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Ascensão global do frango transforma produção e comércio de carne

O frango ultrapassou a carne suína em 2022 e tornou-se a principal carne do mundo em produção e consumo, segundo reportagens baseadas em dados da FAO. A produção alcançou 76,2 bilhões de aves em 2023, enquanto o consumo de carne de aves deve crescer cerca de 21% até 2034.

Ascensão global do frango transforma produção e comércio de carne

De alimento caro a proteína de consumo em massa

O frango ultrapassou a carne suína e tornou-se a principal carne do mundo, após deixar de ser um alimento relativamente caro para virar uma fonte padronizada e acessível de proteína. O Financial Times, citado por Skai e Cretalive, indica que a ultrapassagem ocorreu em 2022. A produção mundial aumentou de 48,3 bilhões de aves em 2006 para 76,2 bilhões em 2023.

Durante grande parte do século XX, os produtores criavam galinhas principalmente para obter ovos. As aves destinadas à carne eram frequentemente poedeiras no fim do ciclo produtivo ou galos jovens. O historiador da indústria alimentar Roger Horowitz observa que, nos Estados Unidos do século XIX, o frango podia custar mais do que a carne bovina. Refrigeração, ferrovias, urbanização e supermercados criaram posteriormente a infraestrutura de um mercado nacional de massa.

A partir de aproximadamente 1930, os supermercados dos Estados Unidos passaram a exigir um produto padronizado, que pudesse ser refrigerado, dividido em porções e vendido a baixo preço. Após a Segunda Guerra Mundial, os concursos de criação “Chicken of Tomorrow” estimularam aves com mais carne, crescimento acelerado e melhor conversão alimentar. Avanços em genética, nutrição e gestão das granjas encurtaram os ciclos de produção e reduziram custos.

Brasil lidera uma indústria cada vez mais local

Os Estados Unidos foram pioneiros no modelo industrial de avicultura, mas ele agora está disseminado globalmente. O Brasil tornou-se o maior exportador de carne de frango, com cerca de 4,9 milhões de toneladas embarcadas em 2024, segundo dados da FAO analisados pelo Financial Times. Em 2000, o volume era de aproximadamente 910 mil toneladas, enquanto as exportações norte-americanas recuaram nos últimos anos.

O comércio internacional continua relevante, mas países da Ásia, do Oriente Médio e da África também investem em granjas, incubatórios, fábricas de ração e unidades de processamento próprias. Os governos consideram a capacidade avícola local um ativo econômico e um instrumento de segurança alimentar. A China demonstra a dimensão da demanda: a Yum China abriu 457 restaurantes KFC no primeiro trimestre de 2026 e elevou a rede chinesa para 13.454 unidades no fim de março.

Os processadores também podem direcionar cada corte ao mercado onde obtenha o maior valor. Pés de frango, pouco valorizados em muitos supermercados ocidentais, têm demanda na China para dim sum, pratos de restaurantes e petiscos prontos para consumo. A possibilidade de comercializar quase toda a ave favorece o processamento integrado e o comércio internacional.

Demanda crescente encontra limites de capacidade

O frango se beneficia dos preços elevados da carne bovina, das dietas ricas em proteína e da expansão das redes de fast-food. Também enfrenta menos restrições religiosas e culturais do que a carne suína ou bovina e pode ser incorporado a diferentes culinárias. O McDonald’s afirma que sua categoria global de frango tem hoje aproximadamente o dobro do tamanho da categoria bovina e cresce mais rapidamente, enquanto o McCrispy chega a quase todos os principais mercados.

A OCDE e a FAO projetam crescimento de cerca de 21% no consumo mundial de carne de aves até 2034, ante 16% para a carne bovina e 5% para a suína. O relatório mais recente das organizações afirma que a produção total de carne cresceu 1,4% em 2025, para 375 milhões de toneladas, liderada pelas aves. A expansão, porém, enfrenta oposição relacionada à poluição por esterco e resíduos, às emissões de gases de efeito estufa, ao bem-estar animal e às granjas intensivas. A gripe aviária também perturbou a produção e o comércio, enquanto disputas urbanísticas e resistência local dificultam novas granjas e fábricas. O frango tem pegada ambiental por quilograma menor do que a carne bovina, mas a enorme escala da indústria mantém significativo o impacto total.

Análise completa do mercado

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