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Polónia importou mais de 10.500 toneladas de cerejas em julho, no pico da própria colheita

Dados do instituto de estatística polaco GUS divulgados pelo portal sad24.pl mostram a entrada de mais de 10.500 toneladas de cerejas em julho, o mês de maior colheita nacional. Somadas às 6.000 toneladas de junho, equivalem a 35% da colheita polaca estimada. A Bulgária foi o maior fornecedor.

Polónia importou mais de 10.500 toneladas de cerejas em julho, no pico da própria colheita

A Polónia importou mais de 10.500 toneladas de cerejas em julho, o mês de pico da colheita nacional, segundo dados do Instituto Central de Estatística (GUS) divulgados pelo portal de fruticultura sad24.pl. Somadas às 6.000 toneladas entradas em junho, os dois meses equivalem a 35% da colheita polaca estimada para a campanha.

O sad24.pl classifica o volume como recorde tanto para um único mês como para uma campanha inteira. Nessa base, mais de uma em cada quatro cerejas vendidas no mercado polaco durante a colheita nacional era importada. As remessas continuaram em agosto, pelo que a quota final de importação vai subir quando esses números forem publicados.

Bulgária à frente da Turquia nos dados do GUS

A fruta chegou de dez países. O ranking de julho trouxe uma surpresa: o maior fornecedor não foi a Turquia, que também não liderou em junho. Segundo o GUS, o maior volume veio da Bulgária, seguida da Turquia e da Alemanha. Os produtores viram durante todo o verão numerosas ofertas de venda de cereja búlgara, o que é coerente com esse resultado.

O sad24.pl questiona se a classificação por país reflete a origem real da fruta. As cerejas turcas chegaram às cadeias polacas através de empresas alemãs, e a Alemanha nem sequer é autossuficiente na produção de cereja. Grandes volumes de fruta mais cara vinda do ocidente são difíceis de aceitar, e o portal conclui que a linha alemã corresponde muito provavelmente a reexportação de produto turco. Se assim for, a estatística subestima o peso real da Turquia na oferta polaca.

Oferta de um ano de grande produção e preços à altura

A consequência comercial está formulada de forma direta na fonte: a produção nacional somada à importação atingiu o equivalente ao rendimento máximo de uma campanha produtiva, e os preços responderam em conformidade. Em julho era difícil encontrar fruta polaca nas prateleiras, onde a importação dominou, e as receitas desiludiram os produtores.

É citada uma referência de preço: remessas turcas em grande volume oferecidas a 1,5 euro por quilograma com entrega em centro logístico. Foi esse o nível a que os compradores podiam garantir fruta importada nas semanas em que os pomares polacos estavam a colher.

Disputa sobre quem abriu o mercado à importação

Circula no setor o argumento de que a importação recorde do verão foi culpa dos próprios produtores, porque desde abril avisaram os compradores de que as geadas deixariam a Polónia sem cerejas. O sad24.pl rejeita essa leitura como uma explicação cómoda que retira a importadores e cadeias de distribuição a responsabilidade pelos preços internos baixos e por uma campanha fraca.

O portal apresenta a contra-argumentação sob a forma de perguntas retóricas: se em maio a colheita polaca tivesse sido estimada ao nível da tonelada, teriam os compradores dispensado as remessas em massa da Turquia a 1,5 euro por quilograma entregues em centro logístico? E se os produtores não tivessem falado em colheita curta, nenhuma empresa polaca teria recebido ofertas atrativas da Turquia e da Bulgária?

O que fica da campanha

Para os produtores polacos, a campanha fecha com dois factos assentes: volumes de importação em nível recorde a meio da sua própria janela de colheita e uma oferta em que a fruta estrangeira foi a opção por omissão nas prateleiras. Como as entradas de agosto ainda não constam dos totais publicados, os 35% são um piso e não um valor final. O padrão de abastecimento — volume búlgaro significativo e fruta turca a chegar tanto diretamente como, na leitura do sad24.pl, através de intermediários alemães — indica também que os compradores já não tratam a janela da colheita polaca como reservada à oferta nacional.

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