Comércio agrícola entre México e Estados Unidos superou US$ 74 bilhões em 2025
O México exportou US$ 43,8 bilhões em produtos agrícolas para os Estados Unidos em 2025 e importou US$ 30,63 bilhões em mercadorias americanas do setor. A relação inclui frutas, hortaliças e bebidas mexicanas, além de grãos, carne, laticínios, soja e produtos avícolas dos Estados Unidos.
México lidera os fornecedores agrícolas dos Estados Unidos
O comércio agrícola entre México e Estados Unidos superou US$ 74 bilhões em 2025, refletindo a forte conexão entre a produção de alimentos e os mercados consumidores dos dois países. O El Imparcial, com base em dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, informou que o México vendeu US$ 43,8 bilhões em produtos agrícolas aos Estados Unidos e comprou US$ 30,63 bilhões em mercadorias americanas do mesmo setor.
Os produtos mexicanos representaram cerca de 21% de todas as importações agrícolas americanas, tornando o México o maior fornecedor estrangeiro do país. O México ficou à frente do Canadá, cujas vendas somaram US$ 39,3 bilhões. O comércio inclui frutas, hortaliças, bebidas e outros alimentos destinados ao consumidor. Entre os fatores que sustentam esse fluxo estão a demanda americana por abastecimento durante todo o ano e as diferenças entre as safras dos dois países. Segundo o USDA, quatro grandes grupos responderam por 70,7% das importações agrícolas americanas vindas do México, embora a fonte não tenha informado os valores individuais.
Grãos e proteínas dos Estados Unidos seguem para o sul
O fluxo inverso também é expressivo. O México foi o maior destino mundial das exportações agrícolas dos Estados Unidos em 2025, com compras de US$ 30,63 bilhões, equivalentes a 17,9% de todas as vendas agrícolas americanas ao exterior. Segundo o USDA, as exportações agrícolas dos Estados Unidos ao México cresceram cerca de 1% no ano.
As compras mexicanas incluem milho, laticínios, carne suína, soja e produtos avícolas. Esses fluxos abastecem o consumo de alimentos, o processamento doméstico e as cadeias pecuárias. Os embarques mexicanos para o norte, por sua vez, são concentrados em produtos hortifrutícolas, bebidas e destilados. A tequila mostra a concentração de algumas indústrias no mercado bilateral: Ana Cristina Villalpando, diretora da Câmara Nacional da Indústria da Tequila, afirmou, segundo o Reforma, que os Estados Unidos recebem 82% das exportações de tequila. Entre janeiro e julho de 2026, as exportações mexicanas de tequila e mezcal cresceram 17,05% em relação ao mesmo período de 2025, de acordo com o relatório da balança agroalimentar da Secretaria de Agricultura.
Restrições sanitárias expõem risco para as cadeias
O comércio de gado mostra como controles sanitários podem interromper rapidamente um mercado integrado. Os Estados Unidos fecharam as passagens para o gado mexicano após a propagação da bicheira. Depois de sucessivos períodos de restrição, o USDA iniciou uma reabertura gradual em 24 de agosto de 2026 pelo porto de Douglas, no Arizona, na fronteira com Sonora. A medida não representou uma abertura geral: o órgão manteve o processo em etapas e previa avaliar posteriormente as passagens de Santa Teresa e Columbus, no Novo México. Cada animal que entra nos Estados Unidos deve cumprir os protocolos estabelecidos contra a bicheira.
A interrupção anterior reduziu de forma acentuada os embarques mexicanos de gado. Entre janeiro e julho de 2026, o valor das exportações de bovinos continuava 99,97% abaixo do registrado um ano antes, segundo a Secretaria de Agricultura do México. Dados mais amplos mostram que o México manteve um superávit agroalimentar, embora as importações estivessem crescendo mais rapidamente que as exportações. Para o mesmo período de sete meses, a consultoria agrícola GCMA calculou exportações de US$ 32,173 bilhões, alta de 2,1%, e importações de US$ 27,725 bilhões, avanço de 5,7%. O superávit estimado em US$ 4,448 bilhões foi 15,9% menor que o de janeiro a julho de 2025. O El Imparcial observou que outra medição oficial apresentou números diferentes devido ao período de corte e à classificação adotada, mas as duas séries mostraram a mesma tendência: crescimento mais rápido das importações. Os números evidenciam a amplitude da dependência bilateral e a exposição de produtores, processadores e distribuidores a mudanças no acesso sanitário, na política de fronteira e na demanda dos dois mercados.