Exportações não tradicionais do Peru para a Espanha atingem recorde de US$ 459,5 milhões
As exportações não tradicionais do Peru para a Espanha cresceram 1,5% em um ano e chegaram a US$ 459,548 milhões entre janeiro e maio de 2026. Agropecuária, agroindústria, pesca e aquicultura concentraram 93% dos embarques, enquanto o Peru registrou superávit bilateral de US$ 591 milhões.
Embarques de valor agregado atingem recorde
As exportações não tradicionais do Peru para a Espanha somaram US$ 459,548 milhões entre janeiro e maio de 2026, alta de 1,5% sobre o mesmo período de 2025, segundo a Associação de Exportadores do Peru, ADEX. O PortalPortuario arredondou o total para US$ 460 milhões e informou que o valor havia sido de US$ 453 milhões um ano antes. O resultado estabeleceu um recorde para o período, impulsionado principalmente pela oferta peruana de alimentos com valor agregado.
O crescimento dos embarques não tradicionais contrastou com o desempenho das exportações totais do Peru para a Espanha. Gabriel Arrieta Padilla, chefe de Estudos Econômicos e Inteligência Comercial do centro CIEN-ADEX, afirmou que as exportações tradicionais e não tradicionais combinadas caíram 8,1% em um ano nos primeiros cinco meses de 2026. Ainda assim, os embarques para a Espanha cresceram em média 20% ao ano nos cinco anos anteriores, e Arrieta espera uma recuperação nos meses restantes de 2026.
Agro recua enquanto produtos do mar avançam
A agropecuária e a agroindústria geraram US$ 311 milhões, enquanto a pesca e a aquicultura contribuíram com US$ 116 milhões. Juntos, esses setores responderam por 93% das exportações não tradicionais peruanas à Espanha. As trajetórias foram opostas: os embarques agropecuários e agroindustriais recuaram 5,3%, enquanto pesca e aquicultura avançaram 26,4%. Lula e vieiras estiveram entre os produtos que sustentaram o desempenho mais forte dos pescados.
A pauta agrícola incluiu abacate, uva, pimentão piquillo, manga, cebola, alcachofra, aspargo e pasta de cacau. A Infobae, citando o relatório Voice of the Consumer 2025 da PwC, informou que os consumidores espanhóis consideram qualidade, saúde, sustentabilidade e conveniência, mas continuam sensíveis aos preços. O interesse por origem rastreável, atributos diferenciados e benefícios à saúde cria oportunidades para fornecedores peruanos, sobretudo quando os produtos respondem às preocupações com pesticidas e alimentos ultraprocessados.
Os demais setores não tradicionais permaneceram muito menores do que o de alimentos. As exportações químicas totalizaram US$ 16,883 milhões, seguidas pelos produtos de mineração não metálica, com US$ 8,828 milhões. O PortalPortuario também relacionou produtos diversos, com US$ 2 milhões; bens siderometalúrgicos, com US$ 1,586 milhão; têxteis, com US$ 1,156 milhão; vestuário, com US$ 1,124 milhão; produtos metalmecânicos, com US$ 834 mil; e madeira, com US$ 129 mil. A concentração em alimentos mantém o resultado agregado dependente da demanda espanhola, da disponibilidade das safras e da oferta pesqueira.
Peru mantém amplo superávit bilateral
As exportações totais do Peru para a Espanha, incluindo produtos tradicionais, chegaram a US$ 975,868 milhões entre janeiro e maio de 2026, enquanto as importações espanholas somaram US$ 385 milhões. O Peru obteve, assim, um superávit comercial bilateral de US$ 591 milhões. Entre os principais produtos espanhóis que entraram no mercado peruano estavam painéis de partículas de madeira, máquinas para limpeza ou classificação de frutas, artigos de beleza e condutores elétricos de cobre.
Com cerca de 49 milhões de habitantes, a Espanha é um dos principais mercados consumidores da União Europeia e o segundo maior destino dos embarques peruanos dentro do bloco, segundo a Infobae. Os dados mais recentes mostram que a diversificação avança apesar da queda das exportações totais. Para produtores e processadores peruanos, o desafio imediato é sustentar a rápida expansão dos pescados e recuperar o crescimento do segmento agrícola, que possui maior peso financeiro.