Índia atinge gasolina com etanol E20 cinco anos antes e abre debate sobre motores e alimentos
A Índia atingiu uma mistura de 20% de etanol na gasolina (E20) em 2025, cinco anos antes da meta de 2030 e ante cerca de 1,5% em 2014, segundo o Prabhat Khabar. O programa reduziu uma conta de importação de petróleo que chegou a 112,74 bilhões de dólares em 2014 e deu às usinas e destilarias um comprador garantido, mas abriu um debate sobre motores antigos e o desvio de grãos e cana para combustível.
De 1,5% ao E20 em cerca de uma década
A Índia atingiu uma mistura de 20% de etanol na gasolina (E20) em 2025, cinco anos antes da meta original de 2030 e ante cerca de 1,5% de mistura em 2014, segundo o Prabhat Khabar. O governo afirma que a meta de implantação do E20 foi cumprida até 2025, transformando um combustível que estava preso em volumes marginais no padrão vendido nos postos de todo o país.
A política tem raízes na dependência da Índia das importações de petróleo. O Prabhat Khabar informa que em 2014 o país comprava cerca de 3,8 milhões de barris de petróleo por dia e importou naquele ano 189,43 milhões de toneladas métricas de petróleo bruto por 112,74 bilhões de dólares (cerca de 6.87.369 crore de rupias). A alta dos preços do petróleo e a instabilidade geopolítica aceleraram a busca por alternativas, e misturar etanol à gasolina tornou-se o caminho escolhido.
Marcos da política
A Índia adicionou etanol à gasolina pela primeira vez em 2001, como um pequeno experimento, e lançou formalmente o programa de gasolina misturada com etanol (EBP) em janeiro de 2003, embora tenha avançado pouco por anos. Uma notificação de 2013 sob o governo da UPA não acelerou a adoção, deixando a mistura perto de 1,5% em 2014.
- Em dezembro de 2014 o governo reintroduziu um mecanismo de preços administrados para a compra de etanol, fixando os preços ele próprio. Isso deu segurança às usinas e aos produtores de etanol, simplificou as compras para as petroleiras, e a oferta subiu rapidamente.
- Em 16 de maio de 2018 a Política Nacional de Biocombustíveis 2018 ampliou a matéria-prima para além da cana-de-açúcar, incluindo grãos danificados, arroz quebrado e milho, e fixou a meta de mistura de 20% para 2030 — depois antecipada para 2025.
- Novas destilarias foram construídas e a capacidade de etanol se multiplicou, apoiada em investimentos de milhares de crore de rupias.
Motores antigos e a questão dos alimentos
O Prabhat Khabar informa que boa parte da nova capacidade de etanol está agora subutilizada, e o debate passou para misturas acima do E20, como o E85. O E85 é atualmente considerado adequado apenas para veículos de combustível flexível (flex-fuel), e não foi anunciada nenhuma medida para torná-lo gasolina padrão. A preocupação é que a Índia ainda tem milhões de veículos projetados para E10 ou menos. Especialistas citados pela publicação alertam que, se misturas mais altas forem usadas de forma ampla em veículos antigos, motores, tubulações de combustível e outras peças poderão sofrer pressão adicional, levando a corrosão, menor autonomia e maiores custos de manutenção, transferindo a economia do país para os proprietários individuais.
A demanda por etanol também está remodelando o campo. Uma grande parte da cana que antes virava açúcar vai agora para o etanol, o cultivo de milho se expande e grãos como o arroz quebrado são usados. Tecnologias de segunda geração (2G), que produzem etanol a partir de resíduos agrícolas como a palha, poderiam aliviar a pressão sobre o grão alimentar se tiverem sucesso.
Como a Índia se compara
A Índia não é a única a fazer a mistura, mas avançou muito mais rápido que outros. O Prabhat Khabar observa que o Brasil, chamado de capital mundial do etanol, mistura comumente cerca de 27% (E27) e se prepara para elevar esse nível a 30–35%, com E100 nos postos e mais de 80% dos carros novos equipados com tecnologia flex-fuel. Os Estados Unidos, maior produtor e consumidor de etanol, misturam etanol de milho: o E10 é padrão há anos, o E15 cresce e o E85 está amplamente disponível para veículos flex-fuel. O Paraguai tornou o E30 obrigatório, a Tailândia usa o E20 como combustível normal e promove o E85 com isenções fiscais, enquanto Europa, Reino Unido, Canadá e Austrália usam há muito tempo o E5 e o E10.
A diferença central, aponta a reportagem, é o tempo: Brasil, Estados Unidos e outros levaram duas a três décadas para passar de 5% a 20% de mistura, dando às montadoras e aos sistemas de combustível tempo para se adaptar, enquanto a Índia percorreu a mesma distância em cerca de uma década. Essa velocidade é um ganho claro para a segurança energética, mas levantou a questão de se os milhões de veículos antigos do país, sua prontidão para flex-fuel e sua distribuição estão preparados para qualquer novo avanço rumo a misturas mais altas.