Uruguai apoia o mercado leiteiro na exportação de novilhas vivas para a Turquia
Os embarques contínuos de novilhas Holandesas e Jersey vivas para a Turquia absorvem o excedente de fêmeas leiteiras do Uruguai e sustentam os preços internos, segundo a Fedeleche. As novilhas prenhes são negociadas entre US$ 1.600 e US$ 1.800 por cabeça, com animais registrados chegando a US$ 2.000 ou mais. Há um embarque previsto para dezembro e negócios em análise para 2027.
A exportação de gado leiteiro vivo do Uruguai para a Turquia continua sendo um suporte central para a pecuária leiteira do país, em um momento em que a oferta interna de animais é menor e os preços se mantêm firmes, segundo informou a Fedeleche. O negócio absorve parte do excedente de novilhas Holandesas e Jersey gerado pelas fazendas leiteiras uruguaias e retira esses animais dos leilões locais justamente quando a disponibilidade já está reduzida.
A corrente exportadora equilibra o mercado interno
Federico Di Santi, diretor da casa de negócios DSR, destacou que a continuidade das compras externas permite absorver parte do excedente de novilhas Holandesas e Jersey e contribui para sustentar o mercado interno. A raça Holandesa, conhecida localmente como Holando, é a predominante nos rebanhos leiteiros uruguaios.
«O bom para o setor é que o negócio seja contínuo», afirmou Di Santi em entrevista à La Lechera na Expo Prado. A safra de primavera começou com uma oferta um pouco inferior à registrada um ano antes, e entre as razões aparece justamente a exportação de novilhas para a Turquia, que se manteve ativa nos últimos meses.
A isso se soma um cenário favorável aos produtores, com preços do leite sustentados e bons valores para os animais destinados à indústria. Segundo Di Santi, essas condições levam alguns produtores a reter novilhas nas próprias propriedades em vez de vendê-las. O resultado é menor disponibilidade de gado nos leilões e valores semelhantes aos observados no outono.
As referências de preço seguem próximas às do outono
As referências atuais do mercado uruguaio são as seguintes:
- Novilhas prenhes de características gerais: entre US$ 1.600 e US$ 1.800 por cabeça.
- Animais de maior qualidade, com registro e condições especiais de venda: até US$ 2.000 e, em alguns casos, acima desse valor.
- Novilhas com parto mais tardio: cerca de US$ 1.500 por cabeça.
Essas referências permanecem próximas às registradas durante o outono, embora se formem com uma oferta menor e boa dinâmica comercial. Para os vendedores, a combinação de menor disponibilidade e demanda externa sustentada eliminou a pressão de baixa que costuma acompanhar o início da primavera.
Embarque previsto para dezembro e 2027 em análise
Para Di Santi, o principal valor do negócio com a Turquia não está apenas no preço alcançado por cada animal. O ponto central é a existência de uma demanda sustentada que permita às fazendas leiteiras colocar o excedente de novilhas que a produção de leite gera de forma estrutural.
A DSR tem atualmente uma operação prevista para embarque em dezembro e já analisa novas possibilidades para 2027. O operador considera, no entanto, que os valores podem precisar de algum ajuste para que a atividade siga viável. Os preços atingiram níveis especialmente altos nos últimos meses e, segundo ele, uma correção moderada permitiria manter ativa a corrente exportadora.
O custo do frete mantém a China de fora
A China também começou a fazer consultas por gado leiteiro uruguaio, embora por ora não existam operações avançadas. O transporte para a China é entre 40% e 50% mais caro do que o envio para a Turquia, o que dificulta a competição enquanto os preços do gado no Uruguai se mantiverem elevados.
Por essa razão, enquanto a Turquia seguir comprando de forma ativa, as possibilidades de uma reaparição forte da China como destino para novilhas Holandesas seguem limitadas. A menor oferta interna, os preços sustentados do leite e a demanda externa permitem ao setor iniciar a primavera com valores firmes, e o desafio será manter ativa essa corrente exportadora mesmo que os preços do gado precisem se ajustar para preservar a competitividade.
Análise completa do mercado