Liderança da Roménia no girassol expõe diferença entre exportar semente e importar óleo
A Roménia colheu mais de 1,8 milhões de toneladas de sementes de girassol em 2025 e exportou mais de 700.000 toneladas. Ao mesmo tempo, as importações de óleo refinado superaram 21.000 toneladas, destacando a importância da capacidade interna de processamento.
Roménia mantém a liderança europeia
A Roménia colheu mais de 1,8 milhões de toneladas de sementes de girassol em 2025, cerca de 21% de toda a produção da União Europeia, segundo dados da Comissão Europeia citados pelo Oficiul de Știri. O resultado manteve o país à frente de outros grandes produtores da UE, entre eles Hungria, Bulgária e França.
A colheita permaneceu abaixo do nível de 2023, quando a produção superou 2 milhões de toneladas. Ainda assim, a participação romena confirma o papel central do país no mercado regional de girassol e dá aos seus agricultores, comerciantes e esmagadores acesso a uma grande oferta interna de matéria-prima.
Exportações de sementes aumentam com preço médio menor
As exportações romenas de sementes de girassol cresceram fortemente em 2025. O seu valor passou de 181,5 milhões de € em 2023 para quase 422 milhões de € em 2025, segundo dados do Eurostat noticiados pelo Oficiul de Știri. O valor havia recuado para cerca de 100 milhões de € em 2024 antes de recuperar no ano seguinte.
Os volumes seguiram a mesma direção. A Roménia embarcou cerca de 244.000 toneladas em 2023 e mais de 700.000 toneladas em 2025. A expansão veio acompanhada de menor valor unitário: o preço médio de exportação foi de 0,60 € por quilograma em 2025, cerca de 3 leus por quilograma, 20% abaixo dos 0,77 € de 2024. Em 2023, o preço era de aproximadamente 0,74 € por quilograma.
Os números mostram que a Roménia aumentou a receita de exportação ao movimentar muito mais sementes, embora tenha recebido menos por cada quilograma. Para produtores e comerciantes, essa combinação aumenta a exposição ao volume da colheita, aos custos logísticos e às oscilações dos preços agrícolas. Também significa que uma parcela relevante da safra deixa o país antes das etapas de esmagamento e refinação, nas quais pode ser criado valor adicional.
Importações de óleo refinado continuam a crescer
As compras externas de óleo de girassol refinado aumentaram nos três anos citados. O valor subiu de mais de 9 milhões de € em 2023 para cerca de 20,4 milhões de € em 2024 e mais de 27,4 milhões de € em 2025, conforme dados do Eurostat divulgados pelo Oficiul de Știri. Os volumes cresceram de 7.205 toneladas para 17.540 toneladas e depois para mais de 21.000 toneladas.
O preço médio do óleo refinado importado atingiu 1,31 € por quilograma em 2025, ante 0,60 € para as sementes exportadas. A diferença não corresponde a uma margem direta de processamento: produzir óleo requer mais de um quilograma de sementes, e a refinação, a energia, a embalagem, o transporte e os coprodutos afetam a rentabilidade. Um produtor citado pelo Oficiul de Știri afirmou que são necessários cerca de 2,5 quilogramas de girassol para produzir um litro de óleo e que a atividade exige volumes muito elevados para ser rentável. Na sua avaliação, uma unidade dificilmente seria viável com produção anual inferior a 100.000 toneladas.
Escala continua a ser a principal limitação industrial
As fábricas romenas produziram cerca de 294.000 toneladas de óleo de girassol refinado em 2025, muito acima do volume importado. O aumento das importações não significa, portanto, que a Roménia não tenha indústria de processamento de óleo. Ele aponta para um mercado onde a produção nacional, a procura externa por sementes e a compra de produto final estrangeiro coexistem.
O produtor citado pelo Oficiul de Știri disse que o armazenamento não é o problema e que a Roménia dispõe de girassol suficiente para cobrir as necessidades internas de óleo. Identificou o processo tecnológico e a insuficiência da capacidade como as principais limitações. Para os investidores, a escala é decisiva: uma oferta abundante de sementes não garante, por si só, a rentabilidade do esmagamento e da refinação. Agricultores e comerciantes conseguem acesso imediato ao mercado pela exportação, enquanto os processadores precisam de assegurar volume suficiente para diluir custos fixos e competir com o óleo acabado importado.