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Produtores russos de açúcar ampliam exportações com queda do consumo interno

O consumo russo de açúcar caiu 5,8%, para 5,54 milhões de toneladas, em 2025 e pode recuar mais 5-6% na nova safra. Os produtores ampliam as vendas externas apesar da queda dos preços mundiais, do rublo forte e da redução da área de beterraba.

Produtores russos de açúcar ampliam exportações com queda do consumo interno

Demanda interna por açúcar continua em queda

Os produtores russos de açúcar dependem cada vez mais dos mercados externos à medida que o consumo doméstico diminui e a indústria de alimentos altera suas fórmulas. Segundo a Forbes Russia, o país acumulou um excedente de açúcar em 2025 enquanto enfrentava dificuldades para colocar volumes no exterior. Estoques acima do consumo interno pressionaram os preços e reduziram o interesse dos agricultores pelo plantio de beterraba açucareira.

Mark Boychuk, da Reksoft Consulting, estima que o consumo caiu 5,8%, para 5,54 milhões de toneladas, em 2025. A Agroan prevê nova retração de 5-6% na próxima safra. O varejo não forma a maior parte da demanda: o principal canal é o processamento industrial para a fabricação de doces, produtos de panificação e lácteos, bebidas, molhos e conservas. Entre janeiro e abril de 2026, a produção russa de confeitaria caiu 3,8%, para 595.400 toneladas, e a de maionese recuou 3,4%, para 234.200 toneladas.

Imposto e mudanças nas fórmulas alteram o consumo

A busca por alimentação saudável, o menor uso doméstico e a adoção de adoçantes pelas empresas de alimentos e bebidas reduzem a procura. O imposto seletivo sobre bebidas açucaradas teve impacto especialmente forte. Dados do Ministério das Finanças da Rússia citados por Alla Andreeva, da Soyuznapitki, mostram que bebidas com mais de 5 gramas de açúcar por 100 mililitros representavam 30% do mercado em 2026, ante 75% em 2023.

A menor preparação de sobremesas em casa, a expansão das entregas e dos alimentos prontos, além do uso de medicamentos para emagrecer que reduzem o apetite e a vontade de consumir doces, também afetam a demanda. No mercado mundial, o movimento é inverso. Evgeny Ivanov, analista do IKAR, calcula que o consumo global de açúcar cresce 0,8-2% por safra, liderado por Ásia e África. Os mercados da Ásia Central, da Mongólia ao Afeganistão, oferecem aos fornecedores russos uma população crescente e uma demanda regional consolidada.

Exportações avançam enquanto área e produção diminuem

A Rússia é uma exportadora líquida relevante de açúcar há 10 safras consecutivas, desde 2016/2017, e abastece mais de 17 países, segundo o IKAR. O instituto projeta exportações de 1,1 milhão de toneladas, incluindo estoques de passagem, 12% abaixo das 1,25 milhão de toneladas do ano anterior. Entretanto, os embarques da categoria mais ampla que reúne açúcar de beterraba, melaço, lactose e frutose chegaram a cerca de 0,97 milhão de toneladas entre janeiro e maio de 2026, aproximadamente 50% acima do mesmo período de 2025.

Ao mesmo tempo, os agricultores reduzem o plantio de beterraba. O IKAR estima queda de 5% na área em 2026, para 1,15 milhão de hectares. Dados da Rosstat apontavam 1,089 milhão de hectares em 1º de junho, redução anual de 4,6%. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos prevê produção russa de 6,25 milhões de toneladas de açúcar no próximo ano agrícola, o menor nível em quatro anos. O IKAR espera 6,3 milhões de toneladas e a Agroan projeta 6,25-6,5 milhões. A economia das exportações continua difícil: os preços mundiais caíram 20% em termos anuais nos cinco primeiros meses de 2026, enquanto o rublo forte limita a competitividade russa. A produção menor e a redução dos estoques de passagem devem, porém, diminuir o risco de outro excedente severo, embora as margens devam permanecer moderadas.

Análise completa do mercado

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