Entidades rurais da Coreia do Sul se mobilizam contra adesão ao CPTPP
Uma coalizão de 75 organizações agrícolas, pecuárias, pesqueiras e florestais da Coreia do Sul se opõe a uma possível adesão ao CPTPP. O grupo exige a suspensão das discussões e avaliações setoriais antes de qualquer decisão.
Setenta e cinco organizações formam comitê conjunto
Uma coalizão de 75 organizações sul-coreanas da agricultura, pecuária, pesca e silvicultura lançou uma campanha conjunta contra a possível adesão do país ao Acordo Abrangente e Progressivo para a Parceria Transpacífica, o CPTPP. O grupo avalia que uma nova abertura do mercado pode enfraquecer a produção doméstica e exige uma análise detalhada antes de o governo decidir se avançará com a candidatura.
Segundo o rwn.co.kr, as organizações criaram um comitê de emergência para impedir a adesão ao CPTPP e realizaram, no dia 21, uma cerimônia de lançamento e uma entrevista coletiva no Centro de Imprensa da Coreia, em Seul. Participam o Conselho Coreano de Organizações Agrícolas Abrangentes, a Federação Coreana de Agricultura e Pecuária, a Farmers’ Road with the People e o Conselho de Organizações Ligadas à Pecuária, além de entidades pesqueiras e florestais.
O comitê pediu ao governo que interrompa as discussões sobre a adesão. Seus integrantes afirmam que a agricultura e outras atividades primárias já suportaram os efeitos da abertura promovida por vários acordos de livre comércio e não devem assumir novamente uma parcela desproporcional dos custos de ajuste. Eles temem que o alto nível de liberalização do CPTPP ameace a base produtiva nacional e a viabilidade de longo prazo dos setores afetados.
Governo diz que ainda não tomou uma decisão
O governo discutiu sua futura abordagem à adesão ao CPTPP na 273.ª Reunião de Ministros de Assuntos Econômicos Internacionais, realizada em 27 de agosto. Em seguida, iniciou um debate público e consultas às partes interessadas para decidir se deveria avançar. O Ministério da Agricultura, Alimentação e Assuntos Rurais afirmou naquela ocasião que a adesão ainda não havia sido decidida.
O ministério prometeu dialogar amplamente com os interessados e avaliar se a participação traria benefícios concretos ao interesse nacional e à subsistência da população. As organizações rurais, porém, querem que a análise seja concluída antes de qualquer novo impulso político. O comitê pretende solicitar ao ministério agrícola, ao Ministério dos Oceanos e Pesca e ao Serviço Florestal da Coreia explicações sobre o andamento e as principais conclusões de suas avaliações.
Os estudos solicitados abrangeriam separadamente agricultura, pecuária, pesca e silvicultura. A coalizão exige que os danos previstos e os efeitos de um maior acesso ao mercado sejam apresentados claramente e examinados com os setores afetados. O material disponível não traz estimativas oficiais sobre perdas de produção, aumento das importações ou efeitos nos preços. Assim, a dimensão e a distribuição dos possíveis impactos permanecem indefinidas.
Protestos e resoluções locais estão previstos
O comitê pretende instalar faixas contra a adesão em diversas regiões antes do feriado de Chuseok. No dia 28, pedirá aos ministérios responsáveis pela agricultura e pela pesca, além do Serviço Florestal, explicações sobre as avaliações setoriais e os principais pontos examinados. As entidades participantes usarão essas informações para definir sua próxima resposta.
Uma grande manifestação contra a adesão ao CPTPP está marcada para 15 de outubro em Seul. A coalizão também pedirá que conselhos municipais, de condados e provinciais em todo o país aprovem resoluções contrárias à entrada no acordo. O grupo pretende acompanhar as deliberações do governo e coordenar novas ações. Para produtores, processadores e comerciantes, a disputa mantém incertos o rumo e o calendário da política comercial sul-coreana: o governo continua as consultas, enquanto uma ampla aliança de setores primários exige dados quantificados antes de qualquer compromisso.