Massa italiana chega a mais de 200 mercados e exportação alimentar supera €72 mil milhões
As exportações agroalimentares de Itália superaram €72 mil milhões em 2025, mais 5,6%, enquanto a massa chegou a mais de 200 mercados. Tarifas dos Estados Unidos, queda dos preços do azeite e custos maiores das matérias-primas importadas produziram desempenhos distintos entre categorias.
A massa sustenta um ano recorde nas exportações
A massa italiana já é vendida em mais de 200 mercados, com Alemanha, França, Reino Unido e Estados Unidos entre os destinos mais importantes. Essa presença reflete a expansão de toda a indústria alimentar italiana, que encerrou 2025 com um recorde de exportações apesar das tensões geopolíticas, das novas barreiras comerciais e da forte volatilidade dos preços das matérias-primas.
Segundo o relatório de comércio externo de produtos agroalimentares elaborado pelo Centro de Investigação de Políticas e Bioeconomia do CREA, as exportações italianas do setor superaram €72 mil milhões em 2025. O valor cresceu 5,6% em relação ao ano anterior. A Buonissimo informa que as exportações permaneceram resistentes nos primeiros cinco meses de 2026, enquanto as importações abrandaram.
Os produtos reconhecidos no exterior como tipicamente italianos geraram €52,2 mil milhões, quase três quartos das exportações agroalimentares totais. Esse segmento cresceu 3,7%. O restante correspondeu a matérias-primas e mercadorias enviadas a partir de Itália, mas menos associadas à identidade alimentar tradicional do país.
Tarifas dos EUA dividem as categorias
A Europa continuou a ser o principal destino dos alimentos italianos, mas os Estados Unidos apresentaram um resultado mais fraco. As exportações agroalimentares italianas para o mercado norte-americano caíram 4,2% em 2025, para €7,55 mil milhões. O relatório do CREA atribui parte da queda à mudança da política comercial de Washington e ao aumento das tarifas no segundo semestre.
Azeite virgem extra, vinhos DOP, bebidas espirituosas, molhos e condimentos estiveram entre as categorias mais afetadas. A massa seguiu no sentido oposto, juntamente com a água mineral, o café torrado e os produtos de padaria. O crescimento sob pressão tarifária sugere uma procura menos sensível ao aumento dos preços de importação e de retalho do que noutras categorias italianas.
A Buonissimo descreve a massa como um alimento quotidiano para os consumidores norte-americanos, e não como uma compra ocasional e dispensável. Essa posição é relevante para fabricantes e distribuidores: um produto integrado no consumo regular das famílias consegue preservar melhor os volumes quando as tarifas ou as variações cambiais elevam o preço nas lojas.
Valor e volume contam histórias diferentes
Os maiores aumentos nominais nem sempre representaram mais entregas físicas. O relatório assinala que grande parte do crescimento das exportações de chocolate e café resultou do encarecimento do cacau e do café verde importados. Esses custos passaram para os preços de exportação, pelo que o aumento do valor vendido não indica necessariamente um crescimento equivalente dos volumes.
O azeite virgem extra mostrou o padrão inverso. O valor das exportações caiu 17,2% em 2025, apesar de o volume ter aumentado 18,2%. Os preços internacionais recuaram depois das subidas dos anos anteriores, permitindo a Itália exportar muito mais azeite, mas obter uma receita menor. As conservas de tomate e algumas categorias de vinho também diminuíram.
Os doces à base de cacau, o café torrado, a fruta fresca, o queijo e os produtos de padaria registaram aumentos relevantes, segundo a Buonissimo. Para processadores e investidores, a composição do crescimento é tão importante quanto o recorde geral: algumas categorias avançaram com a procura, enquanto outras foram impulsionadas sobretudo pela inflação das matérias-primas.
Dependência das importações mantém o comércio equilibrado
As importações agroalimentares de Itália atingiram €72,45 mil milhões em 2025, um aumento de 10,1%. Como o valor importado ficou próximo das exportações, a balança comercial do setor permaneceu praticamente equilibrada. Os preços mais altos do café e do cacau contribuíram para a subida, mas os números também expõem a dependência da indústria em relação a insumos agrícolas estrangeiros.
Os processadores italianos dependem de fornecimentos como azeite espanhol, trigo duro, café verde e cacau para fabricar produtos comercializados mundialmente sob marcas italianas. O recorde exportador assenta, portanto, não apenas na agricultura nacional, mas também na capacidade da indústria de comprar, transformar e acrescentar valor a matérias-primas importadas.
Para produtores e comerciantes, é essencial distinguir entre o crescimento das exportações gerado por maiores volumes e aquele criado pela inflação dos custos. A presença da massa em mais de 200 mercados oferece uma procura geograficamente ampla. A queda nos Estados Unidos e a inversão dos preços do azeite mostram, porém, como tarifas e ciclos de matérias-primas podem alterar rapidamente as receitas, mesmo quando a procura ou os embarques permanecem firmes.