Marcas próprias reforçam domínio no azeite virgem extra italiano
As marcas próprias dos supermercados venderam 5,9 milhões de litros de azeite virgem extra italiano em junho de 2026, aproximadamente o volume conjunto das nove maiores marcas industriais. Dados da Nielsen citados pelo Teatro Naturale mostram avanço do mercado em volume, enquanto os fabricantes dependeram fortemente de promoções e cortes de preços.
Volume cresce, mas valor quase fica estável
O varejo italiano de azeite cresceu em junho de 2026, mas as marcas próprias dos supermercados capturaram grande parte dessa oportunidade. Segundo dados da Nielsen divulgados pelo Teatro Naturale, as vendas aumentaram 9% em volume e apenas 0,2% em valor, chegando a 16,5 milhões de litros e 178,3 milhões de €. O preço médio foi de 10,79 € por litro.
As marcas próprias responderam por 5,9 milhões de litros, alta de 3,5%, com preço médio de 10,54 € por litro, queda anual de 7,4%. A participação das vendas promocionais ficou em 36%. Esse volume praticamente igualou as vendas somadas das nove principais marcas industriais: Coricelli, Clemente, Monini, Costa d’Oro, Deoleo, DeSantis, Farchioni, Flli Merano e Montalbano Agricola Spa.
Marcas industriais pagam pelo volume com promoções
A Coricelli, líder industrial do azeite virgem extra italiano nesses dados, vendeu 1,29 milhão de litros. Suas vendas recuaram 9,4% apesar de uma pressão promocional de 79%, enquanto o preço médio caiu 8,4%, para 7,61 € por litro. A Olearia Clemente veio em seguida, com 1,255 milhão de litros e crescimento de 29%, após elevar a participação promocional para 53% e reduzir o preço médio em 11,4%, para 10 € por litro.
A Monini aumentou a pressão promocional para 48%, quase 10 pontos percentuais acima do ano anterior, e reduziu o preço médio em 8,7%. Mesmo assim, as vendas ficaram em 660 mil litros. Entre as marcas industriais, a pressão promocional média subiu 10 pontos percentuais em junho, indicando que uma garrafa adicional em cada 10 foi vendida em oferta. O Teatro Naturale avalia que isso deixou as engarrafadoras com margens baixas ou, em alguns casos, negativas.
Posição na prateleira sustenta a margem do varejo
A pressão promocional das marcas próprias aumentou apenas 3 pontos percentuais. Segundo o Teatro Naturale, os supermercados também dão posições privilegiadas nas prateleiras aos próprios produtos, favorecendo o giro mesmo quando seus preços médios superam os das marcas industriais. A publicação estima margens de 25-35%. Os preços recentes de compra do azeite italiano pelo varejo ficaram, em média, em 5,50 € por litro, enquanto os produtos italianos de marca própria raramente apareciam por menos de 6,99-7,99 € por litro.
O padrão também ocorre no azeite virgem extra de origem comunitária. As marcas próprias mantiveram a liderança em junho, embora Coricelli e Monini, juntas, tenham quase igualado sua participação. O volume das marcas próprias cresceu 6,2%, enquanto a categoria recuou 2,9%. A pressão promocional média da indústria chegou a 75%, contra 36,4% das marcas dos supermercados.
Estoques continuam pressionando a cadeia
O desequilíbrio no varejo vai além da disputa entre marcas. Lagares e organizações de produtores ainda mantêm azeite italiano em seus tanques, e o aumento das vendas dos supermercados não significa necessariamente uma redução mais rápida desses estoques. Os números indicam que o varejo consegue preservar volume e margem com menos promoções, enquanto as engarrafadoras industriais reduzem preços de forma mais agressiva para defender suas vendas.
Para produtores e processadores, a questão central é quanto azeite nacional o varejo consegue absorver e como o valor resultante é dividido. O Teatro Naturale atribui responsabilidade às políticas comerciais da grande distribuição. Os dados não quantificam quanto azeite italiano adicional seria vendido com outra estratégia promocional, mas mostram que o controle das prateleiras e das ofertas dá às marcas próprias uma vantagem clara para determinar quais estoques chegam ao consumidor.