Importações de carne suína na Bósnia e Herzegovina sobem quase 70% em seis anos
Dados oficiais de comércio mostram que as importações de carne suína na Bósnia e Herzegovina passaram de cerca de 15 milhões de quilogramas em 2019 para 25,3 milhões no ano passado. No mesmo período, o rebanho suíno da República Srpska caiu de 515 mil para 357 mil cabeças. Os produtores pedem tarifas e taxas por quilograma.
As importações de carne suína na Bósnia e Herzegovina cresceram quase 70% em seis anos, segundo estatísticas oficiais divulgadas pelo portal aloonline.ba, enquanto o rebanho suíno da República Srpska encolheu quase um terço no mesmo período. Os criadores ligam diretamente as duas tendências e afirmam que as granjas restantes estão à beira do fechamento.
Volume importado chega a 25,3 milhões de quilogramas
De acordo com dados da Câmara de Comércio Exterior da Bósnia e Herzegovina, o país importou cerca de 15 milhões de quilogramas de carne suína em 2019. No ano passado esse número alcançou 25,3 milhões de quilogramas de carne suína fresca, resfriada e congelada. As importações de carne bovina e de vitela também vêm aumentando, segundo a mesma reportagem.
A divisão do mercado mudou rapidamente. Os criadores afirmam que até três ou quatro anos atrás a produção interna cobria cerca de 30% da demanda do mercado, enquanto hoje essa fatia está entre 15% e 20%. Os produtores alertam que, se as importações não forem contidas, os poucos criadores restantes fecharão suas instalações.
Rebanho cai para 357 mil cabeças
Dados do Instituto Republicano de Estatística mostram que o rebanho suíno da República Srpska somava cerca de 515 mil animais em 2019 e caiu para 357 mil no ano passado, uma queda de quase um terço.
Um golpe adicional neste ano veio da seca, que destruiu boa parte da safra de milho. A combinação de matéria-prima local cara com carne importada barata torna a produção inviável, e um número crescente de pessoas está deixando o campo.
Preços de importação abaixo do peso vivo local
Os preços no varejo mostram a pressão sobre as margens. O quilograma de paleta suína em promoção nos supermercados custa cerca de 3,50 KM, enquanto o quilograma de costela de vitela importada é vendido entre 14 e 15 KM.
Mišo Maljčić, presidente da Associação de Criadores de Suínos da República Srpska, afirma que equiparar o preço da carne importada ao peso vivo dos animais terminados no país não tem qualquer lógica. “Fomos empurrados para a própria beira da sobrevivência, mas o Estado não nos ouve. Há anos pedimos medidas de proteção e nada acontece. Aqui há algo seriamente errado. O preço dos suínos terminados está preocupantemente baixo e nunca fomos tão pouco competitivos”, disse Maljčić ao Srpskainfo.
Os criadores citados na reportagem questionam qual é a qualidade de uma vitela importada que custa menos do que o peso vivo do gado local. “É claro que qualquer frigorífico vai preferir comprar carne barata, sem entrar no mérito da qualidade. E o preço diz tudo. Por outro lado, não conseguimos vender nosso produto, então não surpreende que as pessoas desistam da criação e procurem para onde ir”, afirmam.
Questionamentos sobre qualidade e pedidos de proteção
Maljčić já afirmou diversas vezes que a Bósnia e Herzegovina se tornou, na prática, uma “lata de lixo” do mercado europeu, e questionou o estado da mercadoria importada. “Na Bósnia e Herzegovina se usa carne congelada por até um ano. O problema é que essa carne precisa ser ‘refrescada' com vários aditivos e fosfatos, que podem ser perigosos para a saúde humana. Além disso, a carne congelada por muito tempo e depois descongelada adquire o cheiro da câmara frigorífica. Na Europa, essa carne é dada a animais de estimação”, disse ele. São afirmações da associação de criadores; a reportagem não cita resultados de análises independentes.
Os produtores locais já solicitaram várias vezes às autoridades no nível estatal a adoção de medidas de proteção comercial:
- tarifa de 10% sobre carne bovina e suína fresca e resfriada;
- taxa especial de 1,50 KM por quilograma de carne suína importada;
- taxa especial de 2,50 KM por quilograma de carne bovina importada.
Nenhuma dessas medidas foi adotada até agora.
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