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Cacau cai para 3.310 euros por tonelada com melhores colheitas e procura mais fraca

A tonelada de cacau é cotada a 3.310 euros, depois de ter superado por momentos os 10.000 euros no final de 2025 e de ter atingido 11.000 euros no início de 2024. Segundo o n-tv.de, a melhoria do clima na África Ocidental, o aumento da produção na África do Sul e a procura mais fraca na Europa e na Ásia recompuseram os stocks. O preço regressou a níveis comparáveis aos anteriores ao rally de 2023.

Cacau cai para 3.310 euros por tonelada com melhores colheitas e procura mais fraca

O cacau devolveu a maior parte dos ganhos de um rally que levou o mercado a máximos históricos e o preço regressou a níveis comparáveis aos observados antes do início da subida em 2023. Segundo o n-tv.de, a tonelada de cacau é cotada a 3.310 euros, depois de ter negociado bem acima de 10.000 euros por tonelada em alguns momentos do final de 2025. Os investidores que entraram no mercado no final de 2024 absorveram perdas consideráveis.

Uma década abaixo de 2.500 euros e depois um movimento vertical

Durante a maior parte dos últimos dez anos, o preço por tonelada manteve-se abaixo de 2.500 euros, com as exceções do final de 2009 e de 2015, refere o n-tv.de. A tendência foi relativamente regular até meados de 2023, quando o preço subiu com força em poucos meses. No início de 2024 o movimento acelerou e o mercado atingiu a marca dos 11.000 euros em muito pouco tempo.

O que se seguiu não foi uma queda linear, mas uma sucessão de oscilações fortes. O final de 2024 trouxe uma correção para abaixo de 7.000 euros, antes de o preço voltar a aproximar-se do recorde na viragem de 2024/2025. Desde então corrige em baixa e situa-se em cerca de 3.300 euros por tonelada em maio de 2026.

Doenças, clima e fluxos especulativos impulsionaram a subida

A publicação atribui a volatilidade dos últimos dois anos e meio sobretudo a uma procura elevada que encontrou uma oferta muito instável. As doenças dos cacaueiros e as condições meteorológicas difíceis em várias zonas de cultivo da África Ocidental prejudicaram as colheitas e restringiram a oferta disponível. O aumento do consumo de chocolate nos mercados emergentes acrescentou pressão. Entre os fatores suspeitos figura também o interesse especulativo pelas matérias-primas alimentares, recorrente neste segmento.

Melhores colheitas contra um escoamento mais fraco

A correção de 2025/2026 assenta em ambos os lados do balanço. A procura enfraqueceu tanto na Europa como na Ásia, segundo o n-tv.de. Ao mesmo tempo, as condições melhoraram em algumas zonas de cultivo: é relatado um clima mais favorável na África Ocidental, o que apoia as colheitas, e a publicação aponta ainda para uma produção em alta na África do Sul. O efeito conjunto é o aumento dos stocks. Já não se pode falar da escassez de 2023 e 2024, e o nível de existências joga agora contra o preço.

Futuros, ETC e a questão da alavancagem

A exposição ao cacau reparte-se por instrumentos com perfis muito diferentes, e apenas uma parte dessa atividade chega a tocar o mercado físico.

  • Os futuros são negociados em Nova Iorque e na London International Financial Futures Exchange (LIFFE). Os contratos padronizados cobrem dez toneladas cada e implicam, em teoria, obrigações de entrega física, o que os torna sobretudo um instrumento para participantes institucionais.
  • Os produtos cotados sobre matérias-primas (ETC) replicam a evolução dos futuros de cacau sem que o detentor tenha de manter posições nas bolsas de derivados.
  • As ações dão exposição indireta através dos transformadores, incluindo um dos maiores transformadores mundiais de cacau e chocolate, sediado na Suíça, e através de grandes grupos alimentares cujas margens refletem a situação do setor do chocolate.
  • Os contratos por diferença (CFD) liquidam a diferença entre o preço de entrada e o de saída, não têm prazo fixo e permitem posições longas e curtas. Nenhum grama de cacau muda de mãos. Segundo as regras da ESMA, os investidores de retalho estão sujeitos a uma alavancagem máxima de 1:10 nos CFD sobre matérias-primas.

A direção a partir daqui permanece em aberto, sublinha o n-tv.de. Novas notícias negativas do lado da oferta, como mau tempo, podem voltar a empurrar os preços para cima. Em sentido contrário atua a procura fraca conjugada com stocks mais elevados, precisamente a combinação que provocou a correção. Com o mercado de volta ao intervalo de preços anterior ao rally, tanto o argumento a favor de uma entrada como o de novas quedas assentam nos mesmos fundamentos por resolver.

Análise completa do mercado

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