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Importações de lácteos da Ucrânia sobem 71% e queijo ilegal pressiona fábricas

A Ucrânia importou 8,79 mil toneladas de produtos lácteos em julho de 2026, alta anual de 71%, com o queijo respondendo por 59% do volume. Estimativas citadas por OBOZ.UA e BIN.ua indicam que o fornecimento ilegal já representa cerca de 30% do mercado de queijo.

Importações de lácteos da Ucrânia sobem 71% e queijo ilegal pressiona fábricas

Queijo impulsiona forte aumento das importações

A Ucrânia importou 8,79 mil toneladas de produtos lácteos em julho de 2026, volume 71% superior ao de julho de 2025 e 1% acima do registrado em junho de 2026, segundo dados da Associação dos Produtores de Leite divulgados por OBOZ.UA e BIN.ua. O queijo respondeu por 59% de todas as importações de lácteos, com participação relevante dos produtos poloneses.

Entre janeiro e julho de 2026, as importações chegaram a 47,96 mil toneladas, no valor de US$ 219,27 milhões. O volume físico aumentou 36% em relação ao mesmo período de 2025. Os números mostram que o avanço de julho fez parte de uma expansão mais ampla do fornecimento externo, e não de uma oscilação mensal isolada.

Oferta ilegal reduz preços e prejudica processadores locais

O OBOZ.UA informou que cerca de um terço do queijo importado entrou ilegalmente na Ucrânia. As duas publicações também citaram uma estimativa segundo a qual as importações ilegais já representam aproximadamente 30% do mercado ucraniano de queijo. Esses produtos chegariam por procedimentos simplificados, inclusive em cargas declaradas como ajuda humanitária, permitindo que fornecedores evitem as exigências aduaneiras normais.

Cerca de 80% das importações de alimentos da Ucrânia chega por rotas terrestres, o que deixa a logística menos exposta a interrupções do que alguns outros corredores. Evitar os procedimentos aduaneiros permite que produtos ilegais sejam vendidos ao consumidor por preços inferiores aos do queijo ucraniano. Segundo o OBOZ.UA, essas cargas também não passam pelos controles laboratoriais de qualidade aplicados às mercadorias importadas formalmente.

A diferença de preço agrava as dificuldades das fábricas ucranianas de queijo. O OBOZ.UA relatou que algumas unidades operam com apenas 35% da capacidade e correm risco de fechar. Os produtos lácteos podem encarecer aproximadamente 10% no outono devido à alta dos custos do leite cru, da energia, da logística e de outros insumos. Isso enfraqueceria ainda mais a posição das empresas locais diante das importações baratas e dos produtos não declarados.

Exportações avançam no mês, mas ficam abaixo de 2025

A Ucrânia exportou 12,27 mil toneladas de produtos lácteos, no valor de US$ 37,40 milhões, em julho. Em comparação com junho de 2026, o volume cresceu 6% e a receita aumentou 7%. Frente a julho de 2025, porém, a quantidade caiu 2% e o faturamento recuou 11%, indicando menor retorno por unidade exportada.

De janeiro a julho, as exportações totalizaram 76,05 mil toneladas, queda anual de 9%, enquanto a receita diminuiu 18%, para US$ 218,27 milhões. Os embarques de julho incluíram 2,88 mil toneladas de sorvete, 1,38 mil toneladas de leite e creme não concentrados, 1,36 mil toneladas de soro de leite, 1,13 mil toneladas de queijo, 1,07 mil toneladas de manteiga, 719 toneladas de produtos lácteos fermentados e 477 toneladas de caseína.

A manteiga registrou o maior crescimento mensal em volume entre as categorias detalhadas, avançando 66% ante junho, para 1,07 mil toneladas. A receita de exportação aumentou 55%, para US$ 5,36 milhões. Em relação a julho de 2025, contudo, os embarques de manteiga recuaram 20% e a receita caiu 45%. O queijo também permaneceu sob pressão: o volume diminuiu 3%, para 1,13 mil toneladas, e o faturamento caiu 6%, para US$ 4,97 milhões.

Números do comércio expõem diferença competitiva crescente

A conta das importações em sete meses, de US$ 219,27 milhões, superou ligeiramente os US$ 218,27 milhões gerados pelas exportações, embora a tonelagem exportada ainda fosse maior. Para produtores e processadores, a questão não é apenas o volume das importações formais, mas a combinação entre o aumento da oferta de queijo polonês, o comércio ilegal e a alta dos custos ucranianos. A aplicação dos controles aduaneiros e laboratoriais normais afetaria diretamente as condições de preço. Sem conter os fluxos ilegais, as fábricas podem continuar com baixa utilização e pouca capacidade de repassar custos maiores aos consumidores.

Análise completa do mercado

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