Consumo de carne na Rússia atinge recorde de 100,7 kg por pessoa, impulsionado pelo frango
Segundo estimativas do Rosstat, o consumo per capita de carne e produtos cárneos na Rússia atingiu no ano passado um máximo histórico de 100,7 kg em equivalente carne, ante 99,9 kg no ano anterior. Todo o aumento veio da carne de aves, que subiu para 26,3 kg, enquanto a suína recuou para 17,1 kg e a bovina ficou em 9,3 kg. O economista Leonid Kholod associa o recorde à queda dos preços reais do frango e do porco aos níveis de 2020-2021.
O consumo per capita de carne e produtos cárneos na Rússia atingiu no ano passado um máximo histórico de 100,7 kg em média, em equivalente carne, segundo estimativas do Rosstat divulgadas pelo Agroinvestor. Um ano antes o indicador era de 99,9 kg. Os cálculos da RIA Novosti, citados pelo Lenta.ru, confirmam que a marca de 100 kg por pessoa ao ano foi ultrapassada pela primeira vez.
Todo o aumento veio das aves
A carne de aves registrou o avanço mais visível. O Agroinvestor aponta consumo de 26,3 kg por pessoa em 2025, contra 25,3 kg em 2024. O Lenta.ru, citando a RIA Novosti, indica 26,4 kg para o mesmo ano: as duas estimativas diferem em 0,1 kg, mas ambas apontam ganho de cerca de um quilo concentrado no frango.
Carne bovina e de vitela ficaram praticamente estáveis, em 9,3 kg por pessoa ante 9,4 kg em 2024. A carne suína seguiu na direção oposta e recuou de 17,4 kg para 17,1 kg por pessoa ao ano. O recorde, portanto, foi construído exclusivamente sobre a proteína animal mais barata da cesta, e não sobre uma alta generalizada entre as espécies.
Os produtos processados não mostraram mudanças relevantes. Os embutidos responderam em média por 10,5 kg por pessoa, e os semiprontos e produtos cárneos prontos para consumo, por 10,3 kg. O consumo de salsichas e linguiças tipo salsichão caiu para 5,2 kg por pessoa ao ano.
A demanda se concentra na proteína barata
Leonid Kholod, doutor em Ciências Econômicas, atribui a demanda recorde a vários fatores, entre eles o fato de os preços do frango e do porco em termos reais, ajustados pela inflação, terem caído aos níveis de 2020-2021. Seu comentário foi veiculado pela rádio Govorit Moskva e reproduzido pelo Lenta.ru.
“Agora os tipos de carne muito caros se separaram e são menos ofertados no mercado. Por isso a demanda se concentrou na carne barata: aves e suína”, afirmou Kholod. Ele acrescentou que o pescado ocupa espaço limitado na dieta russa: “Aqui não se come muito peixe, então tudo é despejado sobre esses tipos de carne relativamente baratos.”
A Rússia já está na faixa dos mercados desenvolvidos
O consumo médio mundial de carne per capita é de 29,3 kg por ano, segundo dados da FAO citados por Dmitry Aveltsov, diretor do Centro de Agroanálise do Ministério da Agricultura da Rússia, na conferência “Agroinvestor: PRO pecuária e rações”. Em 2010 o número mundial era de 26 kg. Por região, Estados Unidos e União Europeia consomem de 90 a 120 kg, a América Latina de 80 a 100 kg, a Ásia de 30 a 70 kg e a África menos de 20 kg — o que coloca os 100,7 kg da Rússia dentro da faixa típica dos mercados desenvolvidos.
“De um lado a população cresce, de outro aumenta o consumo de carne por pessoa. Daí concluímos que a tendência mundial continua sendo o crescimento sustentado do consumo de carne, ou seja, a demanda vai crescer”, disse Aveltsov, acrescentando que o aumento global é formado por países com consumo atualmente baixo.
O frango é o principal motor e o fator de crescimento mais estável no mundo. Pelos dados da FAO, entre 2010 e 2024 o consumo desse tipo de carne cresceu em média 2,7% ao ano. No mesmo período, o avanço anual foi de cerca de 1% para a carne suína e também de aproximadamente 1% para a bovina, cujo consumo, porém, estagna nos países desenvolvidos por causa do preço elevado, inclusive frente às aves, e de questões ambientais.
Projeções e risco de planejamento
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos espera estabilização do mercado suíno em 2026, com produção 0,6% maior e exportações 0,5% maiores. As aves seguem como principal motor, com altas de 2,5% e 3,5%, respectivamente, enquanto para bovinos se projeta queda de 1,1% na produção e de 0,8% nas exportações, com o déficit sustentando os preços.
Para os produtores russos, o recorde não garante trajetória estável. O especialista independente do mercado de carnes Musheg Mamikonyan afirmou no “Fórum de Analistas de Carne 2.0” que o consumo provavelmente oscilará nos dois sentidos. Essa é uma das razões pelas quais o setor de carnes como um todo, e as empresas em particular, tornaram-se menos previsíveis do que antes, com riscos concretos para o planejamento de investimentos.