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Crescimento mundial do leite desacelera para cerca de 1 % em 2026 e aperta margens

As perspetivas do segundo trimestre do Rabobank, analisadas pela AHDB, preveem que o crescimento da oferta mundial de leite recue para cerca de 1 % em 2026, ante 3,1 % em 2025. A queda dos preços ao produtor e o aumento dos custos de energia, fertilizantes e juros apertam as margens nas principais regiões exportadoras.

Crescimento mundial do leite desacelera para cerca de 1 % em 2026 e aperta margens

O crescimento da produção mundial de leite vai desacelerar fortemente em 2026, à medida que a queda dos preços ao produtor e o aumento dos custos de energia e fertilizantes apertam as margens das explorações leiteiras, segundo as perspetivas do segundo trimestre do Rabobank analisadas pela AHDB. A análise situa o crescimento da oferta de leite em torno de 1 % em 2026, bem abaixo dos 3,1 % registados em 2025.

Da expansão ao reequilíbrio

A desaceleração marca a passagem de uma fase de forte crescimento de volumes para outra em que a rentabilidade e os custos voltam a determinar as decisões de investimento. A RaboResearch situa o máximo do crescimento conjunto em 5,2 % em termos homólogos no quarto trimestre de 2025, com a expansão a moderar-se ao longo de 2026. A previsão aponta para um pico de crescimento no segundo trimestre de 2026, uma estabilização no terceiro e uma contração no quarto. A RaboResearch estima que a oferta avance 1,5 % em termos homólogos no segundo trimestre, se mantenha estável no terceiro e caia 1,6 % no quarto.

A análise considera sete grandes regiões produtoras: a União Europeia, os Estados Unidos, a Nova Zelândia, a Austrália, o Brasil, a Argentina e o Uruguai. Apesar da desaceleração, a oferta continua abundante e a procura permanece condicionada pela inflação, pela geopolítica e pelo risco de El Niño. A energia, os fertilizantes e as taxas de juro estão entre os fatores que mais pressionam a rentabilidade.

Divergência entre proteínas e gorduras

O mercado mundial de lácteos divide-se por produto. O leite em pó desnatado e o soro beneficiam do crescente interesse por produtos ricos em proteína e sustentam determinados segmentos industriais e alimentares, mesmo num contexto de procura globalmente frágil. A manteiga e o queijo enfrentam a pressão inversa: o forte volume de leite gerado durante a expansão elevou as quantidades destinadas a transformação e aumentou a sua disponibilidade. A AHDB assinala que não existe uma tendência única para todas as matérias-primas lácteas em 2026.

Panorama regional

  • UE-27 e Reino Unido: a produção mantém-se elevada no segundo trimestre, com um crescimento próximo de 0,2 %, mas poderá recuar cerca de 1 % na segunda metade de 2026. Os preços do leite caíram cerca de 17 % desde setembro, enquanto os custos de energia e fertilizantes aumentaram.
  • Estados Unidos: uma das expansões mais fortes, com uma produção prevista em alta de cerca de 2 % em 2026, apoiada num efetivo recorde de 9,7 milhões de cabeças e numa melhoria dos rendimentos. A produção de queijo e manteiga situa-se perto de máximos e os preços são esperados próximos das médias de longo prazo.
  • Nova Zelândia: o crescimento abranda para cerca de 1 % em 2026/27, após uma temporada com um aumento próximo de 3,5 % em termos homólogos. Os preços ao produtor mantêm-se altos, em torno de 9,7-9,75 dólares neozelandeses por quilograma de sólidos lácteos, com exportações firmes de leite em pó integral; o principal risco é o aumento dos custos energéticos.
  • Austrália: prevê-se uma nova queda de 0,3 % em 2026/27, com a produção até abril já 0,3 % abaixo do ano anterior. O aumento dos custos e a estagnação dos preços mantêm muitos produtores perto do ponto de equilíbrio.
  • Brasil: passagem de um crescimento de 8 % em 2025 para uma produção praticamente estável em 2026, com quedas previstas na segunda metade do ano. As importações deverão manter-se elevadas, enquanto a procura interna continua fraca.
  • Argentina: um crescimento da produção de cerca de 1-2 % em 2026 antes de uma possível queda no final do exercício, com as margens ainda sob pressão.

A procura melhorou ligeiramente com os preços mais baixos, mas ainda é insuficiente para absorver totalmente o excedente. As exportações dão algum apoio, embora a instabilidade geopolítica mantenha os riscos elevados.

Análise completa do mercado

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