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Argentina ganha janela de 60 dias para carne bovina na China após Brasil e Austrália esgotarem cotas

Brasil e Austrália saíram temporariamente do circuito de embarques de carne bovina para a China ao esgotarem suas cotas tarifárias preferenciais, deixando Argentina e Uruguai como principais origens disponíveis. Os embarques brasileiros caíram 80% em agosto, para 16.100 toneladas, e as cotações FOB do conjunto Garrón y Brazuelo subiram para US$ 7.700 por tonelada. A Rosgan estima a janela em cerca de 60 dias.

Argentina ganha janela de 60 dias para carne bovina na China após Brasil e Austrália esgotarem cotas

Os exportadores argentinos de carne bovina operam em uma brecha de mercado incomum. Brasil e Austrália, os dois maiores fornecedores da oferta global, ficaram momentaneamente fora do circuito de embarques para a China depois de esgotarem suas cotas tarifárias pré-fixadas, segundo o tn.com.ar. A Argentina divide essa posição comercial privilegiada apenas com o Uruguai.

A janela é curta. A analista María Julia Aiassa, em relatório para a Bolsa de Comércio de Rosário (BCR) e o mercado pecuário Rosgan, estima o prazo em cerca de 60 dias, e os analistas da Rosgan insistem que o cenário de baixa concorrência não deve durar mais de dois meses. A recomendação aos exportadores locais é aproveitá-lo imediatamente.

Embarques brasileiros para a China despencam 80% em agosto

Até julho, os registros da Administração Geral de Alfândegas da China apontavam o Brasil como fornecedor incontestável do mercado, com 58% das compras totais e mais de 1 milhão de toneladas embarcadas. Vinham em seguida a Argentina com 15%, a Austrália com 12% e o Uruguai com 5%.

O mapa mudou drasticamente nas últimas semanas de agosto. A cota anual australiana foi formalmente esgotada em julho, paralisando novas entradas sem tarifa. O freio brasileiro foi ainda mais forte: após uma retração de 50% nos embarques de julho, quando despachou cerca de 82.700 toneladas, as vendas para portos chineses desabaram 80% em agosto, para apenas 16.100 toneladas.

A saída desse volume coincidiu com a terceira queda consecutiva nas reservas de carne mantidas nas câmaras frigoríficas da China, dado levantado pela consultoria especializada OIG+ que confirma a liquidação gradual dos estoques acumulados pelos importadores asiáticos no primeiro semestre.

A vaca se descola do restante do mercado pecuário argentino

O efeito já aparece nos preços do gado em pé na Argentina, com categorias andando em direções opostas. Nos últimos dois meses e meio, a vaca negociada nos leilões comerciais acumulou altas de 15% a 20%, tanto nas gordas quanto nas categorias de conserva e inferiores, enquanto consumo interno e engorda ficaram estagnados.

  • Vaca gorda: cerca de 3.000 pesos por quilo em pé no início de julho, hoje entre 3.300 e 3.400 pesos para os animais de melhor terminação.
  • Vaca de conserva: perto de 2.000 pesos no início de julho, com piso que subiu para 2.400 pesos por quilo.
  • Novilho leve: parado em torno de 4.500 pesos por quilo.
  • Gado leve de consumo: perdas médias de 100 pesos por quilo.

A firmeza da vaca não responde apenas ao fator sazonal. Segundo dados do Serviço Nacional de Sanidade e Qualidade Agroalimentar (SENASA), o envio de vacas às plantas frigoríficas entre janeiro e agosto somou 1,6 milhão de cabeças, queda de 13% frente a 1,84 milhão abatidas no mesmo período de 2025. Nas duas primeiras semanas de setembro a contração se acentuou, com recuo interanual corrigido de 15% e apenas 82.240 animais remetidos.

Cotações FOB sobem 42,5% em um ano

A falta da concorrência dos volumes brasileiros elevou os valores de referência da carne congelada desossada. Dados informados pela Associação de Produtores Exportadores da Argentina (APEA) mostram que as cotações FOB do conjunto Garrón y Brazuelo, um dos cortes tradicionais mais demandados pelo mercado chinês, subiram para US$ 7.700 por tonelada.

Há apenas quinze dias a mesma mercadoria era cotada a US$ 7.500, e um mês antes a US$ 7.200 por tonelada. Na comparação com os US$ 5.400 por tonelada pagos pela China um ano atrás, em contexto de ampla oferta competitiva, o salto interanual chega a 42,5%.

A vantagem se dilui em novembro

Os exportadores brasileiros já estudam estratégias logísticas para retomar os despachos: antecipam operações e contratam rotas marítimas mais longas que alteram os tempos de trânsito, para que a mercadoria chegue no momento da reabertura das cotas tarifárias do novo ano fiscal. A Austrália voltará à disputa com volumes consideráveis de cortes de alta qualidade.

Para a indústria frigorífica argentina, o teste é de velocidade. A margem de 60 dias precisa ser usada não só para consolidar volume de embarque para a China, mas também para ganhar espaço em nichos de maior valor agregado dentro da cadeia de distribuição asiática, antes que os concorrentes globais reequilibrem o mercado.

Análise completa do mercado

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