Óleo de palma da Malásia recua da máxima de 21 meses com queda das exportações
Os futuros do óleo de palma da Malásia recuaram na quinta-feira da máxima de 21 meses e fecharam praticamente estáveis, pressionados por exportações fracas e pela expectativa de estoques maiores no fim do mês. Inspetores de carga estimam que os embarques de 1 a 15 de setembro caíram entre 17,8% e 25,6% ante o mês anterior.
Os futuros do óleo de palma da Malásia recuaram na quinta-feira da máxima de 21 meses e encerraram a sessão praticamente estáveis, pressionados pelos embarques fracos de exportação e pela expectativa de aumento dos estoques no fim do mês, informou o oleoscope.com.
A pausa interrompe uma alta que havia levado o contrato de referência ao maior nível em quase dois anos. O mercado se move entre dois sinais opostos: a piora da demanda física por cargas malaias, de um lado, e o possível apoio regulatório da Índia e da Indonésia, de outro.
Exportações caem na primeira quinzena de setembro
Inspetores de carga estimaram que as exportações de produtos malaios de óleo de palma entre 1 e 15 de setembro caíram de 17,8% a 25,6% na comparação com o mês anterior. A amplitude do intervalo decorre da publicação de estimativas próprias por diferentes empresas de inspeção, mas as duas pontas indicam contração de dois dígitos nos embarques.
Os dados da primeira quinzena são o indicador mais antecipado de que o mercado dispõe para projetar o balanço mensal. Uma queda de dois dígitos em duas semanas dificilmente é compensada sem forte aceleração dos carregamentos no restante do mês, e por isso os números de exportação deram o tom da sessão apesar das notícias favoráveis em outras frentes.
Estoques devem subir para cerca de 3 milhões de toneladas
“Os fundamentos do mercado de óleo de palma seguem pressionados pelas exportações fracas em setembro e pela expectativa de que os estoques no fim do mês possam subir para cerca de 3 milhões de toneladas”, afirmou Paramalingam Supramaniam, diretor da corretora Pelindung Bestari, sediada em Selangor.
Os estoques são o indicador que o mercado malaio acompanha mais de perto. São eles que definem a intensidade da disputa entre vendedores, o comportamento dos prêmios no mercado disponível e os preços a que os produtores oferecem cargas para o quarto trimestre.
Índia, Indonésia e mercados vizinhos
Segundo Supramaniam, o mercado obteve algum apoio das notícias de que a Índia pode reduzir as tarifas de importação sobre óleos vegetais e de que a Indonésia pode elevar o mandato de mistura de biodiesel. Uma tarifa indiana menor reduziria o custo posto para as refinarias do país, enquanto um mandato indonésio mais alto absorveria mais óleo de palma bruto no mercado interno e reduziria a oferta exportável.
Os mercados vizinhos se comportaram assim:
- o contrato mais ativo de óleo de soja na bolsa de Dalian subiu 0,4%;
- o contrato de óleo de palma da mesma bolsa avançou 0,18%;
- o ringgit enfraqueceu 0,31% ante o dólar norte-americano, tornando o contrato ligeiramente mais barato para compradores com moeda estrangeira;
- a produção mundial de óleos vegetais na safra 2025/26 atingiu o recorde de 221,8 milhões de toneladas, segundo dados divulgados na véspera.
Petróleo e níveis técnicos
Os preços do petróleo caíram após relatos de que a Arábia Saudita ofereceu cargas adicionais de petróleo bruto via Omã, o que reduziu o temor de interrupções no fornecimento. Ainda assim, as cotações permaneceram acima de 100 dólares diante do risco de escalada do conflito no Oriente Médio, aponta o oleoscope.com. A queda dos futuros do petróleo torna o óleo de palma menos atrativo como matéria-prima para biodiesel, porque a margem da mistura facultativa se estreita junto com os preços da energia.
O analista técnico da Reuters Wang Tao afirmou que o óleo de palma tenta romper o nível de 4.903 ringgits por tonelada e estender a alta em direção a 4.930 ringgits.