USDA eleva safra de trigo da Romênia para 12,5 milhões de toneladas
O relatório de agosto do USDA elevou em 1,5 milhão de toneladas a previsão de trigo da Romênia para 2026/27, para 12,5 milhões de toneladas. A oferta maior pressionou os preços, mas as interrupções em Novorossiysk recuperaram o prêmio de risco geopolítico.
Previsão de trigo da Romênia sobe 13,6%
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos elevou no relatório de agosto a produção de trigo da Romênia em 2026/27 de 11 milhões para 12,5 milhões de toneladas, segundo a Agrointel. O aumento de 1,5 milhão de toneladas, equivalente a 13,6%, reflete em parte uma área colhida maior. O USDA agora estima essa área em 2,37 milhões de hectares, ante 2,25 milhões em julho.
As revisões também alcançaram outras culturas. A previsão de cevada passou de 3,2 milhões para 3,4 milhões de toneladas, enquanto a área permaneceu em 635 mil hectares. A estimativa de milho ficou em 7,237 milhões de toneladas sobre 1,68 milhão de hectares. Nas oleaginosas, a produção de girassol subiu de 2,28 milhões para 2,60 milhões de toneladas, avanço de 320 mil toneladas ou 14%, com área mantida em 1,22 milhão de hectares. A soja aumentou de 270 mil para 310 mil toneladas, enquanto a colza permaneceu em 3,52 milhões de toneladas.
Estoques globais de trigo sobem e comércio recua
Para 2026/27, o USDA estima a oferta mundial de trigo em 1,0995 bilhão de toneladas, 500 mil toneladas acima da previsão anterior, principalmente devido a estoques iniciais maiores. As estimativas de produção foram reduzidas para 134 milhões de toneladas na UE, 12 milhões no Reino Unido e 6,1 milhões no Brasil, após temperaturas acima da média afetarem a produtividade.
A previsão para o comércio mundial de trigo caiu 300 mil toneladas, para 212,7 milhões. A Agrointel associou a revisão às menores exportações projetadas da Rússia, de 46 milhões de toneladas, e da Ucrânia, de 13,5 milhões, diante de problemas logísticos nos mares de Azov e Negro. Mesmo assim, os estoques finais globais aumentaram 400 mil toneladas, para 273,3 milhões. Nos Estados Unidos, a produção de trigo foi reduzida para 41,66 milhões de toneladas devido à menor área colhida e produtividade. O consumo doméstico e as exportações ficaram inalterados, mas os estoques finais recuaram para 19,51 milhões de toneladas, 22% abaixo do ano anterior.
Balanços de milho e soja mudam
O USDA elevou a produção mundial de milho, incluindo projeções de 17,2 milhões de toneladas para a Rússia e 31,8 milhões para a Ucrânia. O crescimento foi parcialmente compensado pelo corte da UE para 50,2 milhões de toneladas, onde calor extremo e seca enfraqueceram as perspectivas de produtividade e área. A produção dos Estados Unidos foi estimada em 406,75 milhões de toneladas, o que, segundo a Agrointel, seria a segunda maior safra da história do país. As exportações americanas subiram para 83,19 milhões de toneladas diante da demanda global mais forte e da redução da previsão ucraniana para 22 milhões. Os estoques mundiais de milho caíram 600 mil toneladas, para 274,7 milhões.
A previsão de milho do Brasil para 2025/26 subiu de 138 milhões para 140 milhões de toneladas, enquanto a Argentina permaneceu em 63 milhões. A produção mundial de soja em 2026/27 foi elevada para 442,25 milhões de toneladas, com o crescimento americano compensando em grande parte a redução da Ucrânia. As exportações globais ficaram inalteradas, pois a queda dos embarques ucranianos foi equilibrada por maiores exportações argentinas, de 6,45 milhões de toneladas. Após o relatório, os preços dos grãos devolveram parte dos ganhos, mas continuaram sustentados pelos riscos logísticos no mar Negro. Segundo a Agrointel, um ataque ucraniano ao porto russo de Novorossiysk atingiu dois terminais de grãos e recuperou o prêmio geopolítico em um dos principais pontos de exportação do trigo russo.
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