Grécia prevê alta de 25% a 30% na safra de kiwi e Itália responde com qualidade e segmentação
A Grécia caminha para uma safra de kiwi potencialmente recorde, com volumes previstos entre 25% e 30% acima do ano passado, segundo o italiafruit.net. A Itália chega à colheita com boa disponibilidade, qualidade positiva e calibres médios a grandes. O setor avalia que a concorrência entre as origens será menos direta do que sugerem os números agregados.
A Grécia prepara-se para uma safra de kiwi potencialmente recorde, com volumes esperados entre 25% e 30% acima dos do ano passado, segundo a publicação setorial italiana italiafruit.net. A Itália, por sua vez, chega à colheita com boa disponibilidade, qualidade geral positiva e calibres voltados para as categorias médias a grandes. Em conjunto, os números apontam para uma oferta abundante na campanha europeia de 2026/27, mas o veículo alerta que ler a safra apenas pelo volume é um erro.
Grécia empurra volume, Itália aposta na segmentação
Marco De Nadai, especialista em exportação intercontinental e licenciado dos kiwis Red Passion e Gold Passion, disse ao italiafruit.net que a variável decisiva não será a colheita total, e sim o produto que chega ao mercado. “O elemento realmente relevante não será apenas quanto será colhido, mas sobretudo qual produto chegará ao mercado”, afirmou. A Grécia terá grandes volumes a colocar, acrescentou, mas o aumento de produção deve vir acompanhado de uma presença importante de calibres médios a pequenos, consequência dos altos rendimentos. Permanecem ainda dúvidas sobre a qualidade geral e sobre a capacidade de conservação de parte da produção.
Para a Itália, sustenta De Nadai, a chave está na segmentação da oferta. O produto italiano pode encontrar vantagem competitiva na combinação de calibre, qualidade e resistência, sobretudo em programas destinados a mercados distantes e a segmentos premium. Nessa base, Itália e Grécia podem competir menos diretamente do que os dados agregados sugerem: a Grécia tem condições de jogar de forma agressiva no plano comercial e nos programas do varejo europeu, enquanto a Itália pode concentrar-se na valorização, na vida útil e na diferenciação.
Saída do hemisfério Sul abre uma janela
A retirada gradual das produções do hemisfério Sul também favorece o cenário. O Chile está encerrando sua temporada de exportação antes da entrada plena da produção europeia, o que cria uma janela interessante para a fruta do hemisfério Norte, segundo o italiafruit.net.
“Os principais mercados internacionais estão voltando a olhar para a Europa e o Mediterrâneo para reconstruir seus programas de abastecimento”, explica De Nadai. Essa demanda de retorno pode atenuar, ao menos na primeira fase da temporada, o efeito de uma produção europeia abundante.
O risco não é fruta demais, mas começar cedo demais
Nessa leitura, o maior perigo é a pressa, e não o excesso de produção. Diante de uma Grécia com volumes recordes e da tensão habitual no início de cada campanha, a tentação de antecipar colheita e comercialização para tomar posição no mercado será forte, e seria, segundo De Nadai, provavelmente o erro mais caro. O valor comercial do kiwi se constrói primeiro no campo e no momento da colheita, e é determinado por:
- teor de matéria seca
- grau Brix
- firmeza
- uniformidade
- maturação fisiológica correta
Esses parâmetros definem não apenas a qualidade percebida pelo consumidor, mas também a capacidade da fruta de chegar longe e de prolongar a temporada comercial. Com mais produto disponível, o mercado será inevitavelmente mais seletivo; e quando a seletividade aumenta, a fruta mediana torna-se de repente abundante, enquanto a realmente boa pode ficar relativamente escassa.
Amarelo e vermelho redesenham a categoria
Uma segunda mudança estrutural altera profundamente o cenário italiano: o crescimento das produções de polpa amarela e vermelha. O segmento Gold continua ganhando peso graças tanto às variedades já consolidadas quanto a novas cultivares que nos últimos anos ampliaram de forma significativa as possibilidades produtivas e comerciais, resultando numa categoria cada vez mais articulada.
O kiwi amarelo já não é apenas uma alternativa ao tradicional Hayward, mas um verdadeiro segmento de mercado, com épocas de colheita, perfis de sabor e posicionamentos distintos. A maior disponibilidade varietal permite aos operadores montar programas mais longos e diferenciados, criando valor ao longo de uma parte cada vez maior da temporada. O kiwi vermelho segue como nicho em volume, mas continua ganhando terreno: cor, sabor e características nutricionais sustentam um posicionamento premium cada vez mais reconhecível. O conceito de “superfruta”, acrescenta De Nadai, começa a entrar na percepção do consumidor.
A campanha 2026/27 pode assim marcar mais uma etapa no mercado europeu do kiwi, com a Grécia ampliando seu peso como grande origem produtora e exportadora e a Itália cada vez menos interessada em medir-se apenas por volume. Como resume De Nadai, a comparação entre origens corre o risco de se tornar menos importante do que a comparação entre segmentos.