Moldávia bate recorde de exportação de trigo e se torna o segundo fornecedor externo da UE
A Moldávia exportou 378.200 toneladas de trigo em julho e agosto de 2026, o maior volume já registrado para esse bimestre e 23% acima do ano anterior. Os embarques para países da União Europeia somaram 113.500 toneladas, superando Sérvia e Ucrânia, enquanto o transporte ferroviário perto de Reni praticamente parou e o terminal de Giurgiulesti absorveu quase três quartos do fluxo.
A Moldávia abriu o ano comercial 2026/27 com o maior volume bimestral de exportação de trigo de sua história e subiu à segunda posição entre os fornecedores externos da União Europeia, informou o veículo agrícola grego agrocapital.gr.
Início recorde da temporada 2026/27
O país exportou 378.200 toneladas de trigo em julho e agosto de 2026, o maior número já registrado para esse intervalo de dois meses. Os embarques ficaram 23% acima do mesmo período de 2025 e cerca de 5% acima do recorde anterior, estabelecido em 2021.
O resultado reflete tanto um excedente exportável elevado quanto a demanda firme dos mercados moageiros vizinhos. O comércio de trigo moldavo é concentrado no início da temporada: a maior parte da safra deixa o país nos meses imediatamente posteriores à colheita de verão, o que faz dos volumes de julho e agosto um indicador antecipado de todo o programa de exportação.
Destinos e posição entre os fornecedores da UE
Os embarques para países da União Europeia somaram 113.500 toneladas no bimestre, acima dos volumes originários da Sérvia e da Ucrânia, segundo dados do Eurostat citados na reportagem. A Romênia foi, com larga vantagem, o principal destino isolado.
- Romênia: 134.100 toneladas, ou 35,5% do total exportado de trigo moldavo
- Itália: 98.600 toneladas
- Israel: 56.700 toneladas
As duas bases de dados não são diretamente comparáveis. A série do Eurostat registra o trigo que entra na União Europeia, enquanto a abertura por destino vem da estatística de exportação moldava, e só o número romeno supera o agregado divulgado para a UE. Compradores que acompanham a mudança de origens devem tratar o ranking de fornecedores e os volumes por país como medições distintas.
As 56.700 toneladas enviadas a Israel mostram que o trigo moldavo também compete fora do bloco. Dentro da UE, Romênia e Itália absorveram juntas 232.700 toneladas, equivalentes a 61,5% de tudo o que a Moldávia embarcou no bimestre.
Preços elevam o valor exportado
O preço médio de exportação do trigo moldavo nos dois primeiros meses da temporada foi de 3,71 lei por quilo, ante 3,53 lei por quilo em 2024/25. A tendência mensal foi mais fraca: agosto ficou em 3,67 lei por quilo, depois de 3,76 lei por quilo em julho. Os ganhos combinados de volume e preço levaram o valor das exportações de trigo de julho e agosto a cerca de 1,4 bilhão de lei, contra 1,09 bilhão de lei um ano antes, alta de aproximadamente 28%.
Ferrovia trava e Giurgiulesti sustenta a temporada
A logística foi a principal restrição. Os embarques ferroviários caíram para 2.870 toneladas em agosto, ante 45.300 toneladas em julho, por atrasos na disponibilidade de vagões perto do porto de Reni, segundo o agrocapital.gr.
O transporte aquaviário absorveu a lacuna e respondeu por 76,1% de todos os despachos do bimestre. O terminal de Giurgiulesti movimentou quase 279.000 toneladas, ou 73,8% das exportações de trigo do país, deixando perto de três quartos do comércio dependentes de uma única saída para o Danúbio.
Para os importadores da UE, a questão é se o ritmo se sustenta. A queda de preço em agosto e o colapso dos carregamentos ferroviários apontam para um mercado em que a logística, e não a oferta, define o teto dos volumes mensais. A posição da Moldávia entre os fornecedores do bloco dependerá da disponibilidade de vagões em Reni e da capacidade de movimentação de Giurgiulesti no restante do ano comercial.