Tailândia corta importação de batata para processamento a 78 mil toneladas e destrói produto contrabandeado
O Ministério da Agricultura e Cooperativas da Tailândia reduziu para 78 mil toneladas o volume de batata fresca destinada ao processamento que poderá ser importado em 2026 e confirmou que produtos frescos contrabandeados sem certificado fitossanitário serão destruídos de imediato, sem leilão. Outras quatro medidas, sobre calendário de importação de cebola, tarifas e compra prioritária a agricultores tailandeses, seguem para o comitê em 3 de setembro de 2026.
O Ministério da Agricultura e Cooperativas da Tailândia está reequilibrando os volumes de importação de bulbos e tubérculos e endurecendo o combate ao contrabando de produtos agrícolas, informa o Bangkokbiznews. As medidas são apresentadas como parte de uma política para levar o país além do rótulo antigo de “cozinha do mundo” rumo ao que o ministério chama de “despensa do mundo” — um posicionamento assentado na segurança alimentar e no aumento sustentado da renda agrícola.
Krit Uttamawethin, secretário permanente adjunto do Ministério da Agricultura e Cooperativas, apresentou as decisões após presidir a segunda reunião de 2026 do subcomitê responsável pela gestão da produção e da comercialização de alho, chalota, cebola e batata. O subcomitê analisou o marco de abertura de mercado decorrente dos compromissos junto à Organização Mundial do Comércio e do acordo de livre comércio entre Tailândia e Butão, com o objetivo declarado de aplicá-los de forma equilibrada e justa.
Volume de batata importada cai para 78 mil toneladas
A reunião concordou em reduzir para 78 mil toneladas o volume de batata fresca admitida para processamento em 2026. A batata destinada à indústria de transformação é uma das posições sensíveis administradas dentro dos compromissos de acesso a mercado da Tailândia, e o volume anual é o principal instrumento pelo qual o ministério equilibra a demanda das processadoras e os interesses dos produtores locais.
Além da decisão sobre volume, o subcomitê aprovou uma abordagem de gestão da cadeia de suprimentos voltada a ligar diretamente os grupos de agricultores aos compradores comerciais. Os objetivos declarados são reduzir custos de produção e ampliar a competitividade. O ministério quer ainda que os números do consumo interno sirvam de referência para o planejamento produtivo, de modo que a oferta tailandesa cresça especificamente para substituir volumes importados, e não para buscar mercados de exportação.
Mercadoria apreendida é destruída, não leiloada
A fiscalização foi reforçada em paralelo. Segundo o Bangkokbiznews, as apreensões ligadas ao contrabando de cebola e chalota subiram de forma contínua no primeiro semestre de 2026, resultado de operações conjuntas entre o ministério e outros órgãos. O subcomitê frisou que esse trabalho de fiscalização caminha junto com as medidas de proteção de preços e da produção, e não em separado.
O ministério confirmou que aplicará a lei de quarentena vegetal sem exceções: produtos agrícolas frescos trazidos ao país sem certificado fitossanitário serão destruídos de imediato, e sua venda em leilão está expressamente proibida. A justificativa é fitossanitária — impedir a entrada de novas doenças de plantas e de insetos-praga capazes de danificar as lavouras tailandesas — além da defesa da renda dos produtores nacionais.
Quatro medidas vão ao comitê de apoio aos agricultores em 3 de setembro
O subcomitê aprovou em princípio um conjunto de propostas do setor agrícola, que serão encaminhadas como quatro medidas ao Comitê de Política e Medidas de Apoio aos Agricultores em 3 de setembro de 2026. Três delas são detalhadas na reportagem:
- Administrar o calendário de importação de cebola fresca para que não coincida com o período em que a produção tailandesa chega ao mercado, de novembro a junho.
- Aplicar tarifas nos níveis que o ministério considerar adequados.
- Pedir às empresas que priorizem a compra de agricultores tailandeses antes de buscar fornecimento no exterior.
Esse comitê é o órgão que aprova medidas de proteção de preços e estabilização de renda para os agricultores tailandeses, de modo que a sessão de 3 de setembro definirá se as propostas passam do princípio à execução.
Da “cozinha do mundo” à “despensa do mundo”
O ministério apresenta o pacote como a combinação de aplicação rigorosa da lei contra mercadoria contrabandeada e de uma estrutura de gestão que alinha as importações agrícolas às necessidades internas. Proteger as colheitas tailandesas de doenças e de condições de dumping é descrito como forma de defender a renda na base da economia agrícola e sustentar a segurança alimentar nacional. Para importadores, processadores e traders, o efeito prático é uma janela mais estreita e com calendário mais rígido para trazer bulbos e tubérculos, com a pressão de suprimento migrando para contratos internos.