Coreia do Sul abre o Catar à carne desossada, mas hanwoo enfrenta limites de oferta e preço
A Coreia do Sul concluiu as condições para exportar carne bovina desossada ao Catar e planeja enviar 100 kg de hanwoo refrigerado no início do próximo mês. A queda da produção, o ciclo de criação de 30 meses e os preços elevados ainda limitam a expansão das vendas externas.
Catar autoriza carne bovina desossada
A Coreia do Sul está ampliando a presença internacional de sua pecuária, com a carne premium hanwoo conquistando acesso ao mercado do Catar. Segundo a Viva100, o Ministério da Agricultura, Alimentação e Assuntos Rurais sul-coreano e o Ministério da Saúde Pública do Catar concluíram, no dia 20, as negociações sobre as condições sanitárias e o modelo de certificado veterinário para carne desossada.
Os fornecedores sul-coreanos poderão exportar carne que cumpra as regras sanitárias acordadas e os requisitos halal reconhecidos pelo Catar. O primeiro embarque, de 100 kg de hanwoo refrigerado, está previsto para o início do próximo mês. Pelo volume reduzido, a operação servirá principalmente como teste inicial do canal comercial, sem impacto relevante sobre a oferta de carne bovina no Catar.
O Catar se juntará aos mercados onde o hanwoo sul-coreano já pode ser exportado formalmente. A lista inclui Hong Kong, Malásia, Emirados Árabes Unidos, Camboja, Macau e Singapura. A Coreia do Sul também negocia protocolos de quarentena com China e Indonésia para diversificar os destinos de seus produtos pecuários.
Hong Kong reduz a área sujeita a restrições
As condições de acesso também melhoraram em mercados já atendidos. Após negociações com Hong Kong, a Coreia do Sul reduziu, a partir do dia 1º, a área submetida a restrições depois de um foco de febre aftosa: a proibição deixou de abranger toda a província e passou a atingir apenas a cidade ou o condado afetado. A mudança permite retomar embarques de áreas não afetadas de Gyeonggi e Gyeongsang do Norte.
As exportações de hanwoo aumentaram de 54 toneladas em 2024 para 71 toneladas no ano passado, segundo a Viva100. Nos primeiros sete meses deste ano, chegaram a 52 toneladas. A trajetória é positiva, mas o volume permanece pequeno diante do Japão, que exportou 12.628 toneladas de carne bovina no ano passado.
O Japão pretende elevar a receita das exportações de carne bovina para 113,2 bilhões de ienes até 2030, diversificando mercados e ampliando a venda externa de diferentes cortes. Um representante do fundo setorial do hanwoo disse à Viva100 que o apoio japonês aos custos de produção permite aos exportadores vender wagyu abaixo do preço doméstico. O hanwoo não dispõe de um programa específico equivalente, enquanto abate, processamento, certificação, logística, quarentena, desembaraço aduaneiro e distribuição local elevam seu custo de exportação.
Queda da produção limita a expansão
A competitividade de preços piorou. Os preços do hanwoo no atacado sul-coreano subiram mais de 15% nos primeiros nove meses deste ano, enquanto os valores no varejo internacional avançaram em ritmo semelhante. Na City’super, rede premium de Hong Kong, o contrafilé inferior de hanwoo categoria 1++ custa cerca de 38.000 wones por 100 gramas.
A disponibilidade representa outro obstáculo. A produção anual de hanwoo deverá cair cerca de 7,9%, de aproximadamente 313.000 toneladas em 2025 para 288.000 toneladas em 2026, devido à redução prevista no número de animais submetidos à classificação de carcaças. A criação também leva cerca de 30 meses, ante aproximadamente 18 meses em grandes países produtores como Estados Unidos e Austrália, o que limita uma resposta rápida à nova demanda.
O governo pretende prosseguir com negociações bilaterais de quarentena, usar padrões internacionais para reduzir restrições externas e reforçar a confiança no sistema de inspeção sul-coreano. Para os exportadores, porém, o acesso formal é apenas o primeiro passo. O crescimento estável dependerá de consumidores dispostos a pagar pelo posicionamento premium do hanwoo e de oferta suficiente para atendê-los com regularidade.