Carne suína e de frango importada barata sufoca produtores vietnamitas e preços da pitaia despencam
O Vietnã importou 595.700 toneladas de carnes e produtos cárneos por US$ 1,7 bilhão nos primeiros sete meses do ano, com alta de 27,1% no volume de carne suína e queda de 38,4% nos preços médios de importação, informou o Tien Phong com base em dados aduaneiros. Os avicultores perdem de 6.000 a 8.000 dongues por quilograma e a pitaia é vendida em Ho Chi Minh a partir de 5.000 dongues por quilograma.
Carne suína e de frango importada a preços baixos se espalha pelos mercados atacadistas, supermercados e feiras de Ho Chi Minh, ao mesmo tempo em que caem os preços das frutas nacionais, deixando criadores e fruticultores do sul do Vietnã diante de prejuízos, instalações vazias e abandono da atividade, segundo o Tien Phong.
Dados preliminares do Departamento de Alfândega mostram que o Vietnã importou 595.700 toneladas de carnes e produtos cárneos nos primeiros sete meses deste ano, no valor de US$ 1,7 bilhão, alta de 11,4% em volume ante igual período do ano passado.
Mais volume de suína, menos valor
As importações de carne suína chegaram a 112.090 toneladas, alta de 27,1% na comparação anual, enquanto o valor recuou 20,9%. O preço médio de importação ficou em cerca de 43.000 dongues por quilograma, queda de 38,4% ante o mesmo período de 2025. As importações de carne e miúdos de aves somaram quase 217.400 toneladas, com o frango respondendo por mais de 90% do total. Em média, mais de 31.000 toneladas de carne de aves entraram no país por mês.
A diferença de preços aparece no varejo. Uma consumidora do bairro de An Lac, em Ho Chi Minh, comprou joelho de porco em um supermercado próximo por cerca de 56.000 dongues por quilograma e costelinha por 125.000 dongues por quilograma, com alguns cortes de costela a apenas cerca de 45.000 dongues por quilograma. A carne suína congelada importada aparece cada vez mais em supermercados e feiras de bairro, e muitos comerciantes vendem lado a lado a carne fresca nacional e a congelada importada. A carne importada costuma vir cortada a máquina e sai de 50.000 a 80.000 dongues por quilograma mais barata que a nacional, conforme o corte, disse a consumidora ao Tien Phong.
A conta da granja não fecha
Nguyen Kim Doan, vice-presidente da Associação de Pecuária da província de Dong Nai, descreveu a situação da produção animal no país como muito ruim. A carne suína importada custa cerca de 40.000 a 43.000 dongues por quilograma, abaixo do preço interno do suíno vivo, afirmou. O frango na porteira alcança apenas cerca de 32.000 dongues por quilograma, enquanto o custo de produção se aproxima de 40.000 dongues por quilograma, o que deixa os criadores com prejuízo de cerca de 6.000 a 8.000 dongues por quilograma.
Os custos de ração seguem na direção oposta. Os preços da ração subiram neste mês pela quinta vez, cada aumento de cerca de 200 a 400 dongues por quilograma. Em escala grande de produção, esses acréscimos aparentemente pequenos somam custos expressivos e dificultam a resistência dos produtores, disse Doan.
A carne importada barata não fica restrita a feiras e supermercados. Ela também entra em refeitórios industriais, escolas e cozinhas de empresas, onde compradores pressionados por custos preferem o fornecimento mais barato desde que atenda às exigências de qualidade e segurança alimentar. Compromissos comerciais zeraram tarifas de muitos produtos importados, obrigando a pecuária vietnamita a competir diretamente com países que têm grandes vantagens de escala e custo.
Doan espera pressão ainda maior à medida que a China escoa um excedente de carne suína e empresas chinesas seguem investindo em granjas grandes e de alta tecnologia no Vietnã. Os grandes operadores têm vantagens em tecnologia, controle sanitário, gestão e custos, enquanto os pequenos criadores mal conseguem competir. Parte dos produtores tem recorrido a raças nativas, como o javali, para o mercado de especialidades, mas Doan classificou isso como solução de nicho, incapaz de resolver o problema de milhões de criadores.
Fruticultores sob a mesma pressão
As frutas importadas também pressionam a produção nacional. Maçãs dos Estados Unidos e da Austrália são vendidas de 35.000 a 49.000 dongues, a romã vermelha tailandesa a 35.000 dongues e a pera coreana a cerca de 50.000 dongues por quilograma, todas com forte procura. As frutas nacionais a cerca de 10.000 dongues têm giro lento: a laranja king sai de 7.000 a 10.000 dongues por quilograma, a melancia a 10.000 dongues e o abacate a 15.000 dongues.
A pitaia é o caso mais agudo. Os preços de varejo em Ho Chi Minh começam em 5.000 dongues por quilograma e, em alguns momentos, comerciantes venderam 3 quilogramas por 10.000 dongues. Nas regiões produtoras de Long An e Tien Giang, o preço de compra a granel chegou a cair para apenas 1.000 a 2.000 dongues por quilograma. A oferta aumentou com força porque grandes áreas foram colhidas ao mesmo tempo, enquanto o escoamento ainda depende muito da exportação, sobretudo para a China. Os produtores estimam o custo de produção em cerca de 4.000 dongues por quilograma na safra principal e cerca de 10.000 dongues na entressafra, o que expõe muitos pomares a prejuízo.
Nguyen Van Muoi, secretário-geral adjunto da Vinafruit e presidente do Clube de Empresas Agrícolas Tropicais, afirmou que as importações de frutas e hortaliças pelo Vietnã crescem rápido, com cerca de US$ 2,2 bilhões nos primeiros sete a oito meses do ano, alta de 26% a 27% na comparação anual. O mercado está se segmentando com clareza por qualidade, preço e perfil de cliente, e os consumidores têm mais opções, do produto nacional ao importado e do segmento popular ao premium. Isso exige mudança dos produtores: não apenas produzir mais, mas produzir melhor.