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Comercio mundial de vinho cai 8,3% em volume no primeiro semestre de 2026

O comercio internacional de vinho e mosto recuou 8,3% em volume e 5,2% em valor no primeiro semestre de 2026, segundo a analise apresentada ao Observatorio do Mercado do Vinho da Uniao Europeia. A alta de 3,3% no preco medio amorteceu a perda de receita, mas nao conteve a queda das quantidades: o granel perdeu 14,5% do volume e os espumantes foram a unica grande categoria a crescer em valor.

Comercio mundial de vinho cai 8,3% em volume no primeiro semestre de 2026

O comercio internacional de vinho e mosto encerrou o primeiro semestre de 2026 com queda de 8,3% em volume e de 5,2% em valor em relacao ao mesmo periodo de 2025, segundo analise divulgada pela Vinetur. A alta do preco medio, de 3,3%, amorteceu parte da queda do faturamento, mas nao evitou uma reducao mais intensa das quantidades vendidas. O mercado perde volume em ritmo mais rapido do que no segundo semestre do ano passado, ainda que a deterioracao das receitas tenha sido menor.

A avaliacao foi apresentada na quarta-feira, 30 de setembro, por Rafael del Rey, da consultoria Del Rey AWM, ao Observatorio do Mercado do Vinho da Uniao Europeia, com dados da S&P. A leitura separa com clareza o melhor desempenho dos espumantes, as dificuldades do granel e o recuo dos vinhos tranquilos, em que a queda de tintos e rosados pesa de forma especial nas exportacoes europeias de engarrafados.

Considerando apenas o vinho, sem o mosto, as exportacoes mundiais do semestre somaram 15.845,4 milhoes de euros e 43,1 milhoes de hectolitros, equivalentes a 4.310 milhoes de litros. Nesse perimetro, a queda foi de 5,1% em valor e de 8% em volume. Del Rey lembra que a abertura por categorias nao coincide exatamente com a serie geral de vinho e mosto, de modo que as duas leituras devem ser mantidas separadas.

Precos se estabilizam entre 3,60 e 3,70 euros por litro

A comparacao dos tres ultimos semestres mostra trajetorias distintas em valor e em volume. No faturamento, a queda anual do comercio mundial de vinho e mosto foi de 2,2% no primeiro semestre de 2025, passou a 9,7% no segundo e moderou-se para 5,2% entre janeiro e junho de 2026. Nas quantidades ocorreu o inverso: recuo de 3,9% no primeiro semestre de 2025, de 5,1% no segundo e de 8,3% nos seis primeiros meses de 2026. As tres taxas comparam cada semestre com o mesmo periodo do ano anterior, e nao com o semestre imediatamente anterior.

A diferenca se explica pela evolucao dos precos medios. Depois de subirem 1,8% no primeiro semestre de 2025 e caírem 4,8% no segundo, avancaram 3,3% no inicio de 2026. Del Rey situa os precos internacionais em uma faixa relativamente estavel, em torno de 3,60 e 3,70 euros por litro, apos as altas excepcionais que seguiram a pandemia. Ele associa boa parte da queda do segundo semestre de 2025 a reacao ao aumento das tarifas dos Estados Unidos, em especial na Franca, e ve tendencia de estabilizacao para 2026. Essa melhora da receita media por litro nao se traduziu em recuperacao do comercio, porque convive com uma queda mais intensa dos embarques.

Granel sofre o maior ajuste e espumantes sao a unica categoria em alta no valor

Por categorias, o ajuste mais forte ocorreu no granel. Suas exportacoes mundiais alcancaram 1.113,4 milhoes de euros, 12,5% menos, e 14 milhoes de hectolitros, 14,5% menos. O fato de o volume cair mais que o valor indica alta do preco medio, ainda que insuficiente para compensar a perda de quantidades comercializadas. Del Rey relaciona essa evolucao a uma combinacao de colheitas mais curtas em muitos paises produtores, precos mais altos e demanda enfraquecida. O recuo afetou o comercio entre paises da Uniao Europeia, os embarques do Canada para os Estados Unidos e as vendas de produtores distantes de seus mercados principais, como Chile e Nova Zelandia.

