Setor turco da avelã sob pressão: custos 50% maiores e preços ao produtor 40% menores
Os custos de produção dos avelãzeiros turcos estão pelo menos 50% acima do ano passado, enquanto os preços caíram cerca de 40%, para a faixa de 180 a 200 liras, segundo o jornal econômico Dünya. A Turquia responde por cerca de 70% da oferta mundial, mas as exportações de 2025 ficaram em 2,2 bilhões de dólares, 85 mil toneladas e 300 milhões abaixo de 2024.
O setor turco da avelã, que responde por cerca de 70% da oferta mundial, atravessa um gargalo severo: os custos de produção sobem e os preços pagos no campo caem, informa o jornal econômico Dünya. Os produtores estão presos entre despesas pelo menos 50% maiores que as do ano passado e preços cerca de 40% menores, enquanto o lado comprador afirma que a queda na qualidade da amêndoa dificulta colocar a mercadoria nos mercados de exportação.
A safra desta temporada é esperada em torno de 700 mil toneladas. Apesar do volume, os preços seguem travados entre 180 e 200 liras, e as reclamações sobre qualidade são usadas para puxá-los ainda mais para baixo. O produtor, sob o risco de ficar com o produto encalhado, tem pouca alternativa a aceitar esses níveis.
Custos +50%, preços -40%
Os gastos com manutenção dos pomares — fertilizante, tratos culturais, pulverização, roçada — e a mão de obra de colheita subiram com força, segundo o Dünya, que descreve produtores economicamente exauridos. Com despesas mais de 50% maiores e preço de venda 40% menor, cultivar avelã deixou de dar lucro; e quando o agricultor corta a manutenção do pomar, o problema de qualidade se aprofunda. O percevejo-marrom-marmorizado continua sendo um fator, ainda que seu impacto tenha diminuído um pouco nesta temporada.
O preço de 250 liras anunciado pelo comprador estatal TMO não funciona como piso, aponta o Dünya: as compras são limitadas a 100 kg por dönüm, vender ao TMO não é simples e o valor se refere a avelã com rendimento de amêndoa de 50%. Como o TMO não entrou com força no mercado, os comerciantes abriram a temporada a 170 liras. A FİSKOBİRLİK, união cooperativa criada para atuar como formadora de mercado, perdeu essa função e tenta comprar abaixo das 255 liras anunciadas.
Receita de exportação abaixo do potencial
O volume anual de exportação do setor chega a 2,5 bilhões de dólares e a Turquia lidera o mercado global, mas o Dünya alerta que a crise estrutural nos pomares coloca essa liderança em risco. A receita de exportação oscila entre 1,7 bilhão e 2,6 bilhões de dólares por ano e equivale a cerca de 1% das exportações totais do país. Em 2025, as vendas externas somaram 2,2 bilhões de dólares, queda de 85 mil toneladas e 300 milhões em relação a 2024. Mesmo com expectativa de safra alta, o aumento de custos, a queda de preços e o dano do percevejo à qualidade criam o risco de a receita ficar abaixo do potencial.
Os concorrentes — Estados Unidos, Itália e Geórgia, que juntos respondem por 30% da produção mundial — trabalham para converter as falhas turcas em vantagem própria. Quando a oferta cresce ou os preços disparam, compradores globais e as grandes fabricantes de chocolate podem migrar para matérias-primas substitutas.
Pomares velhos e lotes fragmentados
A maior parte dos pomares turcos de avelã tem 50 a 60 anos e já cumpriu sua vida econômica. O rendimento por decare é de cerca de 80 a 100 kg na Turquia, contra 250 a 300 kg nos Estados Unidos e na Itália com sistemas modernos de plantio; converter os pomares do sistema tradicional de touceira (ocak) para plantio em linha ou em cerca viva elevaria a produtividade em duas a três vezes. A herança fragmentou os lotes a ponto de inviabilizar manutenção e colheita mecanizadas, com o custo unitário no máximo, o que exige consolidação legal das áreas até uma escala operacional viável.
Medidas em discussão
- Apoio voltado a custos, mirando diretamente fertilizante, defensivos e mão de obra, além de crédito agrícola a juros baixos, em vez do clássico apoio à renda por área.
- Um preço mínimo fixado em nível que cubra os custos de produção e a renda do agricultor, fim das cotas e mais capacidade de armazenagem e de armazéns licenciados, para que o Estado atue como comprador forte.
- Uma nova união de produtores, do âmbito regional ao nacional, substituindo estruturas que perderam o papel de formadoras de mercado.
- Incentivos específicos para plantas de maior valor agregado — pasta de avelã, farinha de avelã, óleo de avelã, chocolate industrial e insumos cosméticos — já que a Turquia embarca a avelã sobretudo com casca ou em amêndoa a granel, enquanto processadores europeus ficam com a margem do chocolate e do praliné.
- Centros regionais de combate a pragas ao longo do mar Negro, com sistemas de alerta precoce coordenados pelo Ministério da Agricultura, incluindo criação em laboratório e liberação de agentes biológicos como a vespa samurai, contra o percevejo e o oídio.
- Uma bolsa da avelã com validade internacional, sediada em Giresun ou Ordu, apoiada em armazenagem licenciada e financiamento ao produtor assim que a mercadoria for depositada, para encerrar a dependência dos preços definidos por compradores em Hamburgo e na Itália.
O Dünya defende ainda o abandono do modelo do "agricultor de feira" — proprietários que vivem longe da região e só aparecem no pomar na colheita — com a gestão dos pomares transferida a empresas agrícolas profissionais ou a cooperativas fortes, e contratos com garantia de compra e critérios de qualidade firmados entre produtores e indústrias ou cooperativas.