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Exportações de carne suína da Argentina saltam 156,8% em valor no início de 2026

Entre janeiro e maio de 2026, a Argentina exportou 7.645 toneladas de carne suína e subprodutos por US$10,037 milhões, alta de 156,8% em valor na comparação anual. O setor vê uma chance de a América se tornar a maior fornecedora mundial de suínos.

Exportações de carne suína da Argentina saltam 156,8% em valor no início de 2026

Exportações de carne suína da Argentina disparam em valor no início de 2026

Entre janeiro e maio de 2026, a Argentina exportou 7.645 toneladas de carne suína e subprodutos por um valor total de US$10,037 milhões, segundo a Secretaria de Agricultura do Ministério da Economia da Nação. Os números representam um crescimento anual de 91,2% em volume e de 156,8% em valor frente ao mesmo período de 2025.

A produção interna subiu 11,8% no período, para 354.588 toneladas, impulsionada por um aumento de 9,7% no abate, que chegou a 3.720.893 cabeças. Agustín Seijas, diretor executivo da Federação Suína Argentina (Federación Porcina Argentina), disse ao Clarín que o país fechou 2025 com cerca de 13.000 toneladas exportadas.

Demanda interna e concentração

O consumo per capita aumentou 8,4% em relação a 2025, para 19,59 quilos por pessoa. Juan Luis Uccelli, engenheiro zootecnista e consultor do mercado suíno, afirmou que a demanda interna passou de 3 a 4 quilos por habitante há duas décadas para quase 20 quilos hoje, apoiada em ganhos de genética e produtividade.

A produção cresce de forma contínua desde 2002, mas o negócio se concentra cada vez mais. Dos 1.700 produtores da Argentina, entre 75 e 80 respondem por mais de 50% do abate, segundo Uccelli.

Capacidade de exportação abaixo do potencial

Apesar do salto, os embarques seguem muito abaixo da capacidade da Argentina. Uccelli lembrou que as exportações chegaram a 14.000 a 15.000 toneladas no ano passado e a 44.000 toneladas em 2020. O país tem atualmente 54 mercados abertos, com envios principalmente para Filipinas, China, Uruguai e Costa do Marfim. Ele apontou o câmbio como o principal obstáculo: o dólar atual favorece a importação e não a exportação.

Uma abertura global para a América

Uccelli defendeu que o cenário global abre à América a oportunidade de se tornar a maior fornecedora mundial de suínos. Afirmou que a China, maior produtora e consumidora, perde hoje US$60 por cada suíno que produz porque não tem milho nem soja e enfrenta falta de espaço. Na União Europeia, a peste suína africana segue avançando e apenas a Espanha mantém atividade relevante.

A América concentra atualmente cerca de 52% das exportações globais de suínos, participação que Uccelli espera que chegue a 75% em todo o continente, incluindo Estados Unidos, Brasil, Canadá e Argentina.

Seijas disse que um dos principais desafios de exportação da Argentina é a abertura do mercado chinês para subprodutos, o que representaria um intercâmbio de US$240 milhões. A negociação já dura dois anos e meio e depende de uma única assinatura para aprovar o protocolo sanitário. Os produtores sustentam que será preciso um reajuste cambial para aproveitar plenamente o momento, embora Uccelli confie que a Argentina estará em poucos anos entre os dez maiores exportadores mundiais de suínos.

Análise completa do mercado

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