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Produção mundial de trigo deve cair 3% em 2026/27 devido a restrições climáticas

A produção mundial de trigo é estimada em 819-821 milhões de toneladas em 2026/27, 3% abaixo do recorde da temporada anterior. O consumo de 823-825 milhões de toneladas superaria a oferta e exigiria o uso dos estoques de passagem.

Produção mundial de trigo deve cair 3% em 2026/27 devido a restrições climáticas

Produção recua após recorde

A produção mundial de trigo é estimada em 819-821 milhões de toneladas na temporada 2026/27, segundo o ZOL.ru. O volume ficaria 3% abaixo do recorde registrado na temporada anterior. A queda é atribuída a restrições climáticas em importantes regiões produtoras e à redução da área plantada em alguns países.

A projeção representa uma reversão após a safra recorde anterior, embora os dados disponíveis não detalhem as perdas esperadas por país. O clima durante o restante do ciclo das lavouras será, portanto, decisivo para o resultado final. A redução da área também significa que rendimentos favoráveis podem não ser suficientes para recuperar o nível de produção da temporada passada.

Consumo supera a oferta projetada

O consumo mundial de trigo é projetado em 823-825 milhões de toneladas. Considerando os limites dos intervalos divulgados, a demanda superaria a produção em 2-6 milhões de toneladas. Essa diferença criaria um déficit no balanço anual e exigiria o uso de trigo remanescente de temporadas anteriores.

Os estoques de passagem são estimados em 275-286 milhões de toneladas. Embora o volume absoluto deva cair em relação à temporada anterior, os estoques permaneceriam acima da média dos últimos cinco anos. O total indica que não há uma escassez física mundial imediata, mas não representa integralmente o volume disponível para os países importadores.

O ZOL.ru informa que a oferta livremente negociável é consideravelmente menor que os estoques mundiais totais, pois volumes significativos não estão prontamente acessíveis ao mercado internacional. Restrições à exportação, cotas e barreiras logísticas em vários países produtores continuam limitando a disponibilidade. Para comerciantes e importadores, a localização e o acesso aos estoques podem ser mais importantes que o número agregado mundial.

Demanda muda nos principais mercados

A demanda no Oriente Médio e no Norte da África permanece elevada diante do balanço global mais apertado. Egito, Marrocos e Turquia, porém, estão reduzindo as compras externas após safras domésticas favoráveis de cereais e milho em 2026. A mudança pode aliviar temporariamente a concorrência por cargas, embora a demanda básica por trigo na região continue forte.

A China, que concentra uma parcela significativa dos estoques mundiais de trigo, não está ativa no mercado internacional. Sua ausência limita a demanda adicional de importação, mas o grão acumulado no país não está necessariamente disponível para compensar déficits em outras regiões. Isso reforça a diferença entre os estoques mundiais e a oferta efetivamente exportável.

A Índia, por sua vez, avalia retornar ao mercado mundial como exportadora líquida. Volumes adicionais do país poderiam conter os preços internacionais, especialmente enquanto Egito, Marrocos e Turquia compram menos. A trajetória dos preços dependerá da capacidade das exportações indianas e dos estoques de passagem de compensar o déficit de produção projetado, além do clima e da continuidade das restrições comerciais e logísticas.

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