Marrocos suspende tarifas sobre ovinos vivos e carnes vermelhas até o fim do ano
O Marrocos suspendeu até 31 de dezembro as tarifas de importação sobre ovinos vivos e carnes bovina, ovina, caprina e de camelo. A medida busca reforçar a oferta interna de carnes vermelhas após uma redução de 30% no rebanho bovino, associada às secas e à alta dos custos da alimentação animal.
Isenção vale para fornecedores de todos os países
O Marrocos suspendeu até 31 de dezembro as tarifas aduaneiras sobre as importações de ovinos vivos e diversas categorias de carnes vermelhas. A janela temporária de acesso sem tarifa pretende ampliar a oferta no mercado interno. A medida abrange ovinos vivos e carnes bovina, ovina, caprina e de camelo, segundo informações do Ministério da Agricultura e Pecuária do Brasil divulgadas pela Agência de Notícias Árabe-Brasileira.
A Administração de Aduanas e Impostos Indiretos do Marrocos publicou a medida em 27 de julho. Ela se aplica às importações elegíveis originárias de todos os países, sem ficar restrita a um parceiro comercial ou fornecedor preferencial. Assim, os importadores marroquinos poderão comparar preços, disponibilidade, custos de transporte e prazos de entrega em diferentes mercados produtores durante os meses restantes do ano.
Seca e custos da alimentação reduziram o rebanho
A suspensão tarifária ocorre enquanto o Marrocos tenta reforçar a disponibilidade de carnes vermelhas diante das dificuldades da pecuária nacional. Um censo pecuário realizado no ano passado registrou redução de 30% no rebanho bovino do país. A Agência de Notícias Árabe-Brasileira atribuiu a retração aos períodos de seca e ao aumento dos custos da alimentação animal.
Um rebanho menor limita o número de animais disponíveis para abate e dificulta uma recuperação rápida da oferta. A alimentação mais cara também prejudica a viabilidade de manter ou ampliar os plantéis. A retirada das tarifas de importação não resolve essas limitações produtivas, mas pode reduzir o custo dos animais e das carnes estrangeiras entregues no país durante a vigência da medida.
A inclusão de várias espécies amplia a possível resposta da oferta para além da carne bovina. Os importadores poderão comprar ovinos vivos e carnes ovina, caprina e de camelo conforme a demanda e a disponibilidade de volumes exportáveis. Para processadores e atacadistas, o resultado dependerá dos preços externos, do frete, das exigências veterinárias e da capacidade de fechar contratos e receber os produtos antes de 31 de dezembro.
Regime existente para bovinos oferece precedente
O Ministério da Agricultura brasileiro informou que as importações marroquinas de bovinos vivos destinados ao abate já operam sob um sistema semelhante no comércio bilateral. Desde o fim de 2022, o Marrocos suspende a cobrança de tarifas sobre esses animais quando entram dentro das cotas tarifárias anuais definidas pelo governo.
A cota para 2026 foi estabelecida em 300 mil cabeças, segundo o ministério. A nova suspensão tem cobertura mais ampla, pois inclui ovinos vivos e diversos tipos de carne de qualquer origem. Isso cria oportunidades adicionais para fornecedores capazes de cumprir as exigências sanitárias e comerciais marroquinas, além de aumentar a concorrência dos exportadores pelos pedidos locais.
Para o mercado interno, o objetivo imediato é reforçar a oferta e controlar os preços, e não promover uma mudança permanente na política comercial. A medida deve terminar em 31 de dezembro, criando um período definido para importações sem tarifa. O impacto efetivo dependerá dos volumes comprados e entregues, e não apenas da alteração tarifária.