coincide com uma colheita espanhola de excelente qualidade em 2026 e uma área ligeiramente superior a 24.000 hectares.
Crescimento das importações pressiona o mercado europeu
O setor espanhol de alho prepara-se para pedir proteção contra o aumento da oferta proveniente de países terceiros, apesar de o país colher um produto de elevada qualidade em 2026. A Associação Nacional de Produtores e Comercializadores de Alho, ANPCA, decidiu iniciar os trabalhos técnicos necessários para solicitar uma cláusula de salvaguarda da UE, segundo a AgroNews Castilla y León.
As importações de alho da União Europeia provenientes de países extracomunitários aumentaram 128,4% na última década, atingindo 111.812 toneladas. A China representa aproximadamente dois terços desse volume, com 74.231 toneladas. O Egito forneceu 19.555 toneladas e registou o maior crescimento percentual entre as origens destacadas pela ANPCA.
A associação considera que a continuidade desse aumento pode desequilibrar o mercado europeu, enfraquecer os preços e reduzir a rentabilidade das explorações agrícolas. Os efeitos também podem atingir cooperativas, armazéns, empresas de comercialização e prestadores de serviços em zonas rurais onde o alho gera emprego agrícola e atividade económica.
Qualidade elevada, mas menos área do que em 2022
A preocupação comercial coincide com uma colheita espanhola sólida. A ANPCA classificou como excelentes o estado sanitário e a qualidade comercial do alho colhido em 2026. A área manteve-se praticamente estável em relação ao ano anterior, ligeiramente acima de 24.000 hectares. No entanto, continua muito abaixo dos quase 30.000 hectares plantados em 2022, refletindo a redução da cultura nos últimos anos.
O alho Spring recuperou os níveis de produtividade perdidos em campanhas anteriores devido às condições meteorológicas adversas. O regresso a uma produção normal alivia as explorações que tinham sofrido quebras de volume. Combinado com a boa qualidade comercial, deverá melhorar a sua capacidade de competir no mercado europeu.
O alho Morado também alcançou uma qualidade excelente, embora a produtividade tenha ficado ligeiramente abaixo das elevadas expectativas do início da campanha. A produção final não cumpriu totalmente as previsões iniciais. O bom estado, a capacidade de conservação, as características organoléticas e o reconhecimento comercial mantêm, ainda assim, a posição diferenciada desta variedade tradicional.
Setor precisa de comprovar prejuízo grave
A ANPCA pretende solicitar uma cláusula de salvaguarda erga omnes, aplicável ao alho de países terceiros em geral, e não apenas a um fornecedor. Este instrumento comercial permite adotar medidas corretivas quando o crescimento das importações causa ou ameaça causar um prejuízo grave aos produtores europeus. A ativação não é automática e exigirá provas que relacionem as entradas com danos económicos e comerciais.
Para construir o processo, a ANPCA vai consultar produtores e organizações agrícolas de vários Estados-membros. Serão recolhidos dados económicos, produtivos e de mercado para apresentação às autoridades espanholas e à Comissão Europeia. Uma participação ampla será necessária para criar uma base de dados que a associação pretende sólida, objetiva e representativa.
O procedimento colocará sob análise os volumes importados, a rentabilidade das explorações e a competitividade da colheita europeia. Para os produtores espanhóis, o desafio é especialmente relevante em regiões especializadas como Castela-Mancha. A campanha de 2026 oferece qualidade e produtividades mais normais, mas o avanço da salvaguarda dependerá da capacidade do setor para documentar danos graves ou uma ameaça credível decorrente do aumento da oferta externa.