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EUA abrem janela de 90 dias sem tarifa para 300.000 toneladas de carne bovina

Os Estados Unidos permitirão por 90 dias a entrada de até 300.000 toneladas de insumos para carne bovina moída sem tarifas extracota. A medida busca ampliar a oferta diante de preços recordes e de um rebanho próximo das mínimas históricas.

EUA abrem janela de 90 dias sem tarifa para 300.000 toneladas de carne bovina

Alívio temporário mira preços recordes

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que o país permitirá, nos próximos 90 dias, a importação de até 300.000 toneladas de produtos destinados à carne bovina moída sem tarifas extracota. A medida busca ampliar a oferta enquanto os Estados Unidos recompõem o rebanho e tentam conter preços recordes.

Trump afirmou no Truth Social que obteve um compromisso para vender a carne importada por um preço 25% inferior ao praticado atualmente no mercado. Ele não identificou, porém, os países fornecedores nem as partes responsáveis pelo compromisso. A Axios informou que a Casa Branca não apresentou imediatamente mais detalhes.

Segundo a AFP, os preços da carne bovina nos Estados Unidos subiram fortemente desde a pandemia de Covid-19. O valor passou de menos de 4 dólares por libra no início de 2021 para quase 6,90 dólares em julho de 2026, com alta próxima de 10% em um ano. O Le Monde informou que o preço do bife aumentou 15% no último ano.

Rebanho reduzido limita os processadores

Após vários anos de contração, o rebanho bovino dos Estados Unidos continua próximo das mínimas históricas. De acordo com a AFP, o número de animais caiu ao menor nível desde a década de 1950. A seca persistente nos principais estados produtores dificulta a alimentação do gado, enquanto energia, insumos e transporte mais caros pressionam os pecuaristas.

A Axios informou que o estoque de bovinos e bezerros somava 94,2 milhões de cabeças em 1º de julho, aumento inferior a 1% em relação ao ano anterior. Foi o primeiro crescimento para esse mês desde 2018, mas o rebanho permaneceu perto de uma mínima histórica. A recuperação da oferta levará, portanto, mais tempo do que a janela tarifária de 90 dias.

A escassez também afeta os processadores. Segundo a Axios, a Tyson Foods registrou prejuízo operacional de 707 milhões de dólares em sua divisão de carne bovina nos nove meses anteriores. No trimestre encerrado em 27 de junho, os volumes de carne bovina caíram 15,9% em um ano, enquanto os preços cobrados de varejistas, restaurantes e outros clientes subiram 12,1%.

Política de importação abre novas opções de fornecimento

A decisão sucede outras tentativas de ampliar a oferta externa. A AFP informou que Washington retirou, no fim de julho, a carne bovina brasileira da lista de produtos do Brasil sujeitos a uma tarifa de 25%. No início de 2026, Trump também assinou uma ordem que aumentou a quantidade de carne argentina autorizada a entrar com tarifa zero.

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos anunciou no fim de julho a próxima retomada das importações de gado mexicano. Os embarques estavam suspensos havia mais de um ano devido a uma disputa sobre o controle de um parasita. O México exportou pouco mais de 1 milhão de cabeças para os Estados Unidos em 2024, segundo estimativas dos dois governos.

Como a origem das novas 300.000 toneladas não foi especificada, os exportadores ainda não sabem como o volume será distribuído. O acesso sem tarifa pode dar aos processadores mais matéria-prima magra para a carne moída. Para os pecuaristas americanos, as importações acrescentam concorrência enquanto a recomposição do rebanho continua cara e lenta. O efeito dependerá da velocidade das entregas e de o desconto prometido de 25% chegar aos compradores atacadistas e varejistas.

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