Queda do suíno e alta da ração comprimem margens dos produtores na Polônia
Os preços de compra dos suínos caíram na Polônia na semana 35 de 2026, enquanto trigo forrageiro e milho ficaram mais caros. A POLPIG alerta que uma oferta maior de carne suína no outono pode aumentar a pressão sobre as margens.
Frigoríficos reduzem preços de compra
As condições para os suinocultores poloneses pioraram na semana 35 de 2026, quando a maioria dos frigoríficos reduziu em 0,10–0,20 zlótio por quilograma os preços de compra dos animais da classe E. Segundo a AgroNews, algumas ofertas já haviam caído para cerca de 6,60–6,90 zlótios por quilograma de peso de carcaça, aproximando as cotações polonesas da referência alemã.
Na Polônia, os preços dos suínos em peso vivo ficaram geralmente entre 5,00 e 5,80 zlótios por quilograma, enquanto os animais da classe E receberam em média cerca de 6,80–6,90 zlótios. Valores acima de 7 zlótios apareceram apenas em algumas entregas maiores. Aleksander Dargiewicz, presidente da organização setorial POLPIG, afirmou que a combinação de preços menores para os suínos e custos crescentes dos principais grãos para ração voltou a reduzir as margens das propriedades.
Os preços mostraram maior estabilidade em outros mercados europeus. A referência alemã VEZG permaneceu em 1,60 euro por quilograma de carcaça, equivalente a cerca de 6,93 zlótios no fim de agosto. Dinamarca e Países Baixos também não registraram grandes mudanças. Na França, o preço subiu 0,04 euro para 1,93 euro por quilograma, enquanto na Espanha avançou 0,03 euro para 1,77 euro. Conforme dados da DG Agri citados pela AgroNews, o preço médio dos suínos de classe E na União Europeia ficou em aproximadamente 1,61 euro por quilograma na semana 34.
Leitões mais baratos não compensam alta dos grãos
O mercado de leitões se estabilizou depois dos aumentos anteriores. Leitões importados com cerca de 30 quilogramas ficaram 5,88 zlótios mais baratos, a aproximadamente 213 zlótios por cabeça. Os leitões nacionais recuaram em média 0,72 zlótio, para cerca de 254 zlótios. Na Alemanha, a cotação básica permaneceu em 40 euros por cabeça, sem alterações significativas na Dinamarca ou nos Países Baixos.
Embora leitões mais baratos reduzam o custo inicial das unidades de terminação, a AgroNews informou que a queda foi pequena demais para compensar os preços menores do suíno terminado e a ração mais cara. O trigo forrageiro subiu em média 8,89 zlótios por tonelada durante a semana, para aproximadamente 787,04 zlótios. O milho teve a maior alta, avançando 34,56 zlótios para 913,13 zlótios por tonelada.
A colza foi a principal exceção, com queda de cerca de 53,30 zlótios, para 2.275,87 zlótios por tonelada. Esse recuo não equilibrou os aumentos dos grãos amplamente usados nas dietas de suínos. As propriedades que compram grande parte da ração ou de seus componentes no mercado são especialmente vulneráveis, pois cada alta é transferida diretamente ao custo de terminação.
Oferta de outono cria risco adicional
O mercado europeu de carne suína continua relativamente equilibrado, mas representantes do setor veem risco de maior oferta no outono. A AgroNews apontou a produção mais elevada na Espanha e o aumento do número de suínos dinamarqueses enviados para abate na Alemanha como possíveis fontes de volume adicional. Se a oferta crescer enquanto a demanda enfraquece, os preços de compra podem sofrer nova queda.
Dargiewicz afirmou que a combinação mais prejudicial seria a continuidade da queda dos preços dos suínos com custos de alimentação persistentemente altos. A pressão ocorre em meio a uma longa contração da base produtiva polonesa. Organizações setoriais citadas na reportagem estimam que o número de rebanhos suínos na Polônia caiu de quase 250.000 em 2015 para cerca de 41.000, uma redução superior a 80%. Baixa rentabilidade, despesas com investimentos e biossegurança, peste suína africana e crescente concentração da produção foram apontadas como as principais causas. A trajetória dos preços dos suínos e dos grãos para ração, além da oferta europeia no outono, determinará agora as decisões produtivas e mostrará se a queda recente será uma correção curta ou o início de uma tendência mais longa.
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