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Restrições da UE não devem reduzir preços da carne bovina no Brasil

A UE suspendeu a compra de produtos brasileiros de origem animal, mas respondeu por apenas 3,7% do volume exportado de carne bovina em 2025. A menor oferta de gado e a retomada dos embarques para a China devem manter o mercado interno pressionado.

Restrições da UE não devem reduzir preços da carne bovina no Brasil

UE tem participação limitada nas exportações de carne

A suspensão das importações de produtos brasileiros de origem animal pela União Europeia não deve provocar queda relevante nos preços da carne bovina para o consumidor brasileiro. Segundo o Brasil 247, o mercado europeu tem participação pequena nas exportações totais e não deve gerar excedente expressivo no mercado interno. Ao mesmo tempo, há menos bovinos disponíveis e os embarques para a China devem se recuperar.

As restrições entraram em vigor em 3 de setembro e abrangem carne bovina, frango, carne suína, mel, pescados e ovos destinados aos 27 países da UE. O bloco retirou o Brasil da lista de fornecedores habilitados por considerar que o sistema brasileiro ainda não oferecia garantias suficientes sobre o controle do uso de antimicrobianos na pecuária.

A UE proíbe o uso desses medicamentos para estimular o crescimento dos animais e restringe a aplicação veterinária de determinadas substâncias reservadas ao tratamento de seres humanos. O Brasil 247 informou que a decisão não decorreu de problemas encontrados diretamente nos produtos brasileiros. O governo negocia a reversão da medida, enquanto a UE audita cadeias específicas, como as de frango e mel.

Baixa participação limita o efeito sobre a oferta

Dados do Ministério da Agricultura citados na reportagem mostram que a UE respondeu por 3,7% do volume das exportações brasileiras de carne bovina em 2025 e por 5,8% da receita. Os embarques incluem cortes de maior valor do traseiro, como filé mignon, contrafilé, alcatra e coxão mole, além do filé de costela retirado do dianteiro.

Fernando Enrique Iglesias, analista da Safras & Mercado, disse ao G1 que uma queda significativa nos preços era muito pouco provável, inclusive nos cortes normalmente vendidos à Europa. Os preços domésticos já vinham subindo: dados do IBGE citados pela publicação apontaram alta de 8,53% das carnes em 12 meses na prévia da inflação de agosto.

Alguns cortes registraram aumentos maiores. O filé mignon subiu 15,2%, o contrafilé avançou 11,5%, o coxão mole teve alta de 10% e a alcatra aumentou 9,31%. Um eventual redirecionamento dos produtos destinados à UE chegaria, portanto, a um mercado com oferta já limitada, e não a um ambiente de excesso generalizado.

China e ciclo pecuário sustentam as cotações

A China deve absorver mais carne bovina brasileira até o fim do ano. Os frigoríficos reduziram o ritmo das exportações em julho, agosto e setembro, mas Iglesias espera aumento da produção destinada ao mercado chinês a partir de outubro. A maior orientação ao exterior deixaria menos carne disponível no mercado interno.

No início de 2026, a China estabeleceu uma cota anual de 1,1 milhão de toneladas para a carne bovina brasileira. As importações dentro da cota pagam tarifa de 12%, enquanto os volumes excedentes enfrentam uma tarifa adicional de 55%. Os embarques aceleraram no primeiro semestre e perderam força a partir de julho, mas o setor deve ampliá-los no fim do ano para aproveitar a cota correspondente a 2027.

O transporte marítimo leva de 45 a 60 dias. A carne embarcada em novembro e dezembro chegará aos portos chineses em 2027. Ao mesmo tempo, o ciclo pecuário brasileiro passa por uma fase com menos animais disponíveis para abate. A oferta restrita de gado e a retomada da demanda chinesa devem pesar mais do que o volume limitado liberado pelo fechamento temporário do mercado europeu.

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