StoneX reduz superávit global de açúcar em 2025/26 para 1,45 milhão de toneladas com atraso na moagem no Brasil
A StoneX reduziu a estimativa de superávit global de açúcar em 2025/26 para 1,45 milhão de toneladas, ante 2,9 milhões, por causa do atraso na moagem de cana e da qualidade abaixo do esperado no Centro-Sul do Brasil. A consultoria também cortou a moagem de 2026/27 para 635,3 milhões de toneladas e a produção de açúcar para 38 milhões, mas projeta safra recorde de 662,1 milhões em 2027/28.
A StoneX reduziu a estimativa de superávit do mercado global de açúcar na temporada 2025/26 para 1,45 milhão de toneladas, ante 2,9 milhões de toneladas na projeção anterior, em razão do atraso na moagem de cana no Centro-Sul do Brasil. A consultoria divulgou a revisão na quarta-feira, segundo a Reuters, com a temporada 2025/26 se encerrando neste mês.
Chuvas atípicas de inverno no Centro-Sul, que a StoneX associa ao fenômeno climático El Niño, prejudicaram as operações na principal região produtora de cana do mundo. A qualidade da cana, medida pelo açúcar total recuperável (ATR), também ficou abaixo do esperado no Centro-Sul e pesou sobre o saldo global.
Moagem atrasada e cana carregada para o ciclo seguinte
De acordo com o NovaCana, a StoneX estima agora moagem de 635,3 milhões de toneladas no Centro-Sul em 2026/27, ante 640,1 milhões de toneladas na projeção anterior. Mesmo com o corte, o volume representa alta de 3,9% sobre a temporada passada.
O problema está no ritmo da colheita, não na área. As chuvas provocaram perdas de dias de trabalho em junho, na segunda metade de julho e novamente na primeira quinzena de setembro, com previsão de continuidade das precipitações até o fim do ano. A StoneX calcula que 10 milhões de toneladas de cana serão colhidas em março de 2027, enquanto outras 22 milhões de toneladas serão carregadas para a safra 2027/28.
- Área colhida em 2026/27: 7,96 milhões de hectares, queda de 3,1% ante o ciclo anterior.
- Produtividade: elevada para 79,8 toneladas por hectare, alta de 7,2%, sustentada pelas chuvas da entressafra e da colheita.
- Produção de açúcar em 2026/27: reduzida para 38 milhões de toneladas.
O clima chuvoso também limita a capacidade das usinas de direcionar mais cana para o açúcar, já que o excesso de umidade prejudica a cristalização e reduz o espaço para um mix muito elevado nos últimos meses da safra. A consultoria trabalha com mix açucareiro médio de 43% entre setembro e dezembro, um dos motivos da revisão para baixo.
Safra recorde projetada para 2027/28
O cenário muda em 2027/28, quando a StoneX projeta moagem de 662,1 milhões de toneladas no Centro-Sul, volume recorde para a região. A área colhida deve avançar para 8,13 milhões de hectares, ante 7,96 milhões, e a produtividade, para 81,5 toneladas por hectare. A projeção incorpora cerca de 22 milhões de toneladas de cana bisada da safra atual, que em um ciclo padrão apresenta produtividade mais de 20% superior à média.
A StoneX elevou a projeção de mix açucareiro para 49,3% em 2027/28, 3,1 pontos percentuais acima da estimativa para 2026/27. A mudança é explicada sobretudo pela relação de preços entre açúcar e etanol: o açúcar ganhou vantagem sobre o biocombustível em São Paulo a partir de julho, enquanto a alta das cotações em Nova York aumentou o estímulo para as usinas direcionarem mais cana ao adoçante. Com essas premissas, a produção brasileira de açúcar pode chegar a 42,4 milhões de toneladas em 2027/28, próxima do recorde de 2023/24, com exportações do Centro-Sul de até 33,8 milhões de toneladas no calendário de abril a março.
Déficit menor, mas outras origens em dificuldade
A StoneX reduziu a projeção de déficit global em 2026/27 para 900 mil toneladas, ante 1,7 milhão de toneladas, em boa parte pela melhora da perspectiva brasileira para a temporada seguinte. «O Centro-Sul, apesar de contar com aumento de 18% na produção dentro do calendário outubro-setembro, não será capaz de evitar ciclo 26/27 deficitário», disse a consultoria.
Em outras origens a oferta encolhe. A produção de açúcar na União Europeia e no Reino Unido foi revisada para 14,2 milhões de toneladas, queda de 20% em um ano, com perdas de mais de 20% na colheita de beterraba nos três principais produtores do bloco. A estimativa para a Índia caiu para 29 milhões de toneladas e a da Tailândia, para 9,6 milhões de toneladas, com o clima de agosto e setembro reforçando as expectativas de safras ruins nos dois países. A StoneX citou ainda riscos crescentes para as lavouras no México e na América Central, que vivem meses secos na atual entressafra.
Estoques e o desenho do ano
Os estoques globais de açúcar devem cair 1,2% em 2026/27, para 74,3 milhões de toneladas, levando a relação estoque/uso a 38,2%, ante 38,9% no ciclo anterior. O aperto não se distribui de forma uniforme. No quarto trimestre de 2026, a StoneX ainda considera o mercado relativamente abastecido, com o Brasil colocando açúcar no mercado externo. A pressão tende a aumentar no primeiro semestre de 2027, quando a Europa deve importar mais, a Tailândia terá menor presença nas exportações e o Brasil estará na entressafra. Na segunda metade de 2027 o balanço muda novamente, com a entrada da safra 2027/28 do Centro-Sul.
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