Produção de leite na Rússia cai 1% no semestre e se concentra nas grandes fazendas
A produção russa de leite cru caiu 1% na comparação anual no primeiro semestre, para 16,7 milhões de toneladas, informou a diretora da União Láctea nacional, Liudmila Manitskaya. As grandes organizações agrícolas cresceram 2%, para 11 milhões de toneladas, enquanto os produtores rurais perderam 5,4% e as unidades domésticas, 7,4%. A parada de uma fábrica de embalagens no início de agosto acrescenta outro risco.
A produção de leite na Rússia está cada vez mais concentrada em grandes empresas agrícolas com capacidade tecnológica significativa, enquanto produtores pequenos e médios e as unidades domésticas seguem perdendo volume. A diretora da União Láctea nacional, Liudmila Manitskaya, classificou o movimento como um problema estrutural do setor, em declarações divulgadas pela Interfax.
A produção total de leite cru no mercado interno recuou 1% na comparação anual no primeiro semestre, para 16,7 milhões de toneladas. A TASS, citando Manitskaya, registrou a mesma queda de 1% frente ao primeiro semestre de 2025. No agregado a retração é modesta, mas ela encobre movimentos em direções opostas dentro da base produtiva.
Crescimento no topo, queda na base
Manitskaya apresentou a produção do semestre por categoria, e os três segmentos se afastaram entre si:
- Grandes organizações agrícolas: alta de 2%, para 11 milhões de toneladas.
- Produtores rurais: queda de 5,4%, para 1,25 milhão de toneladas.
- Unidades domésticas auxiliares: queda de 7,4%, para 4,45 milhões de toneladas.
As grandes organizações foram a única categoria a somar volume e hoje respondem por perto de dois terços do leite cru russo. As perdas somadas dos produtores rurais e das unidades domésticas superaram o ganho de 2% no topo, o que produziu a queda geral. O encolhimento dos pequenos não é de uma safra só: «as pequenas formas de produção acumulam o quarto ano consecutivo de queda», afirmou Manitskaya. Uma dinâmica negativa também é registrada no segmento das unidades domésticas, acrescentou.
Leite não comercializado e o pedido de apoio
A parcela de leite não comercializado na Rússia está em 30%, disse Manitskaya em declarações divulgadas pela TASS. Esse leite cru nunca chega a uma indústria: é consumido dentro da propriedade, destinado ao rebanho ou vendido informalmente, e está quase todo nos segmentos que encolhem mais rápido.
Manitskaya pediu que as autoridades apoiem os pequenos e médios negócios de laticínios. «É preciso buscar instrumentos para ajudar as pequenas e médias propriedades», disse. Nos despachos da Interfax e da TASS, a União Láctea não detalhou quais medidas considera prioritárias.
Parada na embalagem acrescenta um segundo risco
Outro ponto de pressão está a jusante. No início de agosto, a Praimkartonpak, uma das maiores fabricantes de embalagens para laticínios do país, suspendeu a produção após danos nas suas instalações fabris, informou o Lenta.ru. Entre seus clientes estavam nomes de peso do mercado lácteo russo: Ekomilk, os combinados de laticínios de Kirov, Tula, Nalchik e Korenovsk, o combinado de Oremburgo A7 Agro, o Yaroslavl KMP e a Altayskaya Buryonka.
A parada de um fornecedor desse porte pode devolver o setor às condições vistas após a saída das maiores fabricantes ocidentais, segundo o Lenta.ru. Em 2022 e 2023, as fábricas enfrentaram sérias dificuldades para produzir itens essenciais em meio à falta de papelão e a problemas de reparo e manutenção de equipamentos por causa das sanções ocidentais.
Os especialistas ouvidos pela publicação concordaram que o país mantém certa reserva de capacidade capaz de compensar parcialmente os volumes perdidos. A compensação parcial, porém, deixa os processadores expostos em custo e prazo de entrega, e essa carga se distribui de forma desigual sobre uma base produtiva que já se divide entre grandes holdings integrados e pequenas propriedades em retração.
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