Croácia importa 60% do leite que consome; produção sobe 6% com menos fazendas
As propriedades croatas cobrem apenas cerca de 40% do consumo nacional de leite e laticínios, e os 60% restantes vêm de importações, informa o totalinfo.hr. A produção total subiu 6% com a modernização das fazendas remanescentes e o aumento da produtividade por animal, embora o número de fornecedores continue a cair. Com a produção de leite cru na UE acima de 160 milhões de toneladas por ano, a pressão das importações sobre o pequeno setor interno se mantém.
A Croácia ainda importa cerca de 60% do leite e dos laticínios que consome e cobre apenas cerca de 40% da demanda interna com produção própria, segundo o veículo croata totalinfo.hr. A lacuna deixa o mercado muito sensível a choques externos e à pressão das importações e define os termos do debate sobre como reconstruir a cadeia láctea do país.
Menos fornecedores, mais leite por vaca
O quadro estrutural do setor lácteo croata é difícil há anos. O número de pequenas propriedades familiares, chamadas localmente de OPG, caiu de forma acentuada e os volumes entregues às indústrias recuaram ano após ano. A contração não terminou: segundo o totalinfo.hr, o número de fornecedores de leite continua a diminuir à medida que as fazendas menores abandonam a atividade.
O que mudou foi a posição das propriedades que permaneceram. Elas estão modernizando suas instalações e elevando a produtividade por animal, e é essa profissionalização que explica o atual avanço de 6% na produção total. O crescimento reflete, portanto, concentração e não expansão: um número menor de unidades maiores e mais bem equipadas entrega hoje mais leite do que antes entregava uma base muito mais ampla de pequenos produtores. Para a cadeia de suprimento, a direção do processo importa tanto quanto o número.
No curto prazo, a conta não muda para as indústrias. Uma base nacional de leite cru que cobre cerca de 40% das necessidades significa que os 60% restantes precisam ser comprados no exterior, sobretudo como produtos lácteos acabados e semiacabados. A disponibilidade e os preços no mercado croata acompanham, assim, as condições dos grandes países produtores da União Europeia, e não a situação das fazendas croatas.
A referência europeia
A referência que organiza o debate croata é a União Europeia como um todo. A UE é a segunda maior produtora mundial de leite cru, atrás da Índia, e, com ampla margem, a maior exportadora de laticínios de alto valor agregado, como queijos e manteiga, observa o totalinfo.hr. A produção anual de leite cru da UE supera 160 milhões de toneladas, e o setor se caracteriza por alta estabilidade e nível tecnológico avançado.
A liderança nesse mercado pertence aos Estados membros que combinam condições geográficas favoráveis, alta qualidade genética do rebanho e uma indústria de processamento forte. São exatamente as três áreas em que a Croácia é mais frágil. Como o mercado único não tem barreiras tarifárias entre os países membros, essa distância se traduz diretamente em concorrência permanente de importados para um setor interno pequeno e fragmentado.
Por que a recuperação é medida em anos
Qualquer correção será lenta. A produção de leite é um processo biológico cujos resultados não aparecem de um dia para o outro: formar um novo rebanho e levá-lo ao pleno potencial leiteiro leva anos. É com base nisso que os especialistas citados pelo totalinfo.hr apresentam prazos para a recuperação do setor. A restrição limita a velocidade com que investimento ou apoio público podem alterar a fatia de 60% das importações.
O veículo aponta várias áreas em que seria necessária uma virada sistemática para reduzir essa dependência:
- continuidade dos investimentos em automação nas fazendas;
- consolidação fundiária para criar unidades de produção maiores e mais eficientes;
- proteção dos produtores nacionais diante das importações agressivas do comércio.
O avanço de 6% na produção é lido como sinal de que o fundo da crise do setor lácteo croata provavelmente já foi atingido. A distância até a independência alimentar estratégica continua grande. Sem investimento contínuo em automação, sem consolidação fundiária e sem proteção dos produtores nacionais contra importações comerciais agressivas, conclui o totalinfo.hr, a recuperação moderada será uma exceção passageira e não uma tendência duradoura.
Análise completa do mercado