Vendas de lácteos do Equador sobem 8% com kefir, iogurte grego e queijos maturados
As vendas formais da indústria de lácteos do Equador cresceram 8% entre janeiro e abril de 2026 ante o mesmo período de 2025, com a produção em alta de 5% e o comércio atacadista e varejista de lácteos em alta de 31%. O avanço se concentra em kefir, iogurte grego e queijos semimaturados e maturados, enquanto o consumo de leite líquido recua. Peru, Estados Unidos e China estão no radar da exportação, mas a matéria-prima aperta após queda de 3% na produção de leite em 2025.
A indústria de lácteos do Equador cresceu em vendas, produção e distribuição nos primeiros quatro meses de 2026, com o avanço concentrado nas categorias de maior valor agregado, informou o El Universo. Kefir, iogurte grego e queijos semimaturados e maturados lideram uma mudança de portfólio com que as empresas respondem a novos hábitos de consumo.
Vendas +8%, distribuição +31%
As vendas formais do setor industrial de lácteos cresceram 8% entre janeiro e abril de 2026 em relação ao mesmo período de 2025, segundo dados do Banco Central del Ecuador citados pelo Observatorio Lácteo del Ecuador. A produção aumentou 5% nos mesmos meses. O comércio atacadista e varejista de lácteos subiu 31%, e as atividades conexas — supermercados, lojas e restaurantes — avançaram 14%.
Andrés Rodríguez Estrada, diretor do Observatorio Lácteo del Ecuador, associa o desempenho às mudanças nas preferências do consumidor e à diversificação da oferta. O gasto mensal por domicílio com leite e derivados chega a US$ 12,15 e é o quarto item do orçamento alimentar, depois de proteína animal, cereais e farinhas, e tubérculos e vegetais. Rodríguez observa que os dados mostram recuperação em relação a 2025.
Onde está o crescimento
“Antes não havia nenhum kefir; agora o kefir é um dos produtos muito interessantes do mercado”, afirma Rodríguez. Nos iogurtes surgiram sabores como pitaia e pêssego, além de diferentes embalagens e snacks de queijo voltados ao público infantil. Nos queijos, o consumo geral cai enquanto os semimaturados e maturados crescem. Nos iogurtes, avançam o grego e o kefir.
Verónica Chávez, diretora executiva do Centro de la Industria Láctea (CIL), que reúne quinze empresas da cadeia, diz que a evolução acompanha uma tendência internacional: o consumo de leite líquido cai, mas o de produtos com maior valor agregado não. No plano internacional, a produção de lácteos cresce cerca de 2%, segundo Chávez. Empresas antes concentradas em leite tradicional ampliaram o portfólio para iogurtes e outras categorias, enquanto as já posicionadas buscam nichos mais segmentados. Um estudo do CIL apontou que os lácteos mantêm boa percepção, mas identificou uma lacuna na comunicação dos produtos: o leite líquido segue associado sobretudo ao café da manhã e a uma percepção nostálgica. Ao mesmo tempo, a marca própria ganha espaço na gôndola em itens básicos como leite líquido, leite em pó, queijos frescos e iogurtes naturais.
Planos de exportação: Peru, Estados Unidos e China
A exportação ainda representa parte pequena da atividade do setor. O Equador envia iogurtes, bebidas de aveia e leites saborizados, além de leite UHT em sachê para o Peru, mercado que Chávez identifica como oportunidade pela proximidade e pelas características do consumo. Nos Estados Unidos há um nicho ligado às marcas equatorianas entre a população migrante, mas, superado esse segmento, os produtos competem com a oferta de outros países. Equador e China assinaram em abril de 2025 o protocolo de inspeção, quarentena e requisitos sanitários para a exportação de lácteos; a Agrocalidad informa que as empresas interessadas devem se registrar e cumprir os requisitos estabelecidos para iniciar a habilitação junto à autoridade chinesa. O CIL vê oportunidades ali para produtos com validade de quatro a seis meses. Outra opção é o leite A2A2, diferenciado pela variante de betacaseína, mas no Equador há apenas dois fornecedores com essa qualificação, de modo que ampliar o volume disponível exigiria trabalho no setor primário.
O gargalo é o leite cru
Dos pouco mais de cinco milhões de litros de leite produzidos por dia, 48% atendem à norma, segundo Chávez, e o leite usado como matéria-prima para exportação precisa vir de fazendas com boas práticas agropecuárias. A produção primária está pressionada: Rodríguez aponta redução no número de cabeças destinadas ao leite e queda de 3% na produção leiteira em 2025, ainda que com melhora de produtividade. Soma-se a disputa pelo uso do rebanho entre leite e carne, com o preço da carne mais atrativo para parte dos produtores, e o impacto potencial de fenômenos climáticos como o El Niño sobre as zonas de pecuária. Para 2026, a perspectiva no mercado interno segue atrelada ao comportamento das vendas formais. A estratégia do setor passa por ampliar momentos e formas de consumo, desenvolver produtos para segmentos específicos e consolidar as categorias que já crescem, antes de levar algumas delas a mercados internacionais.