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Tempo seco e avanço do etanol de milho derrubam preços em São Paulo

Açúcar e etanol recuaram em São Paulo porque o tempo seco acelerou a colheita e a moagem da cana. A expansão do etanol de milho e as vendas agressivas de usinas em busca de liquidez aumentaram a pressão.

Tempo seco e avanço do etanol de milho derrubam preços em São Paulo

Colheita mais rápida amplia a oferta

Os preços do açúcar cristal branco e dos dois principais tipos de etanol caíram em São Paulo depois que o tempo seco acelerou a colheita e a moagem da cana, informou O TEMPO com base em dados da BBM Bolsa. A ausência de chuva permitiu intensificar os trabalhos nas principais regiões produtoras do Sudeste e processar mais matéria-prima, elevando o volume de açúcar e biocombustível disponível aos compradores.

O etanol hidratado foi cotado a R$ 2,0454 por litro, com queda semanal de 1,49%. O preço médio do etanol anidro recuou 2,71%, para R$ 2,3141 por litro. A saca de 50 quilos de açúcar cristal branco encerrou o período a R$ 91,50 e abriu a sessão seguinte com nova baixa de 0,74%, a R$ 90,82.

Estoques crescem e usinas disputam liquidez

Grandes entregas de produtores paulistas e de outros estados elevaram os estoques nas bases de distribuição. Segundo O TEMPO, algumas usinas também precisam de caixa e adotaram uma política comercial mais agressiva, concedendo descontos para garantir liquidez. A moagem acelerada, os tanques cheios e as concessões de preço fortaleceram a posição dos compradores no mercado físico.

A oferta também é elevada no cenário nacional. A Companhia Nacional de Abastecimento, Conab, estima a safra de cana em 709,1 milhões de toneladas, o segundo maior volume da história do Brasil. A colheita oferece uma ampla base de matéria-prima, embora a decisão das usinas sobre quanto destinar à fabricação de açúcar ou etanol continue determinando a disponibilidade de cada produto.

Etanol de milho pressiona além da safra de cana

A expansão do etanol de milho reforça o aumento da oferta de combustível. A produção deve crescer 12,3%, para o recorde de 11,4 bilhões de litros, com a indústria concentrada principalmente no Centro-Oeste. Diferentemente da cana, o milho permite produzir etanol durante a entressafra canavieira, mantendo o abastecimento ao longo do ano e influenciando de forma mais contínua os preços nas usinas, bases de distribuição e bombas.

O setor também acompanha o El Niño. A Organização Meteorológica Mundial prevê que o fenômeno continue se intensificando e atinja o pico entre agosto e outubro de 2026. Chuvas mais frequentes no Centro-Sul durante o segundo semestre podem favorecer o desenvolvimento vegetativo dos canaviais para a próxima safra. Na colheita atual, porém, podem causar atrasos localizados e reduzir o Açúcar Total Recuperável, ATR, indicador essencial do valor comercial da cana.

Clima define o equilíbrio de curto prazo

No curto prazo, a continuidade do tempo seco permitiria manter o ritmo acelerado de colheita e moagem, prolongando a pressão sobre os preços físicos. Comerciantes e distribuidores acompanharão a velocidade das vendas e os níveis de armazenamento, enquanto os produtores precisarão comparar a necessidade imediata de caixa com o valor de manter estoques.

A chegada de um período mais chuvoso mudaria esse equilíbrio. Interrupções podem limitar a oferta imediata e desacelerar a queda dos preços, mas um ATR menor também reduziria o volume de açúcar recuperável por tonelada de cana. Enquanto isso, a produção recorde de etanol de milho oferece uma proteção adicional aos compradores de combustível e reduz a dependência do mercado em relação ao calendário da safra canavieira.

Análise completa do mercado

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