Austrália confirma primeiro caso de H5 em mamífero e mantém setor leiteiro em alerta
A Austrália confirmou sua primeira infecção por gripe aviária H5 em um mamífero após encontrar uma foca-de-nariz-longo morta na Austrália Meridional. Não há detecções em vacas leiteiras, aves domésticas ou no sistema de produção agropecuária, e o risco oficial para os rebanhos leiteiros continua baixo.
Primeiro caso em mamífero confirmado na Austrália Meridional
A Austrália registrou sua primeira infecção confirmada por gripe aviária H5 em um mamífero após testar uma foca-de-nariz-longo encontrada morta em Beachport, 300 quilômetros ao sul de Adelaide. A ABC News informou que o animal não apresentava ferimentos visíveis e foi comunicado à linha de emergência de doenças animais em 19 de agosto. Os primeiros testes estaduais foram inconclusivos, antes da confirmação da infecção.
A ministra federal da Agricultura, Julie Collins, classificou o caso como preocupante, mas não inesperado em uma área com alta incidência entre aves silvestres. As autoridades consideram provável que o animal tenha sido exposto a aves infectadas ou ao ambiente compartilhado. No momento do anúncio, o caso não estava associado a outros mamíferos marinhos doentes ou mortos.
Segundo a ABC News, a Austrália registrou 298 eventos positivos de H5, dos quais 194 ocorreram na Austrália Meridional. O estado também contabilizou três episódios de mortalidade em massa em ilhas remotas, envolvendo mais de 1.000 trinta-réis-de-bando. Uma suspeita anterior de infecção em um pinguim-pequeno na Ilha Kangaroo também foi confirmada.
Nenhuma infecção na produção agropecuária
Apesar do caso em mamífero, as autoridades australianas afirmam que não há evidências de H5 em aves domésticas, vacas leiteiras ou no sistema de produção agropecuária. O Departamento de Agricultura, Pesca e Florestas lista detecções na fauna da Austrália Ocidental, Austrália Meridional, Nova Gales do Sul, Queensland, Victoria e Tasmânia.
Uma avaliação independente encomendada pelo governo australiano e pela Dairy Australia classificou como baixo o risco para o setor leiteiro. Concluído em setembro de 2025, o estudo avaliou como insignificante o risco para gado de corte, ovelhas e cabras, e como baixo para suínos. A Biblioteca Parlamentar ressaltou, porém, que um surto em propriedades leiteiras teria consequências graves e provavelmente de importância nacional.
A Dairy Australia afirmou que os Estados Unidos continuavam sendo o único país onde o H5 havia se disseminado entre vacas leiteiras. Em sua atualização de 7 de julho, a entidade informou que o genótipo H5 do clado 2.3.4.4b associado aos surtos leiteiros americanos não havia sido detectado na Austrália. As evidências disponíveis não justificavam alterar a avaliação de baixo risco.
Biossegurança torna-se a prioridade imediata
O primeiro caso em mamífero não comprova que vacas leiteiras australianas estejam infectadas nem que haja transmissão entre mamíferos. Ele demonstra, contudo, que o vírus passou de seus principais hospedeiros entre aves silvestres para outra classe de animal no continente. Como o H5 não pode ser erradicado da fauna, as autoridades consideram a vigilância e a detecção precoce essenciais para proteger a produção.
A Dairy Australia criou uma equipe de monitoramento do H5 com a Australian Dairy Farmers e a Australian Dairy Products Federation. Os produtores foram orientados a revisar os planos de biossegurança, aplicar de forma constante as medidas existentes e observar sinais incomuns de doença nos rebanhos e na fauna próxima.
Os sintomas relatados no exterior em vacas leiteiras infectadas incluem:
- queda na produção de leite;
- perda de apetite;
- letargia ou menor atividade;
- leite espesso ou anormal;
- febre e outros sinais de doença.
Um surto bovino poderia reduzir a produção das fazendas e exigir mais testes, quarentenas e restrições ao transporte de animais. Até agora, não há interrupções relatadas na produção ou no abastecimento de leite australiano. O risco de mercado permanece potencial, enquanto o impacto confirmado está concentrado na fauna e cresce a carga de biossegurança para autoridades e pecuaristas.
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