EUA ampliam cota de carne magra em 300 mil toneladas e abrem espaço para MS
Os Estados Unidos acrescentam 300 mil toneladas à cota de importação de carne bovina magra a partir de 1º de setembro, por 90 dias, em três lotes mensais de 100 mil toneladas. Mato Grosso do Sul já elevou em 42% a receita com vendas aos EUA, para US$ 243,3 milhões de janeiro a julho. A Abiec alerta que a carne deverá ser vendida 25% abaixo dos preços atuais no mercado americano.
Os frigoríficos de Mato Grosso do Sul podem ampliar os embarques para os Estados Unidos após a decisão do governo de Donald Trump de aumentar temporariamente a cota de importação de carne bovina magra, informou o Correio do Estado. A medida entra em vigor no dia 1º de setembro, terá duração de 90 dias e acrescenta 300 mil toneladas ao volume que pode entrar com a tarifa menor dentro da cota.
Uma janela de 90 dias com tarifa reduzida
O volume adicional foi dividido em três lotes de 100 mil toneladas, um por mês, e vale para os países habilitados a embarcar carne bovina ao mercado norte-americano. Não se trata de uma retirada geral das tarifas sobre a carne brasileira: o que muda é a quantidade de cortes magros admitida no regime de cota tarifária com alíquota menor.
O analista de mercado exterior Aldo Barrigosse, ouvido pelo Correio do Estado, afirma que o Estado tem frigoríficos habilitados para atender os Estados Unidos e pode aproveitar a janela comercial. "Isso beneficia diretamente essas plantas que já são exportadoras para o mercado americano", diz. Segundo ele, a medida favorece especialmente a comercialização de cortes mais magros, utilizados na produção de carne moída nos Estados Unidos.
Receita com vendas aos EUA sobe 42%
Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), levantados na Comex Stat, mostram que as exportações de produtos bovinos de MS aos Estados Unidos somaram US$ 243,3 milhões de janeiro a julho deste ano, contra US$ 171,3 milhões no mesmo período do ano passado, crescimento de 42%. Em quantidade, os embarques passaram de 34,5 mil para 41,1 mil toneladas, alta de 18,9%. Os números consideram carnes bovinas congeladas, frescas ou refrigeradas e salgadas, em salmoura, secas ou defumadas.
- A carne desossada congelada, principal item, respondeu por US$ 212,9 milhões neste ano, ante US$ 156,4 milhões no período correspondente de 2025, avanço de 36,1%.
- A carne bovina fresca ou refrigerada passou de US$ 4,6 milhões para US$ 23,2 milhões.
- A carne salgada, em salmoura, seca ou defumada recuou de US$ 10,3 milhões para US$ 7,2 milhões.
Conforme Barrigosse, mais de 50% do que o Estado vende aos Estados Unidos é carne bovina, principalmente os cortes mais magros usados na carne moída. A estrutura produtiva permite resposta rápida a uma eventual elevação da demanda: "A gente está preparado para isso, tem frigorífico habilitado, tem carga, tem boi no pasto". O Correio do Estado também procurou o Sindicato das Indústrias de Frios, Carnes e Derivados de Mato Grosso do Sul (Sicadems), que não respondeu até o fechamento da edição.
China segue como destino maior
O novo espaço no mercado norte-americano ganha importância porque o Brasil enfrenta restrições para ampliar as vendas à China, ainda o principal destino da carne bovina do Estado. As exportações de produtos bovinos de MS para a China chegaram a US$ 586 milhões nos sete primeiros meses deste ano, contra US$ 318,5 milhões em 2025, crescimento de 84%, com a quantidade passando de 60,9 mil para 91,1 mil toneladas, alta de 49,7%.
No total, as exportações de produtos bovinos de Mato Grosso do Sul alcançaram US$ 1,33 bilhão neste ano, contra US$ 932,8 milhões no mesmo período de 2025, crescimento de 42,6%, enquanto a quantidade subiu 20,4%, de 175,8 mil para 211,8 mil toneladas. A Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo) classificou a decisão como "uma grande notícia que era muito aguardada pelo setor", afirmando que ela ajudará a mitigar os efeitos do fim da cota da China para o Brasil pelos próximos três meses e gerará melhores condições de competitividade para a carne brasileira no mercado americano.
Condição de preço 25% menor limita margens
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) avalia que a iniciativa pode representar uma oportunidade para o setor brasileiro, mas alerta para a concorrência com outros fornecedores. "Além disso, a própria decisão estabelece que os produtos sejam comercializados no mercado americano a preços 25% inferiores aos praticados atualmente, o que limita ganhos imediatos de margem para a indústria", explica a entidade.
A regra norte-americana determina que o governo monitore se a carne importada dentro da nova cota está sendo comercializada 25% abaixo do preço de mercado. Caso isso não ocorra, a administração poderá interromper o restante da quantidade adicional.
Barrigosse aponta o mesmo ponto de atenção: "Existe uma expectativa de a gente vender mais carne magra como eles querem, só que uma carne que vai ser vendida teoricamente um pouco mais barato, no preço médio por tonelada". Para o analista, porém, o ganho estratégico de acessar um mercado com demanda elevada pode compensar a menor margem inicial.
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