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Nova Zelândia abre temporada de lácteos com captação recorde e risco climático

A Nova Zelândia captou um recorde de 131,2 milhões de kg de sólidos do leite em agosto, elevando o avanço acumulado da temporada 2026/27 para 4,3%. O crescimento das exportações e a demanda firme por proteínas sustentam o mercado, mas a queda das importações chinesas e o risco de um verão seco provocado pelo El Niño afetam as perspectivas.

Nova Zelândia abre temporada de lácteos com captação recorde e risco climático

Temporada começa com produção recorde

A temporada de lácteos 2026/27 da Nova Zelândia começou com captação recorde, reforçando a oferta exportável no curto prazo e direcionando a atenção do mercado para o clima durante o verão. A captação de agosto chegou a 131,2 milhões de quilogramas de sólidos do leite, ou kgMS, alta de 3,3% em relação ao ano anterior, segundo Cristina Alvarado, chefe de Dairy Data & Insights da NZX, em artigo publicado pela Farmers Weekly. A produção acumulada na temporada estava 4,3% acima do ciclo anterior.

O início forte fornece mais matéria-prima aos processadores em um momento de expansão da produção mundial. Em agosto, a produção de leite cresceu 1,7% na comparação anual nos Estados Unidos, 2,2% na Argentina e 1,8% no Uruguai. A produção europeia de junho aumentou 2,0%, enquanto a captação australiana de julho avançou 4,0%. A China foi a exceção: a produção caiu 2,9% com a continuidade da racionalização do rebanho, embora a melhora dos preços domésticos do leite indique uma possível estabilização.

Leite em pó lidera expansão das exportações

O volume das exportações de lácteos da Nova Zelândia cresceu 10,2% em agosto ante o mesmo mês do ano anterior, para 192.688 toneladas. O valor exportado avançou em ritmo menor, 3,9%, para US$871 milhões. A diferença entre o crescimento do volume e o da receita aponta para uma composição menos favorável de produtos e preços, apesar do aumento das vendas aos mercados internacionais.

Os leites em pó lideraram a expansão. As exportações de leite em pó integral aumentaram 22%, e as de leite em pó desnatado cresceram 47%. Os embarques de leite em pó integral para a China saltaram 64%, enquanto as vendas de leite em pó desnatado para mercados asiáticos fora da China avançaram 68%. As exportações de queijo também ficaram 24% maiores. Esses fluxos reforçam o papel da Nova Zelândia como grande fornecedora de leite em pó e criam uma saída para a maior captação no começo da temporada.

A China, contudo, continua emitindo sinais mistos de demanda. Suas importações totais de lácteos recuaram 14,7% em agosto ante o ano anterior e acumulavam queda de 5,1% no ano. As compras de leite em pó integral caíram 41%, e as de leite em pó desnatado, 23%. Outras categorias tiveram demanda mais forte: as importações de gordura láctea anidra subiram 78%, as de manteiga avançaram 119% e as de queijo cresceram 39%.

Proteínas superam gorduras lácteas

O desempenho das exportações fora da Nova Zelândia foi desigual. O volume dos Estados Unidos aumentou 2,0% em julho, apoiado por maiores embarques de leite em pó integral, queijo e soro de leite, enquanto as exportações europeias cresceram 2,1%. As vendas australianas caíram 7,0% devido à fraqueza dos embarques de leite em pó integral, leite em pó desnatado e manteiga. O volume argentino ficou praticamente estável em agosto, mas ainda acumulava alta de 19,6% no ano.

Os resultados do Global Dairy Trade refletiram a divisão entre ingredientes proteicos e gorduras. Depois de o índice geral subir 0,9% no Evento 411 e cair 1,1% no Evento 412, o Evento 413 registrou alta de 1,2%. O leite em pó desnatado ganhou 4,3%, para uma média de US$3.847 por tonelada, o maior valor médio da plataforma desde julho de 2022. O leite em pó integral subiu 1,2%, enquanto o cheddar caiu 3,7% e a muçarela recuou 3,9%.

A demanda resiliente por proteínas sustenta os preços dos leites em pó, apesar do aumento da produção em diversas regiões exportadoras. A maior disponibilidade pressiona mais as gorduras lácteas, embora o forte crescimento das compras chinesas de manteiga e gordura láctea anidra mostre que a demanda varia bastante entre os produtos.

El Niño pode testar a oferta no verão

O principal risco para o início forte da Nova Zelândia é a previsão de um El Niño intenso, que pode provocar condições mais secas durante o verão. O menor crescimento das pastagens elevaria a necessidade de ração e poderia desacelerar a produção de leite nas principais regiões. Uma temporada favorável manteria a oferta mundial bem abastecida, mas uma deterioração acentuada das pastagens poderia reduzir rapidamente a disponibilidade.

Produtores, processadores e traders enfrentam, portanto, duas forças opostas. A produção elevada na Nova Zelândia e em outros exportadores, combinada à queda das importações totais da China, limita as preocupações imediatas com a oferta. Por outro lado, a redução da produção chinesa, a demanda firme por proteínas e algumas gorduras lácteas e possíveis perdas climáticas podem sustentar os preços se o crescimento mundial perder força.

Análise completa do mercado

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