Rússia absorve mais de 95 % das exportações de maçã da Geórgia no primeiro semestre de 2026
A Geórgia exportou 14.700 toneladas de maçãs por 11,2 milhões de dólares no primeiro semestre de 2026, mais de 95 % com destino à Rússia, segundo a Geostat. O volume subiu 37 % e a receita 67 % em base anual.
Exportação de maçã georgiana concentrada na Rússia
A Geórgia exportou 14.700 toneladas de maçãs por 11,2 milhões de dólares no primeiro semestre de 2026, e mais de 95 % desse volume seguiu para a Rússia, segundo dados do serviço nacional de estatística Geostat e do Ministério da Proteção Ambiental e Agricultura da Geórgia. O ministério classificou a Rússia como o "principal mercado de exportação".
As remessas físicas subiram 37 % e a receita 67 % em relação ao mesmo período de 2025, um aumento de cerca de 4,5 milhões de dólares, informou o jornal Kommersant citando a Geostat. O salto mais acentuado ocorreu em maio, quando o valor das entregas de maçã à Rússia mais que quintuplicou em um mês. O avanço prolonga uma boa fase para os fruticultores georgianos, cujas vendas de maçã ao exterior crescem em volume e em valor.
Volumes pequenos em outros destinos
Além da Rússia, os exportadores georgianos enviaram apenas pequenas partidas para a Turquia, a Armênia e o Iraque, segundo o ministério. Sua participação conjunta permanece marginal frente ao total russo. A dependência não é nova: no mesmo período de 2025, a Rússia já respondia por cerca de 95 % das exportações de maçã da Geórgia.
Em doze meses, de agosto de 2025 a junho de 2026, as exportações de maçã da Geórgia ultrapassaram 24.000 toneladas por 18,2 milhões de dólares, o nível mais alto em cinco anos, segundo o Kommersant. A colheita ocorre no leste do país, nos distritos de Gori e Kareli, e chega à Rússia por rodovia através do posto de fronteira de Verkhni Lars, no trecho da Ossétia do Norte.
Déficit de oferta russo impulsiona a demanda
O aumento reflete uma escassez no mercado russo. A autossuficiência da Rússia em maçãs está em 83 %, afirmou no início do verão a primeira vice-ministra da Agricultura, Elena Fastova, acrescentando que o país ainda tem margem a alcançar em segurança alimentar e que pretende chegar à autossuficiência plena de 100 % até 2030. Enquanto os pomares nacionais não fecham essa lacuna, a fruta importada supre a falta, e os produtores georgianos estão entre os beneficiados.
A concentração corta dos dois lados
O comércio agrícola mais amplo da Geórgia com a Rússia mostra a mesma dependência. As remessas de pêssego e nectarina atingiram um recorde de 2.900 toneladas no primeiro semestre de 2025, e naquele ano a Rússia comprou 6.364 toneladas de mirtilos georgianos, o equivalente a 95,5 % da produção nacional, informou o Kommersant. Mas os fluxos podem se inverter: as exportações de tangerina para a Rússia caíram 2,6 vezes em 2025 ante 2024, e as entregas de vinho georgiano recuaram 43,7 % no primeiro semestre de 2025 após a Rússia introduzir impostos especiais de consumo. Para os importadores do lado russo, a maçã continua sendo uma fonte próxima e conveniente; para os exportadores georgianos, a concentração deixa a receita exposta a qualquer mudança na demanda ou nas tarifas russas.