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Argentina exporta mais carne bovina enquanto consumo cai e importações do Brasil avançam

As exportações argentinas de carne bovina cresceram 10,2% no primeiro semestre, apesar da queda de 6,2% na produção e do menor abastecimento interno em três décadas. Carnes bovina, de frango e suína do Brasil ganham espaço conforme os consumidores migram para proteínas mais baratas.

Argentina exporta mais carne bovina enquanto consumo cai e importações do Brasil avançam

Exportações absorvem uma parcela maior da produção em queda

A Argentina exportou 408.600 toneladas de carne bovina no primeiro semestre, alta de 10,2% ante o ano anterior, segundo o Sitio Andino. O avanço ocorreu apesar da redução de 6,2% na produção total, para 1,428 milhão de toneladas. Com isso, a participação das exportações no volume produzido passou de 24,4% para 28,6% em relação ao semestre comparável, pois os mercados externos ofereceram preços mais atraentes aos frigoríficos.

O abastecimento do mercado interno seguiu a direção oposta. Houve queda anual de 11,5%, para 1.019.430 toneladas em equivalente carcaça, o pior início de ano em três décadas. Com menos gado disponível para abate, exportadores e varejistas locais passaram a disputar uma produção menor.

Consumo recua enquanto carne bovina supera a inflação

O consumo anualizado de carne bovina caiu para 47 quilogramas por habitante, redução de 8,2% em 12 meses. Isso equivale a cerca de 4,2 quilogramas a menos por pessoa em comparação com 2025. As famílias passaram a comprar menores quantidades, abandonar determinados cortes ou substituir a carne bovina por frango, carne suína e outros alimentos.

A alta de preços acelerou essa mudança. A associação setorial CICCRA informou que os cortes bovinos subiram 53,6% em um ano, ante inflação geral de 33,5%. A carne moída avançou 56,2%, e os cortes para asado, 54,3%. Depois de dobrarem durante 2025, os preços domésticos da carne bovina acumularam uma alta adicional próxima de 20% em 2026, conforme a reportagem.

Carne brasileira abastece varejistas e processadores

As importações ajudam supermercados e processadores a complementar a oferta doméstica. As entradas conjuntas de carne bovina, de frango e suína atingiram o recorde de cerca de 15.000 toneladas em maio, ante 9.900 toneladas em maio de 2025 e apenas 1.150 toneladas em maio de 2024, segundo o especialista em agronegócio Javier Preciado Patiño. O salto ocorreu enquanto as importações totais da Argentina caíam 7% em um ano devido à menor atividade econômica. O Brasil forneceu praticamente toda a carne importada.

O frango liderou o crescimento, com 5.635 toneladas importadas em maio. As compras de carne suína permaneceram próximas de 6.000 toneladas mensais, enquanto as de carne bovina somaram cerca de 3.400 toneladas. O consumo de carne suína já alcança aproximadamente 18 a 19 quilogramas por habitante ao ano, pois muitos cortes custam metade do preço de produtos bovinos equivalentes. A Federação Suína Argentina denuncia concorrência desleal porque o Brasil permite o uso de ractopamina, promotor de crescimento proibido na Argentina por razões sanitárias. Para os frigoríficos bovinos, a diferença de preços permite exportar a produção argentina para mercados mais rentáveis e abastecer parte da demanda doméstica com cortes importados mais baratos.

Análise completa do mercado

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