Preço do leite em Minas Gerais chega a R$ 3,02, mas importações podem frear a alta
O produtor mineiro recebeu 4,51% a mais no pagamento de agosto, com média de R$ 3,02 por litro, segundo o Cepea. O avanço das importações de leite em pó e queijos, os preços fracos dos derivados e o fim da entressafra podem desacelerar ou reverter a valorização.
O preço do leite cru em Minas Gerais registrou nova alta, mas as condições que sustentaram a valorização já perdem força. Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), divulgados pelo Diário do Comércio, mostram que o produtor mineiro recebeu 4,51% a mais no pagamento de agosto do que no de julho, com o volume comercializado a uma média de R$ 3,02 por litro.
Captação em crescimento lento e demanda firme por UHT
O Cepea atribui a alta ao crescimento ainda lento da captação em um cenário de boa demanda pelo leite UHT. Na média Brasil líquida, o litro alcançou R$ 2,87 no pagamento de agosto, aumento de 4,65% frente a julho e de 4,96% em relação ao mesmo mês de 2025, em termos reais. Segundo a pesquisadora do Cepea Ana Paula Negri, a oferta ajustada à demanda permitiu, por mais um mês, a elevação dos preços pagos aos pecuaristas.
“A boa demanda por UHT, os estoques considerados confortáveis e o crescimento mais lento da captação em algumas regiões mantiveram a concorrência pelo leite”, afirmou Negri. O Índice de Captação de Leite (ICAP-L) cresceu 2,38% em julho na média Brasil. Mesmo com a recuperação mensal, o índice ainda acumula queda de 9,3% no ano, defasagem que explica a disputa da indústria por volume durante a entressafra.
Importações ampliam a disponibilidade interna
O contrapeso vem do exterior. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) citados pelo Diário do Comércio mostram um salto nas compras de lácteos:
- o leite em pó adquirido em julho somou 236,3 milhões de litros em equivalente leite, 9,01% a mais que em junho;
- o mesmo volume ficou 33,49% acima do registrado em julho de 2025;
- as compras externas de queijos aumentaram 12,7% de junho para julho.
Essa oferta adicional chega a um mercado em que a indústria já enfrenta dificuldade para formar preços. Pesquisas do Cepea indicam que as negociações de muçarela e leite em pó perderam ritmo em julho, e parte dessa lentidão foi associada às importações. Com derivados desvalorizados, a margem industrial se comprime justamente quando a matéria-prima está no ponto mais caro da temporada.
Terceiro trimestre deve fechar em queda
A avaliação do Cepea é que no próximo pagamento já pode ocorrer retração nos valores do leite, pela dificuldade da indústria em garantir margem com os derivados, pela alta nas importações e pelo crescimento da produção no campo, já que o final da entressafra se aproxima. “No mercado internacional, as importações ampliaram a disponibilidade interna”, explicou Negri. “Diante desse contexto, a expectativa é de que o encerramento do terceiro trimestre seja marcado pelo recuo das cotações do leite cru, influenciado pelo aumento da oferta, pelas importações e pelo comportamento dos preços dos derivados.”
Para o Centro de Inteligência do Leite da Embrapa Gado de Leite (CILeite), no pagamento de setembro, referente à produção entregue em agosto, Minas Gerais tende a perder ritmo na valorização do litro, mas ainda assim é esperada alta de 1,2% na cotação média do produto. Seria uma desaceleração, e não uma reversão completa no estado.
No restante do país os sinais já são negativos. As sinalizações dos Conseleites apontaram queda na maior parte dos estados, e Minas Gerais foi o único a registrar aumento. Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina apresentaram recuos, indicando uma tendência mais baixista no momento. Para o produtor do Sul, o ciclo de preços virou primeiro; em Minas, a questão é por quanto tempo o déficit de matéria-prima sustenta a cotação acima da média nacional quando a produção sazonal voltar.
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