Exportações russas de pescado congelado e refrigerado crescem 71% em uma década
As exportações russas de pescado congelado e refrigerado subiram 71% em valor em dez anos, contra 50% no mundo, informou a União Pesqueira no Fórum Internacional da Pesca, em São Petersburgo. A Rússia é a quarta maior exportadora em volume, mas apenas a 14ª em valor. A produção mundial de pescado atingiu o recorde de 235 milhões de toneladas, com o comércio internacional perto de US$ 186 bilhões.
As exportações russas de pescado congelado e refrigerado cresceram 71% nos últimos dez anos, enquanto o indicador mundial equivalente avançou 50%, afirmou Aleksandr Panin, presidente da União Pesqueira da Rússia, no Fórum Internacional da Pesca e na Feira da Indústria Pesqueira, Frutos do Mar e Tecnologias, em São Petersburgo. A agência TASS reportou suas declarações a partir do fórum em 16 de setembro. O Fishnews, que cobriu a mesma mesa-redonda, esclareceu que a comparação é feita em valor.
A sessão foi estruturada em torno dos dados do relatório da FAO sobre o estado da pesca e da aquicultura mundiais. A produção global de pescado e frutos do mar atingiu o recorde de 235 milhões de toneladas e o valor do comércio internacional aproximou-se de US$ 186 bilhões, informa o Rossiyskaya Gazeta. O comércio de pescado hoje é comparável em valor ao de carnes, mercado tradicionalmente visto como maior.
A Rússia cresce mais rápido que o mercado mundial em todas as categorias
A União Pesqueira comparou o crescimento do valor exportado em dez anos por grupo de produtos. Nas três categorias citadas, os embarques russos avançaram acima da média mundial:
- pescado congelado e refrigerado: 71% na Rússia contra 50% no mundo;
- conservas: 83% contra 51%;
- produtos de crustáceos e moluscos: 66% contra 29%.
No agregado, as exportações russas de pescado e frutos do mar somaram 74% em valor na década, contra 47% na média mundial, segundo os dados citados pelo Fishnews. O pano de fundo é a parcela crescente da produção que cruza fronteiras: cerca de 36% de todo o pescado capturado e cultivado é hoje exportado, ante 25% em meados dos anos 1970. Em valor, as exportações se multiplicaram por 23 desde 1976.
Quarto lugar em volume, 14º em valor
Pelo peso do pescado exportado, a Rússia ocupa o quarto lugar no mundo; pelo valor desses embarques, apenas o 14º. “E essa é uma reserva real de crescimento”, destacou Panin.
A diferença se explica pela pauta de produtos. Os principais itens russos são o caranguejo, o escamudo-do-alasca congelado, o bacalhau, o filé de escamudo, as ovas e as gônadas masculinas do pescado. Já as categorias que dominam o comércio mundial são o camarão, o salmão e seu filé, com o salmão se firmando como a espécie de maior valor no mercado. “Isso significa que jogamos em nossos próprios nichos, e jogamos forte”, observou o presidente da União Pesqueira.
Preços sobem mais rápido que os volumes
O preço por quilograma do produto russo exportado subiu 54% em dez anos, enquanto a média mundial avançou 20%, abaixo da inflação acumulada do dólar, aponta o Fishnews. Essa diferença significa que os fornecedores russos obtiveram ganho real de preço na década, enquanto o exportador médio mundial não compensou nem a desvalorização da moeda em que o comércio é liquidado.
Panin tratou também da importância de diversificar a geografia dos embarques e do papel da aquicultura no aumento da produção mundial de pescado. É a aquicultura que responde pela maior parte do avanço refletido no recorde de 235 milhões de toneladas.
“O mercado mundial de pescado encarece mais rápido do que cresce em volume. A concorrência por pescado e frutos do mar de qualidade só vai se intensificar, e nessa corrida a Rússia não está correndo atrás, está no grupo de liderança”, concluiu. O Rossiyskaya Gazeta, ao relatar a mesma discussão, registra que a Rússia segue como um grande participante do comércio mundial.