Exportações de frutas e hortaliças do Vietnã superam US$ 1 bilhão pela primeira vez
O Vietnã exportou um recorde de US$ 1,12 bilhão em frutas e hortaliças em julho de 2026, superando pela primeira vez US$ 1 bilhão em um mês. As vendas para a UE chegaram a cerca de US$ 214,4 milhões no primeiro semestre, sustentadas pelos produtos processados.
Julho estabelece recorde mensal
As exportações vietnamitas de frutas e hortaliças alcançaram US$ 1,12 bilhão em julho de 2026. Segundo o Ministério da Agricultura e do Meio Ambiente, esse foi o maior valor mensal já registrado e a primeira vez que o setor superou US$ 1 bilhão em um único mês. Nos primeiros sete meses, a categoria também contribuiu para o crescimento de 28,1% do comércio total de mercadorias do Vietnã.
O recorde reflete a expansão de todo o setor hortifrutícola vietnamita, mas a União Europeia se destaca pela composição dos produtos e pelo valor das compras. A Associação de Frutas e Hortaliças do Vietnã informou que as exportações para a UE somaram cerca de US$ 214,4 milhões no primeiro semestre de 2026, alta de 31,8% em relação ao mesmo período do ano anterior. Somente em junho, os embarques para o bloco cresceram 37,9% na comparação anual.
Processados ampliam presença na UE
Os produtos processados representam cerca de 30,85% do valor total das exportações vietnamitas de frutas e hortaliças. Na UE, porém, a participação chega a quase dois terços. VietBao e Government News relataram que itens congelados, desidratados, triturados, em purê ou em suco ajudam os fornecedores a vencer longas distâncias, cumprir padrões exigentes e aproveitar matérias-primas cuja aparência não atende às especificações do mercado de produtos frescos.
O processamento também reduz as elevadas perdas pós-colheita do Vietnã. Đặng Phúc Nguyên, secretário-geral da Associação de Frutas e Hortaliças do Vietnã, estima a taxa nacional em 30-40%, cerca de duas a três vezes os 10-15% da Tailândia. O frete aéreo de produtos frescos para mercados distantes, como a UE, é caro, enquanto o transporte marítimo exige tecnologia rigorosa de conservação. Processar aumenta a vida útil, diminui as perdas e amplia a base de matéria-prima aproveitável.
Os dados de exportação mostram avanços especialmente fortes em diversas categorias processadas. O maracujá processado gerou US$ 123,19 milhões, alta de 37,5%. As exportações de batata processada cresceram 100,7%, enquanto as de pitaia processada avançaram 50,1%. Na Alemanha, um dos maiores mercados da UE, as importações de frutas e hortaliças processadas do Vietnã aumentaram 126%, para € 28,24 milhões, nos primeiros cinco meses de 2026.
Padrões e capacidade ainda limitam o crescimento
Manter o crescimento exigirá mais do que uma demanda favorável. Nguyễn Thanh Bình, presidente da Associação de Frutas e Hortaliças do Vietnã, apontou como obstáculos persistentes os padrões técnicos, os códigos de áreas de cultivo e instalações de embalagem e a capacidade limitada de investimento em processamento avançado. Os produtores também precisam enfrentar o acúmulo de metais pesados em algumas áreas agrícolas, à medida que os mercados importadores endurecem os requisitos de sustentabilidade e rastreabilidade.
A associação pediu a simplificação dos procedimentos para conceder códigos às áreas de cultivo e instalações de embalagem. Também defende acelerar as negociações com a Administração-Geral das Alfândegas da China para ampliar a lista de produtos autorizados e reduzir o tempo de desembaraço. Embora a UE seja o exemplo mais claro do valor gerado pelo processamento, as condições de acesso à China continuam relevantes para o desempenho exportador geral do setor.
O governo começa a tratar de alguns entraves administrativos. O primeiro-ministro determinou que o Ministério da Agricultura e do Meio Ambiente solucione dificuldades processuais e fundiárias enfrentadas por empresas e agricultores. A Resolução 36/2026/NQ-CP introduz um mecanismo de autodeclaração e fiscalização posterior para os códigos das áreas de cultivo, que deve reduzir os prazos. Para exportadores e processadores, a próxima etapa dependerá de aprovações mais rápidas acompanhadas por investimentos em conservação, capacidade de processamento e controle de qualidade nas propriedades rurais.