  • Os vinhos tranquilos engarrafados seguiram como a maior rubrica em receita, com 10.640,9 milhoes de euros, mas perderam 6,2% em valor e 5,3% em volume, para 22,5 milhoes de hectolitros. Diferentemente do granel, aqui o faturamento caiu mais que as quantidades, sem ganho de preco medio para suavizar o recuo.
  • Os espumantes apresentaram o balanco menos negativo: 3.756,7 milhoes de euros em vendas externas, alta de 0,3%, enquanto o volume recuou 1,2%, para 4,8 milhoes de hectolitros. Foram a unica das quatro grandes categorias a aumentar o faturamento.
  • O bag-in-box, identificado como BiB na estatistica, exportou 334,5 milhoes de euros e 1,7 milhao de hectolitros, com quedas de 3,1% em valor e de 2,5% em volume.

A serie longa reforca que o problema vai alem de um semestre. Desde 2017, na estatistica que inclui vinho e mosto, o valor do comercio mundial aumentou 5,1%, cerca de 1.600 milhoes de euros, apesar da perda de 18,9 milhoes de hectolitros, com preco medio 26,8% superior. Excluido o mosto, o vinho acumulou avanco de 4,9% em valor, tambem cerca de 1.600 milhoes de euros, com 18,7 milhoes de hectolitros a menos. No periodo, os espumantes cresceram 40,6% em valor e 22,9% em volume, unica categoria a ganhar quantidades exportadas. Os tranquilos engarrafados reduziram o volume em 20,4%, o granel em 21% e o bag-in-box em 18,8%; em valor, o engarrafado tranquilo caiu 2,5%, o granel 12,8%, e o bag-in-box cresceu 20,7%.

Espanha lidera a perda de quantidades e importacoes dos Estados Unidos caem 25,2%

Entre os principais fornecedores, quase todos venderam menos. Dos 17 exportadores analisados, apenas a Africa do Sul evitou queda de valor no primeiro semestre. Entre os tres grandes paises europeus, a Franca reduziu as vendas em 2,2%, a Italia em 6,2% e a Espanha em 8,9%. Em volume, a distancia foi maior: a Espanha caiu 16,8%, a Italia 4% e a Franca 1,5%. Del Rey atribui boa parte do recuo espanhol a menor saida de granel e entende que a Franca reduziu precos para defender melhor suas quantidades vendidas, estrategia que lhe permitiu ganhar fatia frente a Italia e a Espanha. Fora desse grupo, os Estados Unidos reduziram as exportacoes em 18,1% em valor, o Chile em 15,3% e a Nova Zelandia em 11,8%; em volume, os Estados Unidos recuaram 11,8%. Canada, Hungria e Moldavia tambem figuram entre os paises com quedas importantes de quantidades, embora a analise nao atribua uma taxa especifica a cada um. As excecoes positivas em volume foram Africa do Sul, Argentina e Belgica.

A fraqueza alcancou igualmente a maioria dos grandes compradores. Os Estados Unidos seguiram em primeiro por valor, com cerca de 2.430 milhoes de euros, mas suas importacoes cairam 25,2%; em volume, compraram 5,37 milhoes de hectolitros, 16,8% menos. Del Rey observa moderacao da deterioracao em relacao ao periodo anterior, ainda que siga como uma das correcoes mais intensas do mercado internacional. O Reino Unido ficou em segundo por valor, com cerca de 1.870 milhoes de euros e queda de 5,2%, e tambem em segundo em volume, com 5,41 milhoes de hectolitros, 2% menos. A Alemanha liderou as compras por quantidade, com 6,04 milhoes de hectolitros apesar da queda de 7,6%, e foi a terceira em valor, com cerca de 1.230 milhoes de euros, 6,2% menos. O Canada importou cerca de 770 milhoes de euros, 8% menos, e 1,75 milhao de hectolitros, 6,8% menos. Os Paises Baixos registraram cerca de 670 milhoes de euros, com baixa de 5,1%, e 1,69 milhao de hectolitros, tambem 6,8% menos. O Japao comprou cerca de 660 milhoes de euros, 7% menos, enquanto seu volume recuou apenas 0,6%, para 1,11 milhao de hectolitros.

Análise completa do mercado

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