México recupera cota de 1,1 milhão de toneladas de açúcar para os Estados Unidos
O México recuperou o acesso para exportar 1,1 milhão de toneladas de açúcar aos Estados Unidos, depois de o volume disponível cair para 150 mil toneladas. A cota ajudará a retirar excedentes do mercado interno e a melhorar as condições para produtores de cana, trabalhadores e usinas.
Acesso às exportações volta após quatro anos de cortes
O México recuperou uma cota para exportar 1,1 milhão de toneladas de açúcar aos Estados Unidos, revertendo a forte contração do comércio bilateral. Segundo Fortuna y Poder e Diario Presente, o volume disponível havia caído nos quatro anos anteriores de aproximadamente 1 milhão de toneladas para apenas 150 mil toneladas.
A presidente Claudia Sheinbaum afirmou que a recuperação resultou de negociações envolvendo a Secretaria de Economia do México, autoridades agrícolas e representantes dos Estados Unidos. Produtores de cana, trabalhadores e administradores de usinas, representantes da indústria e autoridades de estados produtores como Veracruz, Colima, Tamaulipas e Morelos também participaram das conversas. O governo não informou quando a nova cota começará a valer, de acordo com o Diario Presente.
Excedente doméstico ganha um mercado maior
O México produz mais açúcar do que consome internamente. A perda de acesso ao mercado norte-americano manteve uma oferta adicional no país e contribuiu para a queda dos preços, segundo Sheinbaum. A Fortuna y Poder informou que o volume recuperado representa mais de um quinto da produção nacional, o que torna os Estados Unidos um destino importante para o excedente.
A retirada de mais de 1 milhão de toneladas do mercado interno pode aliviar a pressão sobre os preços no atacado e melhorar as condições em toda a cadeia produtiva. Os agricultores ganham uma demanda maior pela cana, enquanto processadores e trabalhadores das usinas se beneficiam de uma saída mais consistente para a produção. O efeito comercial também dependerá da velocidade com que os exportadores poderão utilizar a cota, cujo calendário ainda não foi divulgado.
Contrabando e viabilidade das usinas continuam em pauta
O governo também está reforçando a fiscalização contra a entrada irregular de açúcar proveniente da América Central. Sheinbaum disse que as autoridades agrícolas trabalham com as alfândegas do sul do México e a Guarda Nacional para combater o contrabando e a exportação ilegal de cana. Até o momento, não foram publicados resultados dessas operações, segundo o Diario Presente. Produtores e trabalhadores apontam os fluxos ilícitos como outra fonte de pressão sobre o mercado nacional.
O fechamento da usina San Pedro, em Lerdo de Tejada, no estado de Veracruz, evidencia essas dificuldades. A empresa atribuiu a decisão à falta de rentabilidade, enquanto representantes do setor também relacionaram seus problemas financeiros ao açúcar contrabandeado. Os trabalhadores deverão receber as indenizações previstas em lei. As autoridades analisam três alternativas para a unidade: administração pelo governo de Veracruz, formação de uma cooperativa de trabalhadores ou aquisição por outra usina privada. Sheinbaum afirmou que a instalação terá de operar em condições de mercado, sem subsídio federal exclusivo, embora os produtores possam continuar acessando os apoios gerais do programa Producción para el Bienestar. O governo federal mantém conversas com os trabalhadores para tentar preservar os empregos diretos e indiretos da região.
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