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Leite em pó desnatado dos EUA sobe mais de 100% com demanda por proteína

O leite em pó desnatado dos Estados Unidos subiu mais de 100% desde o início de 2026, com processadores direcionando leite para produtos proteicos de maior margem. A mudança restringe a oferta de pó e amplia a necessidade de proteção contra oscilações de preços.

Leite em pó desnatado dos EUA sobe mais de 100% com demanda por proteína

Leite migra para produtos de maior margem

Os preços do leite em pó desnatado nos Estados Unidos aumentaram mais de 100% desde o início de 2026, segundo o dairynews.today, que cita o CME Group. A alta reflete uma mudança na destinação do leite cru pelos processadores americanos, e não apenas um aumento da demanda pelo próprio pó.

John Ricci, chefe global de produtos agrícolas do CME Group, afirmou que os processadores estão direcionando o leite líquido para produtos com margens maiores. Ao mesmo tempo que cresceu o interesse por proteína, avançou a demanda por iogurte, queijo cottage, outros queijos e soro de leite. Ricci discutiu as mudanças em entrevista ao Valor em 5 de outubro, durante uma visita ao Brasil.

Ricci associou parte dessa mudança à crescente popularidade das injeções para perda de peso. Consumidores que usam esses medicamentos demonstram maior interesse por alimentos ricos em proteína, sustentando a procura por ingredientes lácteos e produtos finais com apelo proteico. O leite destinado a essas categorias deixa de estar disponível para a fabricação de leite em pó desnatado, reduzindo o volume que pode chegar a esse mercado.

Destinação da matéria-prima muda o cálculo comercial

A alta de preços afeta mais do que os processadores americanos. O leite em pó desnatado pode ser armazenado e é negociado internacionalmente, portanto a menor disponibilidade nos Estados Unidos pode influenciar as decisões dos importadores e a competitividade de fornecedores de outras regiões. A fonte não apresenta dados de produção, estoques ou exportações, o que impede medir quanto da alta decorre de escassez física. Ainda assim, o redirecionamento do leite estabelece uma clara restrição de oferta.

Para os processadores, o cálculo central é o retorno obtido por unidade de leite. Iogurte, queijo e soro podem gerar valor por meio de marcas de consumo ou aplicações proteicas especializadas, enquanto o pó básico fica mais exposto aos preços no atacado. Se a diferença de margem persistir, fabricantes de leite em pó talvez precisem pagar mais para disputar matéria-prima. Os compradores enfrentarão maior volatilidade e poderão rever o momento dos contratos, as formulações ou as origens alternativas.

CME amplia a gestão de risco no setor lácteo

O forte movimento de preços ocorre enquanto cresce a participação nos mercados lácteos americanos do CME. Segundo o dairynews.today, a divisão de lácteos do CME registrou no ano passado recordes anuais de contratos em aberto e volume negociado, e Ricci disse esperar resultados semelhantes neste ano. Tarifas, tensões geopolíticas e a reorganização do comércio mundial estão elevando a demanda por instrumentos de proteção nos mercados agrícolas.

O CME também está ampliando sua atuação no mercado lácteo europeu. Em setembro, firmou parceria com a European Energy Exchange pela qual assumirá os indicadores europeus de lácteos da EEX. A transição deverá ser concluída até o fim de 2027. O acordo pode conectar mais estreitamente a gestão de risco entre grandes regiões produtoras enquanto os processadores alteram seu mix e os preços respondem a novos padrões de demanda por proteína.

Análise completa do mercado

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