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Carne bovina brasileira terá de esperar ao menos dois anos para voltar à UE

As exportações brasileiras de carne bovina para a UE podem permanecer suspensas por pelo menos dois anos, pois os animais devem cumprir as regras europeias sobre antibióticos durante toda a vida. A restrição afasta um fornecedor importante enquanto os preços sobem na Espanha.

Carne bovina brasileira terá de esperar ao menos dois anos para voltar à UE

Rastreabilidade desde o nascimento adia o retorno

A carne bovina brasileira dificilmente voltará no curto prazo aos supermercados da União Europeia, apesar das mudanças feitas pelo Brasil em seu sistema de rastreabilidade. Um responsável pelas auditorias sanitárias da Comissão Europeia afirmou que a suspensão pode durar pelo menos dois anos. Os exportadores terão de demonstrar que o gado destinado à UE cumpriu durante toda a vida as normas europeias sobre o uso de antibióticos.

A UE suspendeu em 3 de setembro as importações brasileiras de carne bovina, aves e outros produtos de origem animal. Segundo o Libertad Digital, a medida foi adotada pela falta de garantias suficientes de cumprimento das regras comunitárias para o uso de antibióticos na pecuária. A duração da restrição permanecia incerta, assim como a possibilidade de as mudanças recentes na rastreabilidade brasileira permitirem a rápida retomada dos embarques.

Eric Thevenard, diretor responsável pelas auditorias sanitárias da Comissão Europeia, tratou do tema em uma reunião da Comissão de Agricultura do Parlamento Europeu. Ele afirmou que o Brasil precisa manter um sistema capaz de rastrear desde o nascimento os animais cuja carne será destinada à UE. “O tempo entre o nascimento e o abate será de cerca de dois anos”, disse Thevenard, segundo a Agriland.

Isso significa que mudanças técnicas, por si só, não podem restabelecer imediatamente o comércio. Mesmo que o Brasil corrija agora as falhas de rastreabilidade, os exportadores terão de esperar que os animais monitorados pelo sistema adequado completem seu ciclo produtivo. Pelo cronograma descrito por Thevenard, a carne elegível não estará disponível por pelo menos dois anos.

Um importante canal de fornecimento está suspenso

A restrição é relevante porque o Brasil está entre os principais fornecedores externos de carne bovina da UE. Em 2025, o país exportou mais de 92 mil toneladas ao bloco, no valor superior a 713 milhões de euros, segundo dados citados pela Agriland. Esses fluxos davam aos compradores europeus acesso a volumes consideráveis e representavam um canal comercial importante para frigoríficos e pecuaristas brasileiros.

Somente a Espanha importou 19,1 mil toneladas de carne bovina brasileira em 2025, avaliadas em aproximadamente 119 milhões de euros, segundo o Ministério da Agricultura espanhol. A suspensão elimina uma origem relevante das opções de importadores, varejistas e empresas de alimentação. Enquanto a restrição permanecer, essas companhias terão de recorrer à produção doméstica ou a outros fornecedores autorizados.

O impacto dependerá da disponibilidade e do preço da oferta substituta. As fontes não apresentam números sobre origens alternativas nem estimam o volume que poderia ser substituído. A ausência prolongada da carne brasileira, porém, reduz a flexibilidade de compra e pode fortalecer a posição dos fornecedores que mantêm acesso ao mercado europeu.

Consumidores espanhóis já enfrentam preços maiores

A suspensão coincide com uma forte alta dos preços da carne bovina na Espanha. Os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística espanhol, referentes a agosto, mostram avanço de 9,4% em 12 meses. A taxa foi mais de duas vezes superior à inflação geral do país, de 4,3%.

A restrição, isoladamente, não comprova que tenha causado o aumento, mas retira um grande fornecedor estrangeiro quando a carne já está ficando mais cara. Para os pecuaristas espanhóis, a menor concorrência brasileira pode sustentar os preços. Para frigoríficos, varejistas e importadores, a medida reduz as alternativas de compra e amplia a exposição aos custos da Espanha e de outros mercados autorizados.

O retorno do Brasil agora depende da comprovação de conformidade durante toda a vida do gado de exportação, e não apenas na etapa final de processamento. O ciclo produtivo de dois anos torna a interrupção bem mais longa que um atraso administrativo convencional. Até que os animais adequados atinjam a idade de abate, os compradores europeus terão de planejar suas compras sem os volumes brasileiros que chegaram ao mercado em 2025.

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