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Maersk faz o primeiro abastecimento comercial com etanol e abre novo canal de demanda para o milho

A Maersk concluiu no porto de Mobile o primeiro abastecimento comercial navio a navio de um porta-contêineres oceânico com etanol 100% produzido nos Estados Unidos. Como o milho é a matéria-prima básica do etanol americano, o teste abre uma saída adicional para os produtores de grãos. A companhia ressalta que o combustível segue em fase de testes e que a escala dependerá de disponibilidade, regulação e infraestrutura portuária.

Maersk faz o primeiro abastecimento comercial com etanol e abre novo canal de demanda para o milho

A Maersk concluiu o primeiro abastecimento comercial navio a navio de um porta-contêineres oceânico com etanol integralmente produzido nos Estados Unidos, segundo o veículo agrícola romeno agrointel.ro. O combustível foi entregue ao navio Tangier Maersk no porto de Mobile, e a operação integra os testes de combustíveis alternativos conduzidos pela armadora para reduzir as emissões do transporte marítimo.

A empresa ressalta que o uso de etanol na navegação permanece em fase de testes. Três condições vão definir a passagem da demonstração para a operação comercial: disponibilidade do combustível, regulação e infraestrutura portuária capaz de operar abastecimentos em escala. Nenhuma está resolvida, e a Maersk não divulgou cronograma para uma adoção mais ampla.

Uma nova saída para o milho

Para os produtores de grãos, o ponto relevante é a matéria-prima. O milho é o insumo básico da produção de etanol, e os Estados Unidos são o maior produtor mundial, com infraestrutura de produção e distribuição já instalada. Isso significa que a oferta poderia responder a uma demanda marítima sem construir novas usinas, algo incomum em um mercado de combustível emergente.

O tamanho dessa demanda segue indefinido. Um único abastecimento em um porta-contêineres comprova viabilidade técnica e comercial, mas não cria mercado. Os volumes vão depender da velocidade com que se alinharem as licenças de abastecimento, a capacidade de tancagem nos portos e as regras de emissões que reconheçam o etanol como combustível marítimo.

Futuros de grãos seguem pressionados

O trigo de Paris tentou recuperar terreno, com alta de quase 2 euros no contrato de dezembro depois de quatro sessões consecutivas de correção que levaram o mercado à mínima de seis semanas. Em Chicago, o trigo continuou em queda, pressionado pelo dólar mais forte, pela demanda de exportação fraca e pelas expectativas persistentes de distensão diplomática no mar Negro.

O milho andou na direção oposta ao trigo na bolsa europeia: o milho MATIF seguiu se depreciando, acompanhando o CBOT, onde os preços se mantêm perto da mínima de um mês. Os produtores americanos haviam colhido apenas 18% da área plantada, abaixo da média dos últimos cinco anos, por causa das chuvas. O mercado também ficou decepcionado com o resultado da cúpula entre Trump e Xi, que não trouxe novos compromissos chineses de compra de grãos americanos. Nas oleaginosas, a soja americana continua sujeita à taxa adicional de 10% imposta por Pequim, nível alto demais para os importadores privados chineses absorverem, o que preserva a vantagem competitiva da soja brasileira.

Mercado físico de Constanta

No mercado físico, o trigo de moagem DAP Constanta perdeu outros 3 euros, enquanto o trigo forrageiro ganhou 4 euros, reduzindo a diferença entre as duas categorias a apenas 9 euros — a menor em semanas e sinal de demanda mais firme no segmento de ração. Ainda assim, os compradores hesitam nos níveis atuais porque têm ofertas alternativas. O milho ficou estável, a cevada forrageira corrigiu 3 euros até o nível do trigo forrageiro, o girassol se manteve após duas semanas de correção e a canola cedeu 5 euros, acompanhando a Euronext. Ao câmbio de 1 euro = 5,28 lei, as cotações de terça-feira, 29 de setembro de 2026, foram:

  • Trigo de moagem: 222 euros por tonelada (1.171 lei)
  • Trigo forrageiro: 213 euros por tonelada (1.123 lei)
  • Milho: 231 euros por tonelada (1.218 lei)
  • Cevada forrageira: 213 euros por tonelada (1.123 lei)
  • Girassol: 487 euros por tonelada (2.570 lei)
  • Canola: 525 euros por tonelada (2.771 lei)

Logística ucraniana e produtividade na UE

A Ucrânia não espera uma trégua marítima com a Rússia num futuro próximo, depois de Moscou rejeitar as propostas de cessar-fogo, afirmou o ministro da Agricultura ucraniano em declarações citadas pela Bloomberg, acrescentando que é difícil prever decisões favoráveis nos próximos meses. As restrições às operações dos portos da Grande Odessa, em vigor desde 21 de julho, atingem diretamente o setor agrícola. Kiev ampliou o uso de rotas rodoviárias, ferroviárias e fluviais pelos Corredores de Solidariedade e pelo Danúbio, mas as alternativas são mais caras: os custos logísticos adicionais chegam a cerca de 50 euros por tonelada, e a Ucrânia pede à União Europeia 1,1 bilhão de euros para desenvolver rotas alternativas mais longas, inclusive pela Alemanha. O preço interno do trigo já caiu quase 30% em dois meses, segundo o ministro.

Na União Europeia, o JRC MARS manteve as previsões de produtividade das culturas de verão bem abaixo da média de cinco anos e as reduziu novamente neste mês: 7% na beterraba açucareira, 2% no milho em grão e na soja, e 1% na batata. A produtividade do milho em grão é agora estimada em 6,50 t/ha, contra média de 7,09 t/ha, e a da soja em 2,26 t/ha, contra 2,67 t/ha. O girassol foi a exceção, com alta de 2% no mês, para 1,96 t/ha, perto da média de cinco anos de 1,99 t/ha. As chuvas de meados de agosto chegaram tarde demais para compensar as perdas do verão, mas ajudaram a semeadura dos cereais de inverno; no sudoeste e no sudeste da Europa, os solos secos dificultam cada vez mais o estabelecimento da canola de inverno, enquanto o excesso de chuva prejudica a colheita nos países bálticos.

Análise completa do mercado

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